O leitor já reparou que sempre que menciono alguma inovação em design sempre acabo dando como exemplo de design o Fiat Uno, criação do versátil Giorgio Giugiaro, um dos mais bem sucedidos designers de carros. Certo, o Uno foi criado em volta dos ocupantes, privilegiando o conforto dos passageiros como ponto de partida para o projeto, que tinha como alvo o nicho dos veículos populares.
Mas um carrinho em especial rompeu conceitos antes dele. Bem antes, mais exatamente em 1959, 24 anos antes do Uno ter nascido, a BMC – Britsh Motor Corporation, lançava o Mini, carrinho que mudou conceitos de construção com algumas características bem arrojadas para a época. Seu projetista não foi um designer, mas sim um engenheiro, Alexander Arnold Constantine Issigonis ou, simplesmente, Alex Issigonis.
Alex era um engenheiro que gostava mais de desenhar do que calcular, projetou o Mini em 1957, época em que uma crise de petróleo causada por problemas políticos no Canal de Suez proporcionou o lançamento de um carro que oferecesse economia, espaço e conforto para os passageiros.
Alex tinha como restrição projetar um carro com estas características num comprimento de apenas 3 metros. Para isto postou o motor e caixa de câmbio em posição transversal na frente e posicionou as diminutas rodas nas extremidades do carro, deixando a parte central com um espaço excepcional para os ocupantes, embora não fosse tão confortável assim. De quebra, a grande área envidraçada proporcionava grande visibilidade para os ocupantes em todas as direções.
Assim como todos os carros que rompem conceitos, o Mini nunca foi um sucesso estrondoso de vendas, mas é um retrato do que uma mente criativa pode fazer quando é posta à prova e pressão.
O mini original se despediu da linha de produção em 2000, completando 41 anos de produção. Um verdadeiro banho de design, ainda que seu criador não tenha sido um designer!
Para não deixar morrer o mito, a BMW, proprietária atual da marca, criou um substituto contemporâneo do Mini. Elaborou um redesenho e, com maestria, conseguiu manter a personalidade do Mini original. Mexeu o menos possível, mas dando um toque moderno.
Pena que o apelo popular que o carrinho original possuía tenha sido sepultado em 2000, o modelo novo é um carro destinado a um publico seleto.
Transformou-se em um veículo esportivo, com motor de 1,6l de 120 cv, bem diferente do propulsor de 999 cm³ do modelo original, e ganhou acabamento sofisticado.
Voltando ao Fiat Uno, atualmente chamado de Mille, uma de suas características iniciais se mantém, ao contrário do Mini: continua sendo um carro cada vez mais barato para permanecer popular e manter vivo o objetivo do bom design, que é ser útil e não ser apenas um objeto de curiosidade tecnológica.
Mário escreve às quintas