Frontier pega S-10 num duelo na cidade grande

Fora de seu habitat natural, como será que as picapes da Nissan e da Chevrolet encaram um desafio, digamos, mais urbano?

18/11/2013 - Texto e Fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

 
 
Já dando sinais da idade, visual da Frontier acabou ajudando a picape em ambiente urbano
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  • Já dando sinais da idade, visual da Frontier acabou ajudando a picape em ambiente urbano
  • Já dando sinais da idade, visual da Frontier acabou ajudando a picape em ambiente urbano S-10, porém vai chamar mais a atenção Na versão SL 4x4, Frontier custa R$ 128.990 S-10 LTZ 4x4 custa R$ 135.990 Nissan não oferece sensor de estacionamento traseiro, mas tem câmera de ré O oposto ocorre na S-10 Mais curta, Frontier tem maior entreeixos Porém, S-10 e a rival têm as mesmas altura e largura Bancos da Frontier têm regulagens manuais Na S-10, o motorista pode ajustar o banco eletricamente Espaço traseiro na Nissan é superior A picape da Chevrolet é vítima do entreeixos menor Painel da Frontier merece uma renovação, mas é bem feito Detalhe da alavanca de câmbio e do acionamento do sistema 4x4 da Frontier Sistema de entretenimento da Nissan não tem GPS, mas ar-condicionado tem duas zonas  Painel da S-10 é mais moderno Sistema MyLink da S-10 é conveniente Detalhe do câmbio e do acionamento do sistema 4x4 da S-10 Roda da Nissan Frontier Roda da Chevrolet S-10 Motor 2.5 da Frontier entrega 190 cv 2.8 da S-10 tem 200 cv

Não faz muito tempo que a Nissan se gabava nas propagandas que Frontier era a picape mais potente da categoria ("Pôneis Malditos", lembram?). O cenário mudou e, agora, tanto a Chevrolet S-10 como a Ford Ranger estão mais potentes que a concorrente, com 10 cv a mais que o modelo da Nissan. E não foi só isso que mudou. Antes, rústicos instrumentos de trabalho, as picapes estão ganhando a cidade e é fora da área rural que o iCarros vai fazer um comparativo para ver quem leva a melhor. 

A Frontier está representada pela versão topo de linha SL 4x4, de R$ 128.990. Nesta configuração, tem direção hidráulica, ar-condicionado digital de duas zonas, tela multimídia com câmera de estacionamento traseira, bancos em couro com regulagem manual para o motorista, acionamento elétrico das travas, vidros e espelhos e controle de tração. É equipada com um motor 2.5 turbodiesel de 190 cv e 45,8 kgfm de torque acoplado a um câmbio automático de cinco velocidades.

A S-10 LTZ 4x4 custa R$ 135.990 e tem como principal novidade na linha 2014 a motorização 2.8 turbodiesel de 200 cv - 20 cv a mais que a anterior apesar de o bloco ser o mesmo - e 44,9 kgfm torque acoplado a um câmbio automático de seis velocidades. Tanto a caixa da Chverolet quanto a da Nissan tem operação suave, não dão trancos. porém, com uma engrenagem a mais, a S-10 faz trocas constantes para manter o ritmo, enquanto o câmbio da Frontier fica mais tempo na mesma relação aproveitando o torque um pouco maior.

Os itens de série são os mesmos da rival, mas a regulagem do banco do motorista é elétrica, enquanto o ar-condicionado tem apenas uma zona. Também há o sistema multimídia MyLink com GPS e sensor de estacionamento traseiro, mas não tem câmera de ré.

Para ambas, o acionamento do sistema 4x4 é acionado por um botão giratório. Na posição "4x2", apenas o eixo traseiro é acionado. Para ligar a tração integral basta posicionar o botão na marca "4x4", o que pode ser feito com o veículo em movimento desde que as rodas dianteiras estejam em linha reta. A 4x4 com reduzida, que dá mais força ao carro, mas tira velocidade, exige que veículo esteja parado e com o câmbio em ponto morto.

Cada um no seu retângulo

Longe do ambiente rural de trabalho para o qual foram desenhadas, as picapes da Chevrolet e da Nissan não têm vida fácil no trânsito. As ruas esburacadas dão até saudade das estradas de terra e o espaço para rodar é pequeno para essas gigantes. Ambas possuem 1,8 m de altura e 1,9 m de largura. Mas a Frontier é mais curta (5,2 m de comprimento) que a S-10 (5,4 m) e tem um entre-eixos maior (3,2 m contra 3,1 m).

Não que o modelo da Nissan seja como um compacto para estacionar, mas 20 cm a menos no comprimento podem fazer a diferença entre caber ou não em sua vaga apertada. Além disso, o entre-eixos maior garante mais espaço interno, principalmente atrás, para quem escolhe a Frontier ante a rival. Em espaços apertados, a câmera de ré se mostrou mais precisa nas manobras que o sensor de estacionamento da S-10 . No lugar de um bip irritante que avisa proximidade extrema a um palmo de distância do obstáculo, permite ao motorista ver exatamente onde está a parede ou o carro estacionado atrás.

Neste quesito, a Frontier ainda leva vantagem em algo que, a princípio, seria um problema: o visual “quadradão” de finais da década de 1990 pode não ser bonito, mas permite posicionar melhor a picape no trânsito apertado que as formas mais ousadas da S-10. Sentado no banco do motorista da Chevrolet, é mais difícil dizer onde o capô acaba.

Sobrevivência na cidade

Dito isso, não dá para equiparar as picapes no visual. É clara a vantagem da Chevrolet, com linhas modernas e que acompanham a linguagem global da marca. Por dentro, a Nissan é bem montada e escolheu de forma correta seus materiais, mas a S-10 passa um “frescor de novidade” que a Frontier não tem. Em acaleração, ligeira vantagem também para a S-10, com 0 a 100 km/h em 10,3 s (0,7 s a menos que a rival). O peso de ambas é equivalente, sendo que a Frontier, com 2.066 kg, é 5 kg mais pesada. Para quem dirige, o ruído do motor fica bem isolado. Mas, para quem está fora, fica bem claro a escolha pelo propulsor a diesel: o barulho estalado, típico desse tipo de bloco, é audíve de longe.

Mas, no maior estilo “panela velha que faz comida boa”, a Frontier foi uma grata surpresa em território citadino. O acerto de suspensão firme, para levar carga mesmo, passa alguns solavancos para os passageiros. Porém, é melhor que o da S-10, suave, mas que faz a picape ficar constantemente balançando enquanto tenta compensar as pancadas dos buracos. Durante o período de avaliação, a picape da Chevrolet fez duas vítimas entre os caronas, que, literalmente, pediram para sair do carro, dado o enjoo causado pelos constantes movimentos laterais. Na Nissan, ninguém passou mal.

Outro ponto, dessa vez intangível, em que a Frontier leva vantagem é na sensação de robustez, de ser parruda mesmo. Ela pode ser velha e quadrada, mas mudar pouco ao longo de mais de dez anos significa que não há nada de errado com o carro. A S-10 vai atrair os olhares, mas dá dó só de pensar em ralar aquele grande para-choque dianteiro na parede. É como comparar o velho celular grande e pesado, mas que aguentava qualquer queda, com o atual smatphone, que pode trincar a tela a qualquer momento.

Veredito de Thiago Moreno - quem diria? A picape pra pegar no batente foi bem na cidade. A S-10 tem bons predicados para justificar a compra, sendo o desempenho e o design os principais. Porém, mais barata, tão bem equipada quanto a rival e mais fácil de lidar em ambiente urbano, é a veterana Frontier quem leva o comparativo.

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