Além das grandes fábricas de carros que todos conhecem, há centenas de pequenos fabricantes espalhados mundo afora que buscam primeiro realizar um sonho pessoal, depois vender sonho para um comprador com um bocado de dinheiro para gastar.
Dentre esta centena, dois fabricantes se destacam mais pela excentricidade que pelos conceitos certinhos de design: Sbarro e Rinspeed. Ambos, além de criar carros especiais, são incansáveis pesquisadores de novos inventos e conceitos sobre rodas, diferentemente dos fabricantes comuns.
O italiano Francesco Zefferino Sbarro, mais conhecido como Franco Sbarro é especialista em criações curiosas. Apaixonado por mecânica e tudo que era relacionado a carros, começou seu negócio em 1959 restaurando carros e criando réplicas de veículos famosos, como quase todos os pequenos fabricantes começam. Criou alguns veículos diferentes sobre plataformas de carros existentes e continua produzindo desta maneira até hoje.
Em 1992, criou uma própria escola de desenho automobilístico, a Espace Sbarro, que tem inclusive uma filial em Casablanca, no Marrocos. Entre um carro e outro, inventa conceitos diferentes, com carros que, ao invés de abrir o capô para se acessar o motor, dobram-se ao meio, separando motor e carroceria para melhor acessar toda a mecânica. Ele fez isto com um Golf, equipado com um motor seis cilindros da Porsche, e com o Chrono, um veículo equipado com motor BMW de 500 cv.
Invento mais curioso criado por ele foi a roda sem cubo, chamada de “Roda Mágica”. Ele criou uma dezena de motos e carros equipados com este curioso tipo de roda que, no centro, era totalmente vazada, sem cubo central. O invento se baseava em rolamentos que ficavam ocultos dentro do aro duplo da roda, onde se fixavam todos os componentes da suspensão.
Já Frank M. Rinderknecht, criador da Rinspeed, começou em 1977 como vendedor de tetos solares para carros, e em 1979 já apresentava seu conceito de carro sobre um VW Golf Turbo.
Rinderknecht ficou fascinado pelo filme de James Bond que tinha uma Lotus Esprit que possuía a capacidade de andar debaixo d´água. Tanto que acabou criando seu próprio carro “submarino”, baseado também em um Lotus, só que usando modelo Elise como ponto de partida, chamado de Scuba.
Criou um outro modelo curioso, o Advantige R One, um curioso carro esporte, que possui uma espécie de cápsula onde o piloto fica acomodado, que alterava a posição de guiar, baixando ou elevando a sua altura conforme se alterava a velocidade. Além disso, também inclinava a “cápsula” de acordo com as curvas, conforme se pilota uma moto.
Mas o veículo mais curioso que fez – e ainda faz – muito sucesso foi o Splash, um carro esporte anfíbio. Claro, existem muitos veículos anfíbios, mas, neste caso, o Splash bateu o recorde de velocidade sobre água, atingindo impressionantes 80km/h. Para isso, ele usa hidrofólios, que, engenhosamente, são aerofólios quando o carro anda sobre o asfalto. Os apetrechos giram para baixo quando o veículo navega sobre as águas.
Bem, os dois fabricantes são criadores compulsivos, embora o propósito de suas obras nem sempre sejam aplicáveis em larga escala. Ambos buscam a superação técnica.
Agora, se suas criações são tão bem feitas ergonomicamente, não faço ideia porque nunca cheguei perto de qualquer um deles. Também não creio que se preocupem muito com conceitos de design voltado para a indústria, acho que não é bem o negócio deles.
Beleza? Bem, como eu sempre falo, estética é algo meio subjetivo, nunca é unanimidade. O que vale no caso dos dois construtores é a capacidade de transformar ideias mirabolantes em dispositivos realmente funcionais.
Mário escreve às quintas