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Ensaio de orquestra

23/07/2008 - Igor Thomaz / Fotos: João Mantovani

Fonte: iCarros

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Derivado da versão italiana Grande Punto Abarth, o Punto Turbo chegará às lojas no segundo semestre com motor de 155 cv, sempre na configuração quatro portas. Como um ensaio de orquestra para o grande concerto, a Fiat levou quatro protótipos do Punto Turbo para o autódromo José Carlos Pace, chamou alguns jornalistas e liberou a pista.

Divertido? Muito, é claro. Mas ao ver o carro pela primeira vez não acreditei muito na receita de esportividade aplicada à versão montada em Betim. A carroceria é a mesma do 1.8 Sporting com o kit aerodinâmico opcional da versão e rodas de 17 polegadas com pneus 205/50 tiradas do Stilo. Pensei no carro italiano, um duas portas com carroceria rebaixada, pára-choque de formato diferenciado e pinças Brembo, entre outros atrativos. A solução brasileira me pareceu uma adaptação. Mas...

Painel do Linea

Mas basta acionar a ignição para sentir que o 1.4 deste Punto pulsa mais forte. O quatro cilindros 16V, duplo comando e turbo Garrett IHI é importado da Itália junto com a transmissão de cinco marchas. O pacote também inclui o módulo de instrumentos do Linea, com fundo branco, escala de velocímetro até 220 km/h e, o mais importante, eletrônica que fala a mesma língua do motor. Outra modificação bem-vinda foi a adoção de freios a disco também nas rodas traseiras. As molas e amortecedores são originais do Punto, mas com acerto menos suave.

Pode não ser a solução ideal. Mas ficou mais barato que um Abarth italiano importado. E o resultado não decepcionou. De saída, o motor nem parece um 1.4 16V. Funciona redondo e, a partir dos 3.000 giros responde com precisão apesar de o pico de torque (21 mkgf) ocorrer a 5.000 rpm. O turbo é bastante progressivo, não entra aos trancos e isso significa que o carro será agradável no amarrado trânsito urbano. Na entrada do retão, em terceira marcha, o ponteiro do velocímetro belisca os 100 km/h e percebe-se que há muita reserva de fôlego.

O que poderia ser melhorado é a transmissão. O curso da alavanca é longo e os engates não são firmes. Na Europa, a versão é equipada com câmbio manual de seis marchas e escalonamento mais curto que a de cinco, mas parece que esta solução está descartada para o Punto Turbo nacional. Outra solução da qual a Fiat abriu mão por causa dos custos é o dispositivo chamado sport boost, sistema eletrônico acionado por meio de uma tecla no painel que refina o trabalho da turbina e faz o torque passar de 21 mkgf a 5.000 rpm para 23,4 mkgf a 3.000 rpm. Isso melhora muito as respostas do carro e, obviamente, o prazer ao dirigir. O dispositivo também muda eletronicamente a resposta do volante e o curso de pedal do acelerador: o Abarth vira outro carro com essa preparação eletrônica instantânea. Além do Grande Punto de 155 cv, há outra opção, a Abarth SS, de 180 cv, que, segundo a fábrica, chega aos 215 km/h e leva 7,7 segundos no 0 a 100 km/h.

No trecho sinuoso do circuito, só tivemos elogio para a suspensão e para a direção do Punto Turbo. A carroceria apoiada por molas mais firmes e pneus mais largos mantém-se estável, embora com tendência mais acentuada de escapadas de frente. O volante, como é tradição nos esportivos da marca, oferece excelente pega – e se constitui em complemento importante do preciso sistema de direção. Os freios ganharam muito em eficiência com os discos extras e com o auxílio do ABS.

Três voltas pelo circuito foram suficientes para concluir que o Punto 1.4 16V Turbo pode ser uma boa alternativa aos esportivos maquiados. Obviamente, a Fiat nega que o carro será fabricado: a marca afirma que os protótipos levados a Interlagos são apenas 'estudos de mercado'. O certo é que o carro será montado em Betim e será vendido como Fiat, não como Abarth. Também é certo que, com alguns pequenos ajustes, o esportivo reúne todas as condições de resgatar a tradição da marca em oferecer diversão turbinada.


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