O fato de o Volkswagen Gol ser o carro mais vendido do Brasil há mais de 20 anos causou um furor nas ruas com a presença da nova geração do modelo, lançada no mês passado. Todo mundo quer olhar e perguntar sobre o carro, principalmente os donos das gerações anteriores. Convidamos então, um desses fiéis proprietários, a bióloga Tatiane Braga Afonso, dona de um Gol CL 1.6 1990. ‘O carro mudou muito, é difícil comparar com o meu. Só ficou o nome mesmo’, diz.
E isso é verdade. O Gol de Tatiane usa o propulsor Ford CHT a álcool de 73 cv de potência, utilizado pela Volkswagen durante a Autolatina, época em que as duas marcas eram parceiras. O Gol testado é equipado com o EA-111 de 1,6 litro, que gera 101 cv com gasolina e 104 cv com álcool. A plataforma também é totalmente nova, derivada do Polo, fato que resolveu problemas crônicos dos antigos modelos, como o volante deslocado para a direita e o motor na longitudinal, que roubava espaço da cabine.
‘O novo Gol ficou muito mais gostoso de dirigir. A direção é levinha e o câmbio é bem preciso’, disse a bióloga. ‘Isso sem desmerecer o meu Gol, que é muito econômico, mesmo usando álcool, e me atende muito bem’. Houve também evoluções tecnológicas de 1990 para cá. Para sair com seu carro, Tatiane precisa deixar esquentando com o afogador puxado. O Gol dela também não tem direção hidráulica e nem ar-condicionado, itens oferecidos na época somente para os modelos topo de linha.
Evolução sim, revolução não
Justamente por ser líder de vendas, uma mudança radical seria um risco para a Volkswagen. O desenho da traseira, por exemplo, foi inspirado na primeira geração do modelo. As lanternas são pequenas e ficam nas extremidades. Um vinco corta a tampa do porta-malas logo abaixo do vidro. Mesmo com o motor na transversal, a marca optou por não rebaixar tanto o capô, que sempre foi alto no Gol.
O câmbio continua preciso e de curso curto como sempre foi, mas o acionamento trocou os varões por cabos de aço. A suspensão firme foi mantida geração depois de geração. Alguns defeitos ainda foram herdados, como o pouco espaço interno na parte da frente e de trás, e o porta-malas pequeno. O atual tem 285 litros.
O novo Gol com motor 1.6 tem uma tocada esportiva. O propulsor responde bem às investidas no acelerador e a estabilidade impressiona para um carro deste porte. As retomadas não exigem mudanças de marcha constantes e pode, segundo a fábrica, chegar a 192 km/h. A direção é direta e a carroceria pouco inclina em manobras mais bruscas. Na versão testada, porém, o barulho de vento incomodava acima dos 100 km/h. O problema pode ser resolvido em ajustes de produção na fábrica, já que esta unidade foi uma das primeiras a sair da linha de montagem (pré-série). O consumo divulgado pela Volkswagen é de 8,8 km/l na cidade com álcool e 13,1 km/l com gasolina. Na estrada faz 12,4 km/l e 18,5 km/l respectivamente.
Por dentro, pouco espaço e muito plástico
Como dito acima, um dos problemas herdados pela nova geração é o espaço interno. Quem vai na frente fica muito próximo da porta. Para acionar os botões da trava e dos vidros elétricos, é preciso recuar o braço, já que eles ficam para trás. Ao menos não é mais no painel, como foi em algumas gerações atrás. No console, ficaram apenas o acionamento das janelas traseiras.
Por falar na parte de trás, uma pessoa de 1,80 m pode não ficar muito confortável se quem estiver à frente também for alta. Com o banco totalmente para trás, falta espaço para as pernas. Ao menos, sobra para os ombros e para a cabeça, que ficavam apertados no Gol antigo.
O acabamento é repleto de plástico, mas com encaixes milimétricos. Tecido nas portas é opcional; pode valer a pena, já que melhora bastante o aspecto. As peças pintadas, como as maçanetas internas, aros dos difusores de ar e botões do ar-condicionado, são caprichadas e herdadas da Audi, segundo a Volkswagen. O volante, com boa textura, pode ter comandos do som, com botões herdados do Fox.
Ao contrário do Gol 1990 da bióloga Tatiane, o novo pode vir com mais segurança. Na lista de opcionais constam airbag duplo e freios ABS. O problema é o custo. Para o modelo 1.6, as bolsas infláveis saem por R$ 2.235. Os freios antitravamento ficam por R$ 3.135.
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