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Colunistas - Mário Valiati

Mário Valiati

Mario Valiati é graduado em design de produtos pela faculdade UniverCidade e mestre em design, com ênfase em ergonomia pela PUC-RJ. Diferentemente dos consumidores comuns e apaixonados por carros, avalia os veículos sob outros ângulos.

Feiúra tem limite!

27/11/2008 - Mário Valiati

Fonte: iCarros

O comentário atual que mais rola pelas listas e sites automotivos que deixou a todos perplexos foi a divulgação das primeiras imagens do que poderá vir a ser (e lamentavelmente deverá ser) o carro de F1 do próximo ano. A BMW divulgou fotos da proposta para seu monoposto baseado nas novas regras, que impõem uma série de limitantes aos elementos aerodinâmicos. Embora eu sempre saliente que beleza é algo subjetivo, acho que pela primeira vez, a opinião unânime é a de que o veículo ficou muito feio!

Não sabemos se a aparência dos próximos carros realmente será assim ou ainda se são os primeiros estudos. Acho difícil alguma modificação profunda visto que os carros parecem já estar operantes e em plena fase de desenvolvimento.

Talvez a Fórmula 1 dos dias atuais seja o melhor exemplo de design funcional, tal qual a Bauhaus ditou no passado. Não há uma só parte nestes carros que esteja lá por acaso, tudo é literalmente moldado pelo vento; cada pedacinho da carenagem ou apêndice aerodinâmico é cuidadosamente feito para produzir mais pressão e manter o carro colado na pista. Não há espaço para styling.

Até acho que os comandantes dos times gostariam de fazer algo mais agradável aos olhos do público que assiste nos autódromos e na TV, mas o medo de perder um milésimo de segundo para o concorrente afasta rapidinho esta idéia.

Embora eu seja um defensor árduo do design funcional, também defendo que uma bela estética nos faz mais felizes. Afinal, design existe para tornar melhor a vida do ser humano. Quando o talento de um designer consegue fazer o funcional se tornar belo, eu sou o primeiro a aplaudir.

Se, por um lado, a F1 parece estar se tornando o patinho feio do mundo automobilístico, na classe turismo, a coisa anda um pouco diferente.

Como um consolo ao mau gosto dos monopostos da F1, a Mazda, em dezembro de 2007, lançou o Furai (que significa som do vento, em japonês), um conceito do que deverá vir a ser seu carro para tentar tomar de volta a vitória em LeMans, obtida em 91 com o 787B, quando, pela primeira vez, um carro com motor rotativo Wankel venceu a famosa corrida de 24 horas de duração.

Apesar de a estética ser um elemento proibitivo neste mundo automotivo, o chefe de design da Mazda americana na época, Franz Von Holzhausen, formado pela conceituada Art Center College (Califórnia), comandou sua equipe para projetar um dos mais belos carros de competição já vistos.

Segundo Franz, além de a aparência do carro ser bela, os elementos em forma de folhagem que compõem o desenho em volta e abaixo dos faróis tem a função de down force (força descendente, pressiona o carro contra o solo) e, ainda por cima, guiam o fluxo de ar para refrigeração de freios. O mesmo vale para as barbatanas que compõem a bela lateral do carro. Ou seja, é um design funcional.

Aliás, Franz saiu da Mazda e atualmente é responsável pelo design da Tesla Motors, fabricante americano de carros elétricos da nova geração. Anteriormente, ele trabalhou na GM e foi responsável pelo design dos Saturn Solstice e Sky. Trabalhou ainda sob o comando de J Mays na VW auxiliando no projeto do New Bettle.

Mário escreve às quintas


 

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