Pois é. Li com uma certa tristeza a notícia que o “new” Beetle (novo Fusca) vai sair de cena. Nem parece, mas já se passaram 12 anos do seu lançamento. Simplesmente, o tempo congelou para ele. Não guarda traços de idade, poderia tranquilamente ficar em produção por mais uma década que ainda estaria atual.
Os motivos a fábrica deve saber lá quais são, provavelmente vendas abaixo do aceitável. Na verdade, ele nunca foi um carro destinado a ter uma “função”. Aliás, tinha uma função sim, que era divertir o dono e, certamente, um colírio para nossos olhos.
Seu criador não foi mais o Sr. Porsche, mas um jovem na época, Bryan Nesbitt, responsável também por outro “clássico novo” o Chrysler PT Cruiser. Hoje Bryan está à frente do departamento de Design da GM.
Interessante - deixando um pouco de lado minha bandeira da funcionalidade do design e falando um pouco só da estética pela estética – como alguns carros e objetos têm um design atemporal. Simplesmente, o tempo passa e se recusam a envelhecer.
Eu já havia comentado em uma de minhas colunas sobre como nós sabemos a época em que foi tirada uma foto vendo os carros que aparecem nela. A maioria segue uma tendência imediata e consumista, adotando adereços tipicamente da moda como, recentemente, o tuning. Movimentos que passam até que surja outra coisa para ocupar seu espaço.
Mas alguns carros parecem não fazem parte desta corrente. Seus criadores, em um momento de inspiração e muito talento, esboçam desenhos que, embora não sejam exatamente uma criação, possuem formas e detalhes que não se encaixam nos moldes da massa e acabam se eternizando.
Sempre falo da “receita de bolo” para a forma bela, mas a diferença entre o belo e o feio é uma linha muito tênue. Uma curva um pouco mais exagerada, uma frente mais comprida ou mais curta, ou mesmo uma roda maior ou menor, arruínam um conjunto. Os gênios são os que sabem equilibrar todos os volumes, detalhes e a dose certa de elementos.
Há algumas semanas, assisti um documentário sobre a coleção particular do estilista de modas Ralph Lauren. Confesso que eu não sabia que ele tinha uma coleção do porte que foi apresentada no programa.
Como um bom estilista, seu bom gosto para a moda de vestuário ajudou bastante a escolher a dedo cada um dos carros de sua lista:
- Ferraris: 250 GTO, 375, 250 Testa Rossa;
- Alfa Romeo 8C 2900;
- Jaguar XKD;
- Porsche 550 Spider;
- Mercedes SSK e Gull Wing, fora outros carros.
Da coleção, os que achei mais marcantes foram duas Bugatti: a 57 Gangloff e a 57 Atlantique. Esta última, particularmente, acho um dos mais belos objetos sobre rodas já desenhados.
Embora os carros da coleção do Ralph não tenham uma estética contemporânea, como o texto de hoje enfatiza, certamente merecem um lugar dos desenhos eternos pela obra de arte do seu desenho.
Além destes clássicos antigos, temos outros mais recentes, como o Porsche 911. Mesmo tendo sua carroceria trocada por um modelo mais recente, a fábrica, sabiamente, manteve a praticamente a mesma identidade, só fazendo uma plástica rejuvenescedora, tornado ele um dos designs eternos.
Há outros também, como o Citroën DS, já citado por mim há algum tempo e, recentemente, o superesportivo Lamborghini Countach. Este último, mesmo tendo sido criado no fim da década de 60, e já há tantos anos fora de linha, ainda parece ter saído de algum filme do futuro.
Enfim, vou me tornar repetitivo, mas é bom ver que o bom design - seja o design funcional ou mesmo o styling, aquele feito só para ser admirado – é praticamente eterno, não tem data, é sempre atual, belo, perfeito.
Mário escreve às quintas