Em abril, fez oito anos que eu tirei minha primeira CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mas eu já sei dirigir há pelo menos 12 anos. Cheguei preparado à auto-escola para as primeiras aulas, mas foi aí, então, que eu percebi que saber guiar de nada valia. Já tinha criado ‘vícios’ que são motivos para eliminar um candidato à cobiçada carta de motorista.
Durante as aulas, o professor começou a me treinar para passar na prova. Isso consiste em andar em segunda marcha, sem passar dos 30 km/h, fazer baliza em uma vaga que cabe uma caminhonete cabine dupla e arrancar em uma rampa usando o freio de mão. Todo o processo é feito em um bairro sem trânsito, sem outros carros para atrapalhar, sem semáforos, sem lombadas, sem nada.
E vi que não só eu, mas todos passavam por aquele treinamento, mesmo os que não sabiam nem ligar um carro. Ou seja, ninguém aprende a efetivamente dirigir para tirar a CNH. É com esse preparo que os motoristas saem às ruas depois. É por isso que, cada vez mais, vejo motoristas perdidos na cidade e, pior, nas estradas.
Esses dias mesmo, uma mulher guiava pela faixa da esquerda de uma rodovia próxima à São Paulo. Ela estava lenta demais e outros motoristas a pressionavam para sair da frente. Dava pra ver que a moça ficou desesperada. Ao invés de livrar a pista, pisou no freio para procurar uma brecha e mudar de faixa. A falta de habilidade e conhecimento, somada à falta de paciência das outras pessoas, poderiam ter causado um acidente grave.
E outros exemplos não faltam, como motoristas que andam em duas faixas, devagar demais, rápido demais, demoram a arrancar em semáforos, deixam o carro morrer, não cuidam da manutenção, mudam de faixa sem sinalizar e nem olhar nos retrovisores, entre outras barbaridades.
È preciso que as autoridades acordem para o problema e invistam na formação de condutores. É necessário que, antes de pegar um carro, o motorista precise estar preparado na teoria e na prática. E quando falo em prática, insisto em trafegar por lugares com movimento, poder passar da segunda marcha e de 30 km/h, percorrer rodovias a 80, 90, 120 km/h. Depois de tudo, passar por uma avaliação rigorosa que reprove quem não saiba dirigir e não quem deixou de pagar a mais para passar na prova.
0 a 100 km/h
- Você está acompanhando o “A bordo”? Trata-se de um teste de longa duração feito por nós, do
iCarros, e que vai durar 100 dias. O primeiro modelo a passar pela experiência é o Peugeot 207 1.4. Se não viu,
veja.
- A respeito da última corrida, acho que o Barrichello fala demais. Ele, de novo, tem um companheiro de equipe mais rápido e que está se distanciando no campeonato. Nada mais natural que a equipe privilegiar quem está na frente para vencer o campeonato. É a tática do velho ditado ‘mais vale um na mão que dois voando’.
Fernando escreve às quartas