Uma festa para 10 mil pessoas com a presença de Luciano Huck, Samuel Rosa, vocalista do Skank e da cantora baiana Ivete Sangalo. Nada disso ficou barato e mostra a importância que tem o lançamento do novo Gol para a Volkswagen. Não é para menos. O carro é o modelo mais vendido do Brasil há 21 anos, mas seu estilo e mecânica defasados já estavam deixando a desejar. O jeito de deixar o campeão de vendas pronto para manter a liderança absoluta do mercado foi investir R$ 1,2 bilhão em uma nova geração.
E, pela primeira vez na história do modelo, ele ganhou uma nova plataforma. É a PQ24, usada no Fox e no Polo. Deste último herdou a excelente dirigibilidade e a posição de dirigir e o motor VHT 1.6. Do Fox (e do Gol quarta geração) ganhou o 1.0. Melhor do que todos eles é a suspensão dianteira e a barra de direção, que vieram do Seat Ibiza, que utiliza a PQ25, plataforma que ainda será usada na próxima geração do Polo na Europa.
No visual, o novo Gol pouco lembra os outros modelos da Volkswagen. A frente é limpa e não tem a grade em ‘V’. Os faróis são afilados e invadem os pára-lamas. O capô faz uma linha em toda a frente e cria um efeito que divide opiniões. As laterais também exibem um design limpo, com exceção de um vinco que corre todo o carro acima das maçanetas. Estas, por sua vez, ficaram baixas até demais.
A traseira talvez seja o ponto alto do desenho do carro. A tampa do porta-malas tem um vinco na parte superior que os mais inspirados podem dizer que parece com o BMW Série 1. As lanternas são retangulares e acendem como dois aros. O refletor faz um ‘buraco’ na luz. O efeito agrada.
Por dentro, bom acabamento
Levando em conta que se trata de um carro popular, o novo Gol tem um bom acabamento. Há excesso de plástico, mas ele é de boa qualidade e tem bons encaixes. Segundo a Volkswagen, o padrão utilizado para a montagem é o mesmo do Golf fabricado na Europa. O console tem uma pintura cinza, que não agradou pela qualidade. O que é nitidamente caprichada é a tinta prateada usada nas maçanetas internas e aros dos difusores. De novo de acordo com a fábrica, é a mesma utilizada no superesportivo Audi R8. Olhando para a peça dá para acreditar que eles estejam falando a verdade.
O painel agora tem um mostrador grande no lugar do pequeno herdado do Fox. As versões mais caras têm conta-giros. O termômetro do motor está lá em todos os modelos. Como opcional, um completo computador de bordo pode ficar entre os mostradores. É o i-system, que surgiu no Polo 2009 e foi agora estendido para o irmão mais novo. Ter o sistema custa R$ 590 a mais no 1.0 e R$ 615 no 1.6.
Opcionais também são os revestimentos com tecido nas portas. Eles são bons, assim como os dos bancos. Nada excepcional, mas lembrando que estamos em um popular. Os assentos seguram bem o corpo do motorista em curvas, mas são um tanto quanto duros como em todo Volkswagen que se preze. O do motorista tem regulagem de altura de série em todas as versões.
O espaço para as pernas é adequado tanto na frente como atrás, embora o banco traseiro não seja um primor nesse quesito. Quem quiser espaço pode escolher pelo Fox no mesmo show-room. O porta-malas mantém a capacidade de 285 litros da geração anterior.
Motor 1.0 é bom na cidade
Em seu posto, o motorista pode dar a ignição com a chave canivete opcional. O câmbio também veio do Polo e é uma referência. Os engates são fáceis e o escalonamento é adequado para o motor. A versão de entrada vem com um de 1,0 litro que gera 72 cv com gasolina e 76 cv com álcool a 5.250 rpm. O torque surge a 3.850 rpm com 9,7 kgfm (g) e 10,6 kgfm (a).
