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Da Índia para o Brasil

Terceira maior fabricante de motos da Índia, a TVS pretende ampliar sua participação internacional

04/03/2010 - Aldo Tizzani (Infomoto), de de Hosur, estado de Tamil Nadu, Índia / Fotos: divulgação / Fonte: iCarros

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O logotipo da TVS Motor Company representa um cavalo (vermelho) em disparada, que quer cruzar novos campos em busca de liberdade. Esta figura personifica bem a filosofia da montadora – terceira maior fabricante de veículos de duas rodas da Índia. Em um galope alucinante, a TVS projeta para este ano fabricar cerca de 1,6 milhão de unidades, que sairá de suas quatro fábricas – três na Índia e uma na Indonésia. Só por curiosidade, a Moto Honda da Amazônia produzirá em Manaus (AM) cerca de 1,350 milhão de unidades em 2010. Em função de seu volume, a TVS hoje exporta seus produtos para cerca de 60 países da Ásia, África e inclusive para a América Latina.

Em junho passado, a Dafra Motos anunciou oficialmente sua parceria com a TVS, cujo acordo prevê a montagem das motos indianas no Pólo Indústria de Manaus. O primeiro lançamento desta parceria está disponível até o final deste mês: a Apache RTR 150, modelo que já foi exibido na última edição do Salão Duas Rodas, que ocorreu em outubro.

Novidades, muitas vezes, nos obrigam a fazer vários questionamentos: como é a linha de produção da marca indiana? O produto tem qualidade? Está adequado ao consumidor brasileiro? Para responder estas e outras perguntas, a Agência INFOMOTO seguiu até o Sul da Índia, mais precisamente em Hosur, estado de Tamil Nadu, para ver in loco uma das linhas de produção da marca indiana.

Construída numa área de 303 hectares, a planta da TVS em Hosur conta com 11 departamentos, além dos setores de usinagem, estamparia e pintura. A unidade mantém até um santuário para as aves da região. A fábrica produz 2.500 motores/dia, de 90 a 180 cc, que são distribuídos entre as outras plantas. Muito bem estruturada, organizada e limpa, a TVS em Hosur tem ainda duas linhas de montagem, que a cada 43 segundos produz uma nova moto. A produção tem 70% de seus processos automatizados, os outros 30% são realizados por operações manuais. Há justificativa para isso: com mão de obra farta, a fábrica da TVS também tem sua função social na missão de absorção e capacitação de trabalhadores, principalmente de Bangalore e Tamil Nadu.

Além da produção em larga escala, que já somou mais de 15 milhões de unidades em 25 anos, a menina dos olhos da marca indiana está no departamento de desenvolvimento de novos produtos. Lá, cerca de 500 engenheiros estão trabalhando no aprimoramento da qualidade e no design de suas motocicletas.

Para Harne Vinay Chandrakant, presidente do setor de novos produtos da TVS, a empresa deu seu grito de liberdade em 2000, quando rompeu sua parceria com a nipônica Suzuki. “A partir deste momento, criamos produtos revolucionários para o mercado indiano”.

Na linha do tempo da TVS, alguns modelos merecem destaque: em 1979, a empresa lançou o modelo Moped, uma espécie de Mobilette feita para o trabalho pesado; em 1994, apresentou o Scooty, scooter produzido especialmente para o público feminino. Já em 2000, com o fim da parceria com a Suzuki, que durava desde 1984, a TVS lançou a Victor, uma street equipada com motor quatro tempos de 110 cc.

Segundo o engenheiro, hoje, a empresa tem uma grande missão, o de reduzir consumo de combustível e níveis de emissões de poluentes e baixar o custo final dos modelos comercializados pela TVS. Ou seja, investir em tecnologia e em novas matérias primas. “Somente desta maneira seremos ainda mais competitivos no mercado mundial”, disse Chandrakant.

História

Com uma produção verticalizada, a exemplo da Honda no Brasil, a TVS tem apostado suas fichas em tecnologia e inovações constantes. Só para se ter uma ideia, a empresa foi a primeira a instalar catalisadores em motos de 100cc, na Índia. A montadora também foi a primeira a fabricar modelos 150cc, de quatro tempos. Hoje conta com um completo laboratório para testes dinâmicos.

As principais análises ficam por conta da resistência do conjunto de suspensão, durabilidade do quadro e das peças e dinamômetro. Em um dos testes, a moto despenca de uma altura de mais de dois metros. O ciclo se repete mais de 50 mil vezes. Em outro, uma Moped carrega por vários dias mais de 500 quilos de carga. O objetivo é analisar a resistência e a durabilidade do conjunto.

A fábrica conta ainda com uma pista de teste principal de 4,5 km e uma outra auxiliar que oferece vários tipos de pisos – ondulações e paralelepípedos – para as avaliações dinâmicas.

Line up

Fundada em 1979, a TVS detém hoje 16% do market share do mercado indiano. Só fica atrás da Hero-Honda e da Bajaj. A montadora fabrica 11 modelos para o mercado interno e mais 11 para o mercado externo. A TVS conta com quatro famílias de produtos: mopeds (líder de mercado), scooters (segundo no ranking de vendas) e motos streets. Além do modelo de três rodas, batizado de King, o primeiro auto riquixá de 200cc, dois tempos, com ignição elétrica e duas opções de combustíveis: gasolina ou gás natural (o popular GLP).

Para vender seus produtos e dar assistência aos seus consumidores, a TVS conta com 580 concessionárias e 2.100 centros de serviços autorizados espalhados por toda a Índia, com objetivo de fazer as revisões programadas e reparos. Os mecânicos das revendas são treinados na própria fábrica. 

Outra pergunta fica no ar: Por que o Brasil? Quem responde é Hardip Singh Goindi, presidente de marketing da TVS. “O Brasil é o quarto maior mercado de motocicletas do mundo. Além disso, como na Índia, as distâncias são continentais e o povo é muito parecido, alegres e precisam de um veículo prático e barato para se locomoverem. Encontramos na Dafra um parceiro sério, que conta com uma boa rede de distribuição e pós-venda atuante”. Para Goindi, a parceria entre a TVS e a Dafra tem tudo para dar certo e desenvolver novos produtos.

Agora o que nos resta é esperar e conferir o desempenho e a qualidade da Apache RTR 150. Montada em Manaus (AM), a nova street do line up da Dafra deve começar a ser comercializada ainda este mês. O modelo conta com ares de moto de maior cilindrada e design esportivo, traduzido pela pequena carenagem que envolve o painel de instrumentos, pelas rodas de liga leve e spoiler sob o motor. A Apache está equipada com motor monocilíndrico de 150 cc de capacidade cúbica, que, apesar de carburado, está de acordo com o Promot 3.
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