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Colunistas - Mário Valiati

Mário Valiati

Mario Valiati é graduado em design de produtos pela faculdade UniverCidade e mestre em design, com ênfase em ergonomia pela PUC-RJ. Diferentemente dos consumidores comuns e apaixonados por carros, avalia os veículos sob outros ângulos.

Cores...

26/03/2009 - Mário Valiati

Fonte: iCarros

'A cor é o toque, o olho, o martelo que faz vibrar a alma, o instrumento de mil cordas'. A frase é do célebre pintor Wassily Kandisky (1896-1944), que sabia bem o valor que as cores tinham em seus quadros.

O que seria o mundo sem cor? Nossos olhos são a porta de entrada para um mundo colorido e alegre. As cores nos transmitem sensações, nos deixam mais calmos ou agitados, alegres ou depressivos, transmitem calor ou frio e estimulam até o apetite!

As cores têm efeito fisiológico sobre nós, as ondas produzidas por elas entram por nossos olhos e sensibilizam nosso cérebro a reagir com sensações diferentes no sistema nervoso. Isso causa modificações em nossas funções orgânicas, sensoriais, emocionais e afetivas. Dessa forma, tudo que está em nossa volta nos influencia com suas cores. Nossa casa, nossas roupas, nossos objetos...

Dentro de nossa casa, as cores escuras fazem o ambiente “encolher”, ao passo que cores mais claras aumentam a sensação de espaço. Quando o teto é muito alto, o recurso mais usado é pintá-lo de cor escura ou mesmo preta, que diminui a sensação de altura e faz o ambiente ficar mais aconchegante.

A cor que enxergamos é propagada por ondas eletromagnéticas que compõem a luz, cada uma destas cores tem um comprimento de onda (distância entre a crista de uma onda e outra). Sendo assim, a luz solar, que usamos como padrão para reconhecimento de tons de cor e também chamada de luz branca, contém todos os comprimentos de onda.
O que nós percebemos como cor sãos os comprimentos de onda que são refletidos pelos objetos. Trocando em miúdos: a cor que enxergamos é resultado da reflexão da luz branca sobre os objetos.

Cada um reflete a luz de uma maneira, absorvendo uma parte das outras cores e refletindo outras. Quando um objeto parece vermelho, na verdade, ele absorve todos os outros comprimentos de onda e reflete somente o comprimento de onda do vermelho. Sobre a maneira que nós enxergamos a cor, há algumas curiosidades: nossos olhos possuem dois tipos de células fotossensíveis, que são os cones e os bastonetes.

Os cones ficam localizados bem no fundo da retina, chamado de fóvea central, e efetivamente são os responsáveis pela percepção de cores e da acuidade visual, que é a capacidade de discriminar pequenos objetos. Infelizmente, os cones só conseguem ter esta percepção com bastante luz ambiente.

Já os bastonetes ficam ao redor dos cones e são responsáveis pela visão noturna e pela visão periférica. Detalhe: os bastonetes não percebem as cores, só diferenciam claro e escuro, ou seja, preto e branco.

Quando escurece, nossa visão de cores percebida pelos cones vai gradualmente perdendo esta sensibilidade e, quando ficamos em ambiente bem escuro, o reconhecimento de cores é bem difícil.
Outro detalhe interessante é que, como a sensibilidade no escuro é percebida somente pelos bastonetes, nossa acuidade visual fica prejudicada, já que olhando diretamente para os objetos, nossos cones não vão enxergá-los claramente. Uma consequência disso é que, se quisermos enxergar algum objeto, conseguiremos olhando um pouco para o lado, onde, efetivamente, os bastonetes conseguem captar a pouca luz.

Bom, deixando o lado fisiológico e científico de lado, e voltando ao mundo dos carros. Um assunto que se conversa muito em listas automotivas é a falta de variedade de cores em nossos carros.

Atualmente, se tirarmos uma foto somente dos carros contra o asfalto, não saberemos se a foto é em cores ou preta e branca! A maioria esmagadora dos carros vendidos é prata, branco ou preto, não há mais aquele leque de cores disponíveis antigamente.

Os leitores mais vividos lembram que na década de 70 havia uma disponibilidade de cores que chegariam a ser classificadas de exóticas hoje em dia, como o escandaloso Amarelo Safari e o suave mas decidido Azul Niágara, ambos da VW.

Parece que o colorido nos carros ficou relegado somente aos ditos esportivos, como vermelho, azul, amarelo. O que dizer do interior dos carros, então? Antigamente, havia carros com tons de creme, branco, cinza claro e outras. Hoje em dia são muito raros e praticamente reservados aos carros mais caros. Os populares praticamente são disponíveis só com acabamento preto e em tons de cinza escuro.

As explicações para a escolha de preto, branco e prata no exterior é creditada ao mercado. Especialistas dizem que carros coloridos são mais difíceis de vender e valem menos. No interior, o preto é aclamado como a cor perfeita para esconder as sujeiras do dia a dia. Bom, com explicações lógicas ou não, o ser humano não é feliz sem cor. Um mundo monocromático é sem graça e triste.

Mário escreve às quintas


 

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