Quem acompanha o mercado de automóveis ao redor do mundo já deve ter percebido uma particularidade. Cada canto deste planeta tem um gosto diferente. Os mais velhos devem se lembrar que o público brasileiro, por exemplo, tinha uma familiaridade com os norteamericanos até a década de 70. Por isso mesmo que víamos com mais frequência os grandalhões como Ford Galaxie e Chevrolet Opala nas ruas.
Com o custo do combustível cada vez mais alto, aliado à nossa falta de poder de compra, começamos a preferir o estilo europeu. Foi quando o mercado de luxo passou a ganhar veículos tão confortáveis quanto os grandes, mas com uma forma mais compacta. Chegaram os médios Chevrolet Monza e Volkswagen Santana. O nosso último carro realmente grande nacional foi o Chevrolet Omega. Quem quiser um modelo deste porte, terá de partir para um importado, como Honda Accord, Toyota Camry, Volkswagen Passat e o próprio Omega, que vem da Austrália desde 1999.
Devemos reparar também que o gosto do público é cíclico. Tínhamos nos anos 1970 e 1980 uma estranha preferência por automóveis de duas portas. Quem comprava carro de quatro portas era chamado de taxista, não importando a cor da carroceria. Até peruas familiares, como a Chevrolet Caravan ou a Ford Belina só foram vendidas com entradas dianteiras.
Hoje em dia, esta configuração está restrita a carros populares e alguns ‘esportivos’ como o Fiat Palio 1.8R. Fora disso, o veículo é tachado como ‘mico’, por estar fora da preferência do mercado. E já que falei das peruas, houve um tempo em que as opções eram diversas. Além das duas citadas, ainda havia a Volkswagen Quantum, a Chevrolet Suprema e Marajó, Ford Royale e a Fiat Elba. Hoje em dia, apenas Volkswagen Parati e SpaceFox, Fiat Palio Weekend e Renault Mégane Grand Tour representam a categoria entre os modelos feitos aqui no Mercosul. Elas foram todas trocadas por minivans, que por sua vez, estão abrindo espaço para os utilitários esportivos.
Estamos indo justamente contra a tendência global. Os grandes SUVs estão caindo em vendas nos Estados Unidos e Europa, onde nunca fizeram um sucesso muito estrondoso. Por aqui, o segmento cresce e traz lançamentos a todo momento. Mas, com o tal do ‘mundo globalizado’, o mercado brasileiro ganhou uma boa diversidade. Hoje, podemos comprar carros sulcoreanos, japoneses, norteamericanos, mexicanos, italianos, franceses e alemães com mais facilidade. E agora, qual será a próxima moda? Eu aposto no subcompactos. Veremos nos próximos capítulos.
0 a 100 km/h
- Já está nas lojas o Hyundai i30. O nome e o estilo foram baseados no BMW Série 1 (130i, por exemplo). E isso acabou sendo evidenciado na propaganda, que compara o médio sulcoreano com o alemão e com a Mercedes-Benz. Pretensão?
- A propaganda segue a linha quando a marca lançou o Azera no Brasil, comparando o sedã com Mercedes-Benz Classe C e até BMW Série 7.
Fernando escreve às quartas