Neste fim de ano, estive na praia, no litoral sul de São Paulo. Lá, me impressionei com a capacidade das pessoas de não se preocupar com quem está à sua volta. Sujeira na areia, no mar, nas ruas, em todo lugar. Achei que ninguém se importasse com a vida dos outros, dos frequentadores, dos moradores locais, mas ao pegar a estrada vi que estava redondamente enganado.
Enganado porque as pessoas não estão só nem aí com a vida dos outros, como também não estão nem aí para a própria sobrevivência. É um festival de barbaridades. Motoristas visivelmente embriagados, lentos demais, rápidos demais, se arriscando com carros fora de condições e cometendo as mais diversas infrações.
O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi uma das infrações mais perigosas que existem: a ultrapassagem proibida. Dá para contar dois casos para exemplificar. Primeiro foi um Volkswagen Gol de primeira geração que parecia fazer de propósito. Era só chegar à faixa contínua para entrar na contramão e se arriscar em uma ultrapassagem perigosíssima. Na segunda tentativa, quase bateu de frente com um Chevrolet Meriva que vinha no sentido contrário.
No segundo caso, quase fui a vítima, ao fazer uma curva e me deparar com um Toyota Hilux. Por pouco, o motorista conseguiu voltar, mas se isso não acontecesse, sabe-se lá o que haveria, já que meu carro é bem menor e mais leve do que a picape.
Tudo para ganhar cinco minutos na viagem. Impressiona não só o desprendimento das pessoas com a vida de terceiros, mas também com a própria. Por causa de alguns minutos, um motorista pode matar e morrer. Ainda bem que estou aqui, mas foi por pouco. Feliz 2010 para todos, então.
0 a 100 km/h
- Ainda falando sobre estradas, o governo paulista está com uma campanha dizendo que o Estado tem 10 das 10 melhores estradas do País. Eles devem estar falando somente das privatizadas. A Pe. Manoel da Nóbrega, administrada pelo governo, está em estado lastimável entre a BR-116 e o município de Peruíbe (SP).
- Nem em São Paulo vale mais a pena abastecer com etanol. O preço do litro já está na casa do R$ 1,75, enquanto é possível achar o litro de gasolina por R$ 2,35. A conta é simples, multiplicando o preço do combustível fóssil por 0,7. O resultado deve ser menor que o valor do álcool.
Fernando escreve às segundas