A posição de dirigir em nada lembra o Gol anterior. O volante agora está alinhado, assim como os pedais. O desempenho não arranca suspiros, mas satisfaz quem quer um carro ágil no trânsito urbano e até - por que não? - econômico. De acordo com os números da fábrica, o Gol 1.0 faz 9,6 km/l com álcool na cidade e 12,6 km/l na estrada. O 1.6, que rende 101 cv (g) e 104 cv (a), porém, não fica longe disso, com 8,8 km/l e 12,4 km/l respectivamente.
Em rodovia, o propulsor de 1,0 litro não faz feio em velocidade de cruzeiro. A 120 km/h, ele está a 4.000 rpm, mas pouco se ouve de dentro da cabine do veículo. Mas se o motorista precisar fazer ultrapassagens vai ter de trocar de marcha com freqüência para dar fôlego ao carro. A retomada de 80 a 120 km/h em quinta marcha demora 16,3 segundos na melhor das hipóteses. O 1.6 faz em 12,5 s.
Preço não muda em relação ao antigo
Projeto e desenho modernos e bom acabamento merece um bom preço, mas não é isso o que acontece. Pelo menos na tabela sugerida pela Volkswagen para o novo Gol. Se na concessionária o comprador conseguir um 1.0 básico por R$ 28.890, pode jogar na loteria. E o básico significa que ele vem apenas com relógio digital, regulagem de altura do cinto de segurança e do banco do motorista. O resto é tudo opcional. Com o pacote Trend, que inclui faróis de dupla parábola, chave canivete, retrovisor preto, conta-giros e portas revestidas de tecido, o valor sobe para R$ 29.825.
O 1.6 começa em R$ 32.290 básico. Com o mesmo pacote Trend do 1.0, passa para R$ 33.235. O topo de linha é o Power 1.6, que custa R$ 36.420. Ele vem com faróis de neblina, lanternas escurecidas e detalhes cromados e direção hidráulica, mas vem sem ar-condicionado. Os opcionais podem ser adquiridos em pacotes em todas as versões. A ausência do climatizador, mesmo no Gol mais caro, é explicado pela Volkswagen com a falta de interesse dos compradores. Segundo a montadora, 70% dos compradores pedem o equipamento, o que não justifica incluir o item de série.
Na lista de itens que podem ser pedidos na hora da compra, o Gol teve um ganho em segurança. Airbags duplos e freios ABS voltaram à lista de opcionais, mas os preços não ajudam na escolha. Só as bolsas custam R$ 2.195. Os freios antitravamento saem por mais R$ 2.955. É muito se pensar que na compra de um Palio, os dois itens podem vir juntos por R$ 2.956. Dentro da própria Volkswagen há exemplo de como fazer isso. O pacote com os dois equipamentos sai por R$ 2.855 para o Polo.
Gol é mais um na disputa interna
O lançamento do novo Gol gerou um problema para a Volkswagen. No mesmo segmento agora tem o Gol antigo, que permanece em linha na versão de duas portas com motor 1.0 por R$ 27.120, o novo modelo, o Fox, que 1.0 de duas portas começa em R$ 31.020 (R$ 32.895 com quatro portas), e o Polo, que parte de R$ 42.900.
O modelo antigo ainda faz sucesso entre frotistas, que devem manter o modelo. O Fox tem mais espaço, mas perde no acabamento e na dirigibilidade, além de ser mais caro. O Polo está em um segmento acima e não deve sofrer com a chegada do novo Gol. Sendo assim, a maior vítima será mesmo a raposa.
Prevendo isso, a Volkswagen já prepara uma recolocação para o modelo, que deve passar inclusive por uma profunda remodelação e também deve perder as versões 1.0 e de duas portas. A utilização do 1.4 da Kombi deve ser cogitada. E não é só o Fox sofre com isso. O Gol agradou justamente por lembrar o irmão maior, o Polo. Ele tem a excelente dirigibilidade, um acabamento acima da concorrência e um preço competitivo. É bom a concorrência também se mexer.
Teste drive feito a convite da Volkswagen
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