Oito ou dezesseis válvulas: tudo depende do uso

Motores multiválvulas são mais potentes, mas há pouco torque em baixa. Sistema convencional é mais indicado na cidade

07/08/2009 - Texto e Fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

 
 
Renault Symbol Expression 1.6 8v
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Durante a década de 1990, o Brasil começou a receber carros com motores de mais de duas válvulas por cilindro - os multiválvulas -, sendo que o mais comum eram propulsores com quatro válvulas para cada um dos quatro cilindros. Ou seja, o momento era dos carros 16v, que prometiam potência elevada e a cumpriam, mas, como ofereciam pouco torque em baixas rotações, foram estigmatizados de ‘carros fracos’.

"Isso não é lenda. Eles são fracos mesmo", diz Roberto Bock, professor de engenharia da FEI. Essa desvantagem, porém, tende a passar conforme a rotação aumenta, fazendo com que o carro vá ganhando força. "Esses motores trabalham com uma grande vazão de combustível. Em baixas rotações, não se obtém uma boa eficiência volumétrica", explica. Ou seja, com o giro baixo, há mais combustível para se queimar que o ideal e o carro demora a ganhar desempenho.

A Renault é a única montadora no Brasil a oferecer o mesmo propulsor, no caso o 1.6, com a opção de 8 ou 16 válvulas. O iCarros avaliou o Symbol Expression 8v e o Privilège 16v para sentir ‘na pele’ a diferença que as válvulas a mais, ou a menos, fazem no mesmo carro. É bom deixar claro que o que está em jogo é o comportamento dos motores, não o nível de acabamento. Para o Symbol, a Renault oferece apenas as versões Expression, de entrada, e Privilège, mais equipada. Os preços são R$ 39.990 para o Expression 1.6 8v, R$ 41.190 para o Expression 1.6 8v e R$ 44.490 para o Privilège 1.6 16v.

Vantagens e desvantagens ao rodar com um 8v e um 16v

O motor 8v do Symbol possui menos potência. São 92 cv com gasolina e 95 cv com álcool contra 110 cv com gasolina e 115 cv com álcool do modelo 16v. No ‘anda e para’ do trânsito urbano é difícil atingir o pico de potência (momento em que o motor entrega 100% da força), que ocorre aos 5.250 giros no 1.6 8v e aos 5.750 no 1.6 16v. Nessa situação, o que importa é o torque e, quanto mais cedo ele aparecer, melhor. O pico de torque da versão 8v de 14,1 kgfm aparece aos 2.850 giros, enquanto o de 16v de 16 kgfm surge aos 3.750 giros. São 900 rpm de diferença entre um e outro.

O Symbol Expression 1.6 8v pesa 990 kg e o Privilège 1.6 16v tem 1.045 kg. São 55 kg que não justificariam uma disparidade no comportamento dos carros. Tudo se resume ao quanto e quando cada motor entrega o torque e a potência. A versão 8v possui arrancadas mais rápidas em situações como a saída de um sinal, por exemplo. Como o torque aparece mais cedo, o carro está ‘disposto’ mais rápido também. Já o 16v parece ‘adormecido’ até, ao menos, 3.000 giros, e demora a desenvolver rotações, mesmo com o pé no fim do curso do acelerador.

Como o empuxo surge mais cedo, o motor 8v exige menos trocas de marcha na cidade. É possível passar por lombadas e virar esquinas em terceira, sem necessidade de engatar a segunda. O motor, nessas situações, funciona pouco acima dos 1.000 giros sem reclamar. Nesse regime de rotações, a unidade de 16v engasga e trepida.

Se na cidade o bloco 1.6 multiválvulas da Renault levou uma ‘lavada’, o placar começa a se inverter nas vias expressas e estradas. Acima dos 90 km/h é a potência que importa e as válvulas a mais contam pontos. Acima dessa velocidade, o motor 1.6 8v se torna ruidoso, deixando claro que passar dos 3.500 giros não é o seu forte, enquanto o 1.6 16v mostra desenvoltura e maciez até praticamente os 4.000 giros.

Veredicto de Thiago Moreno - no caso do Renault Symbol, o uso do carro é mais decisivo para a compra que o nível de acabamento. Se o veículo for usado majoritariamente na cidade, com viagens esporádicas, o 1.6 8v é melhor e sai mais em conta. Porém, se o carro se utilizar de estradas na maior parte do tempo ou para deslocamentos mais longos, vale a pena investir um pouco mais e levar o 1.6 16v.

 

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