Assim que vi o Passat CC ao vivo e em cores na estréia mundial do modelo, em Munique, na Alemanha, não tive como evitar a comparação: estava diante de um Mercedes-Benz CLS sem a estrela na grade. Quem for ao Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, palco de estréia do carro no Brasil, terá a mesma impressão.
O CC nada mais é que um sedã transformado em cupê de quatro portas, algo que a Mercedes já havia executado com o CLS há três anos. O conceito é o mesmo: um carro executivo com teto rebaixado que mescla o conforto de um sedã com a esportividade de um cupê. Ou, vamos dizer, um sedã criado para o patrão dirigir. A idéia não é nova, tampouco exclusividade da Mercedes: na década de 50, tuneiros americanos já rebaixavam os tetos de seus Plymouth para melhorar a aerodinâmica e o desempenho.
Hoje, a meta é outra, como confirma um dos homens de marketing da Volkswagen alemã, Holger Frenzel: criar uma aparência jovem e sedutora. Com este carro, a marca de Wolfsburg quer atrair freqüentadores do showroom de Mercedes, Alfa Romeo e da BMW, que prepara ainda para este ano o lançamento do CS, outro sedã-cupê. Não por acaso, o cenário de apresentação do Passat CC foi a cidade de Munique, quintal da BMW. Poderia ter sido em Stuttgart, sede da Mercedes-Benz.
Melhor que chope
CC significa confort coupé. E representa um Passat 5 centímetros mais baixo, 3,1 centímetros mais comprido e 3,6 centímetros mais largo, em comparação ao carro que serviu de base, o Passat sedã. As medidas deixam claro que são dois carros distintos.
Digamos assim: enquanto o sedã atenderá a um público mais conservador, o CC chamará atenção do jovem bem sucedido que pode desembolsar 30 mil euros por uma novidade. Este é o preço da versão mais barata. Um Mercedes CLS do mesmo nível custa 25 mil euros a mais – e isso é uma diferença significativa em qualquer lugar do mundo. Por 40.800 euros dá para estacionar um CC completo, com motor V6, na garagem. Com impostos, lucro do revendedor e outras taxas, o valor é equivalente a R$ 200 mil, preço estimado para a versão no Brasil. Aqui, o CLS custa R$ 310 mil.
O CC foi lançado com cinco tipos de motores comuns à família Passat, incluindo os quatro cilindros, os motores a diesel e a topo, com um V6 de 300 cv. Foi nesta versão que nos concentramos: é a mesma que será trazida ao Brasil até o fim do ano. A configuração mecânica é parecida com a do Passat vendido por aqui – câmbio DSG de seis velocidades com embreagem dupla e tração integral. Mas com 50 cv a mais no motor e um acerto de chassi diferenciado, o CC é capaz de atiçar o lado irracional de qualquer cidadão.
Ele tem suspensão adaptativa, que ajusta a firmeza dos amortecedores de acordo com o tipo de terreno. Ou que pode ser selecionada por um botão entre os modos conforto e esporte. A alteração é nítida, até o carona ao lado sente. No modo mais suave, o CC absorve bem as irregularidades do terreno, mesmo com as enormes rodas de 17 polegadas e os pneus 235/45. Já na regulagem esportiva, até as pedrinhas no asfalto podem ser sentidas no volante.
Em poucas palavras, o prazer ao dirigir o CC é maior que o de matar um chope bávaro em uma tarde de primavera. A cerveja é ótima, sim, mas o Volks é primoroso. A direção tem assistência elétrica e conta com um curioso recurso de segurança, chamado Lane Assist, algo que pode ser reduzido como 'assistência de faixa de rolamento'. Acionado, uma câmera monitora a posição da carroceria nas faixas; se o carro desviar sem usar a seta, o motor elétrico faz um leve esforço na direção oposta para recolocar o veículo no rumo. O Citroën C4 europeu tem recurso parecido: quando o carro sai da linha, o banco do motorista vibra. A experiência sensorial do CC me pareceu mais adequada.
A arquitetura interna do CC segue o mesmo padrão adotado no sedã. Ou quase isso: por causa da acentuada curvatura do segmento traseiro do teto, o espaço central do banco traseiro (que eventualmente poderia acomodar um quinto passageiro) foi eliminado. Nada que desestimule a compra, mesmo porque a maioria dos sedãs só leva quatro passageiros com o devido conforto.
Fora isso, o desenho do CC é um espetáculo: perto dele, o Passat parece um carro muito comportado. Os quase 4 centímetros extras na largura refletiram no formato da grade, igualmente mais larga e com a estilização do VW da marca mais acentuada. O perfil é de um atleta e a traseira ganhou harmonia com as linhas do teto e do porta-malas encurtadas. As lanternas são exclusivas. E, para amenizar possíveis dificuldades nas manobras, o CC ganhou um opcional inédito nos automóveis da marca – uma câmera na traseira que filma a periferia da carroceria e indica, por meio de traços coloridos no monitor do painel, o melhor ângulo de esterço do volante. Recurso parecido ao do Audi Q7.
Viagem feita a convite da Volkswagen
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