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Uma volta em um Ford Mustang 1968

30/05/2008 - Texto e fotos: Fernando Pedroso

Fonte: iCarros

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‘Para atrair os clientes jovens, qualquer carro deveria ter três características principais: estilo, ótimo desempenho e preço baixo’, disse Lee Iacocca, então vice-presidente da Ford. Assim nasceu o Mustang, que começou a sair da linha de montagem no dia 9 de março de 1964. O projeto havia começado três anos antes e, sete protótipos e seis possibilidades de nome depois, ficou definido como ia ser o ‘pony car’ (carro-pônei na tradução literal, pequeno e rápido) mais desejado dos Estados Unidos ao lado do eterno rival Chevrolet Corvette.

A unidade das fotos é uma das 321.854 vendidas no ano de 1968, o mesmo do Ato Institucional número 5 e da Primavera de Praga. Ano de revoluções. Mas revoluções ele sofreu no ano anterior, quando passou pelo primeiro face-lift. O vermelho que testamos está equipado com um motor de 351 polegadas cúbicas. Trata-se de um potente V8 de 5,7 litros e que gera 240 cavalos, mas que só entrou na linha Mustang em 1971.

O carro revolucionou também o segmento de esportivos. Com a traseira curta e o capô longo, envelheceu os concorrentes diretos da época, como o Plymouth Barracuda. O ‘pony car’ também era classificado como ‘muscle car’, ou carro musculoso. O apelido veio das linhas vincadas e a pouca quantidade de cromados, algo impensado nos Estados Unidos da década de 1960.

A versão Grandè, como a testada, trazia acabamento caprichado e teto coberto de vinil, com direito a combinações de cores. No caso, o vermelho casou com o preto. O nome da configuração vinha tanto na coluna quanto no painel. Quem aparece bastante é o cavalo, símbolo do carro. Ele está na grade dianteira, no bocal da tampa de combustível e na forração das portas.

Pisando fundo no V8

Dirigir um Mustang é uma sensação inconfundível. O motor V8 fala alto assim que se gira a chave. A transmissão é automática de três marchas e basta pisar no acelerador para fazer as rodas traseiras girarem. Se não fizer com cautela, o eixo motriz destraciona com facilidade e é preciso ter braço para segurar.

Se ele acelera com vigor, parar não é tarefa simples. É preciso ‘montar’ sobre o pedal para segurar os 1.200 quilos do carro, que tem 4,6 metros de comprimento, 2,74 metros de entre eixos e 1,8 metro de largura. Atualmente, para segurar a cavalaria, a Ford já incorporou sistemas eletrônicos de retenção, como freios ABS, distribuição eletrônica de frenagem e controle de estabilidade.

De dentro dele, se vê todo o capô; toda a dianteira sobe nas aceleradas mais fortes. O volante tem aro fino e diâmetro enorme. Em falar nos aros, a buzina está em um botão por dentro dele. É preciso cuidado para não acioná-la nas manobras.

Por dentro do pônei

O interior do Ford Mustang Grandè 1968 é luxuoso. Os bancos são forrados por imitação de couro e são confortáveis. O painel, coberto por adesivos que imitam madeira, tem voltímetro à esquerda, velocímetro com hodômetro total, nível do combustível e da temperatura do motor e à direita, a pressão do óleo. Para o passageiro, um grande relógio está à frente. No console estão o rádio AM e os controles do ar-condicionado. Todos com o adesivo ‘de madeira’.

Um modelo coupé como este era vendido nos Estados Unidos em 1968 por US$ 2.602. Hoje, para quem quiser levar este exemplar de 40 anos para casa, terá que desembolsar cerca de US$ 50.000. O mito não tem preço.

O Mustang hoje

O Ford Mustang existe até hoje. Depois de passar os anos 1970 perdendo vendas por causa de remodelações controversas, perdeu de vez a identidade ao longo da década de 1980, com visual que não agradava aos fãs do carro. Ele chegou a ser importado oficialmente pela Ford em 1994, mas ainda sem o devido sucesso. Apenas em 2004, quando a Ford adotou um visual retrô, que lembrava a primeira geração do modelo, é que o Mustang voltou a ser um puro sangue para alegria dos entusiastas.

Veículo cedido pela Gasparts para avaliação


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