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Abarth mostra versão esportiva do 500

26/09/2008 - Luiz Guerrero (Car and Driver)

Fonte: iCarros

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É pura obra de marketing. Mas também uma das mais deliciosas criações da engenharia: o Abarth 500 é diversão contida em um corpo de 3,6 metros de comprimento por 1,6 metro de largura. Charmoso e compacto, mas especialmente explosivo. O estopim é um motor turbo 1.4 16V de 135 cavalos, cujo torque pode passar de 18,3 mkgf (2.500 rpm) para 21 mkgf (3.000 giros), com a alteração dos parâmetros da central eletrônica. Acelere. E o 500 dispara.

O carrinho, que acaba de ser lançado na Itália, é a vitrine tecnológica do ‘Projeto Abarth’, um programa de revitalização da marca criada por Carlo Abarth no fim dos anos 40. Pode-se dizer que, guardadas as proporções, a Abarth representa para a Fiat o que a AMG é para a Mercedes-Benz – uma oficina que transforma carros pacatos em demônios. E aqui entra o marketing: oficinas de preparação passam a ter status de revendedoras oficiais para vender de carros prontos a kits esportivos e competições monomarcas serão organizadas em alguns países europeus com apoio de fornecedores do porte de uma Brembo (freios) e de uma Sabelt (acessórios de competição). Fala-se em 200 pontos na Europa capacitados a substituir o logotipo Fiat pelo do escorpião e algumas dezenas deles em outros países. O Brasil está fora do projeto.

Nostalgia e tecnologia

O fato é que nenhum outro carro Fiat estaria mais bem capacitado a representar esta filosofia que o 500. Em 1957 Carlo Abarth acomodou 10 cavalos a mais no modesto motor bicilíndrico de 449 cm³ de cilindrada e 13 cavalos do Fiat 500 e levou alguns carros para uma prova de resistência em Monza. Em uma semana, os filhotes de escorpião rodaram 18.186 quilômetros à média de 108,2 km/h (a velocidade final do carro de rua era de 85 km/h). Estava criada a lenda.

Foi preciso recuar 51 anos no tempo para entender o entusiasmo com que os italianos receberam o carro neste verão europeu. Mas bastaram algumas voltas na pista de testes da Fiat em Balocco, a meio caminho entre Milão e Turim, na Itália, para mais uma vez concluir com alguma ponta de inveja que esportividade não se resume à aplicação de adesivos chamativos na carroceria e de plástico imitando alumínio no painel.

A base do 500 Abarth é o Fiat 500 1.4 de 101 cv e 13.150 euros. Para abrigar o compacto turbo IHI RHF3-P de geometria fixa, o painel dianteiro ganhou um ressalto e os pára-lamas, duas entradas de ar para refrigerar os discos do conjunto Brembo. Os pára-lamas também foram alargados para receber as rodas de 17 polegadas com pneus 205/40. A suspensão foi rebaixada, teve as molas enrijecidas e o sistema de exaustão passou a ter duas saídas de alumínio.

E como apoio à transformação, o 500 Abarth recebeu controles de estabilidade, tração, distribuição de força de frenagem e de transferência de torque, além do sistema que mantém o carro imóvel nas arrancadas em inclinações. O mérito da preparação é que os auxílios eletrônicos estão ali para ajudar, não para atrapalhar: permitem que o carro escorregue de frente em curvas mais rápidas e retardam ao extremo a ação do ABS.

Na mão

Por dentro, foi instalado junto ao módulo central do painel o manômetro do turbo associado ao indicador de mudança de marchas. E a diversão começa quando se pressiona o botão ‘sport’ para alterar os parâmetros da central eletrônica, fazer o turbo trabalhar com mais pressão e dar mais peso no volante. Com essa configuração, o 0 a 100 km/h é feito em 7,9 s e a máxima é de 205 km/h, diz a marca. Um câmbio mais preciso talvez contribuísse para melhorar esses números. Durante algumas horas, cerca de 20 unidades do 500 Abarth rodaram nas mãos de um grupo de jornalistas latino-americanos e japoneses no circuito de Balocco, uma pista privada que mescla trechos rápidos com outros travados.


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