iCarros

Acesso ao meu iCarros

Cadastre-se

Esqueceu a senha?

Colunistas - Mário Valiati

Mário Valiati

Mario Valiati é graduado em design de produtos pela faculdade UniverCidade e mestre em design, com ênfase em ergonomia pela PUC-RJ. Diferentemente dos consumidores comuns e apaixonados por carros, avalia os veículos sob outros ângulos.

Quando a emoção fala mais alto

16/04/2009 - Mário Valiati

Fonte: iCarros

É inevitável que eu volte sempre a tocar em certos assuntos quando se fala em design, não há como ser diferente. Na primeira coluna que escrevi neste site, comentei sobre certos conceitos do design, como a sua natureza racional, objetiva. É certo, e todos que leem esta coluna, já sabem que o primordial para o designer é sempre pensar na função do produto primeiro e, depois, o que sobrar disso, é a estética. Mas, quando se trata de quem está do outro lado, o cliente que vai comprar o carro, os objetivos são um pouco diferentes.

Todos nós – embora eu seja designer, também sou consumidor e me incluo na questão - temos um conflito interno nos atormentando: enquanto o lado racional nos orienta pensar sempre no que é correto sob ponto de vista técnico, o outro lado, o emocional, nos empurra escolher o que mais impressionar nossos vizinhos e nossos olhos.

Todo bom motorista sabe que mesmo o mais fraco dos carros anda e nos leva para o destino. Alguns levam mais rapidamente, outros de forma mais “calma”. Mas todos chegam. Todos nos acomodam com relativo conforto e levam um razoável volume de bagagem. Portanto, de maneira geral – quando se trata de veículos para uso diário com um só motorista – qualquer coisa serviria para cumprir a tarefa. Descartamos desta lista, evidentemente, os veículos de entrega e comerciais em geral.

Mas, como tudo em nossa vida, o carro não tem só a função racional e utilitária. Ele é nosso cartão de visitas perante à sociedade, juntamente com todos os outros objetos de exibição social, como casa, relógio, telefone celular, roupas etc. Quanto mais caros e sofisticados, mais mostram como subimos na vida. E, muitas vezes, mesmo quem não esteja lá no topo gosta de exibir este tipo de objeto como trunfo para causar boa impressão.

Sabendo desta fraqueza humana, as montadoras desde sempre souberam como acertar o coração dos seus clientes. Desde os primórdios do automóvel os fabricantes compreenderam que tinham de bolar algum diferencial para chamar a atenção. Um desenho diferente, motor mais potente, acessórios etc., tudo sempre foi motivo para tentar conquistar o coração do consumidor.
Inclusive, notaram que fazendo uma modificação anual no desenho de seus modelos as vendas sempre se mantinham em alta e renovava a frota. Afinal, quem iria querer ficar com modelo que não era mais fabricado? Não tenho certeza mas, pelo que me lembro, quem começou com a modificação anual de desenho foi a GM.

A adoção dos enfeites sem utilidade – blasfemados pela Bauhaus – sempre foi um dos ganchos para se conquistar o gosto do cliente. O styling sempre foi combatido por designers e escolas sérias. Os enfeites sem função só servem para chamar a atenção de nossos olhos e aumentar o preço, porque nada é de graça.

A época dos rabos de peixe já se foi, mas hoje em dia a maneira de fisgar o cliente mudou um pouco. A potência exacerbada, carros com motores superpotentes, muito além daquilo que um ser humano precisa – os supercarros -, são cada vez mais lançados e vendem. Como vendem!

Talvez um exemplo da inutilidade absoluta são as picapes que os americanos – e outros países, agora com o Brasil entrando nesta onda também - tanto amam. Nem é preciso fazer pesquisa para saber que a maioria esmagadora nunca viu uma carga sequer entrar em sua caçamba. Boa parte delas desfila com acessórios que não têm cabimento neste tipo de carro, como rodas gigantes, pneus de perfil baixo e suspensão rebaixada. O objetivo de quem compra uma picape somente para se exibir, sem utilidade prática, é dizer: “olhe como sou grande e maior que você, sou poderoso!”

Mas, é claro, o bom senso sempre prevalece. O bom projeto pode passar por várias décadas e modas diferentes e sobreviver com louvores. O bom design é eterno. O Porsche 911 que o diga. Ele é o exemplo de um design que sobrevive ao tempo – mesmo com uma troca de carroceria no meio do caminho - sem arranhões. O Citroën DS, como já mencionei em colunas anteriores, também é um exemplo e design sempre atual, embora não seja mais fabricado. E o Porsche não só é bem desenhado como atinge o coração do seu futuro dono com tudo que o seu lado emocional quer: imponência, potência, conforto e beleza de sobra.

Mário escreve às quintas


 

iCarros
Um site do Itaú

A iCarros Ltda e o presente site não realizam qualquer intermediação na negociação entre os usuários, seja com relação à compra, troca ou qualquer outro tipo de negociação. As vendas e entregas aos usuários e/ou terceiros de produtos anunciados no site são de inteira responsabilidade do anunciante. As informações veiculadas nos anúncios deste site são de inteira responsabilidade do anunciante, não podendo o usuário responsabilizar o site pela veracidade e/ou autenticidade das mesmas, nem pelos danos diretos ou indiretos causados a terceiros. O usuãrio reconhece como sendo de sua exclusiva responsabilidade os riscos assumidos nas negociações que vier a efetuar com outros usuários do site. Estoque e preços sujeitos a conferência e confirmação do anunciante.