No início da década de 90, o mercado brasileiro se abriu para a importação de veículos. As marcas orientais se destacaram entre as que passaram a vir para cá, uma vez que tinham diferenciais em relação aos carros nacionais. Modelos de pequenas dimensões, como o Mitsubishi Colt, outros com uma extensa lista de equipamentos de série, como a encontrada na primeira geração do Toyota Corolla ou do Mitsubishi Lancer, ou ainda com design moderno, como o do primeiro Honda Civic, caíram no gosto dos brasileiros.
Marcos Rozen, editor executivo da revista AutoData, lembra que, na época, o fato desses modelos serem novidade no País foi o que motivou a compra de muitas unidades do Hyundai Elantra, Accent e Excel, do Subaru Legacy e do Mitsubishi Galant. Entre 1995 e 1996, com a paridade do dólar com a moeda brasileira, também era comum cruzar com um Daihatsu Cuore nas ruas; mais corriqueiro ainda era pedir um cachorro-quente em uma Asia Towner.
O cenário mudou quando o Brasil adotou o regime de câmbio flutuante e a cotação do dólar inviabilizou a vinda dos importados no fim da década de 1990. Alguns proprietários ficaram ‘órfãos’, pois as marcas, como Daewoo e Daihatsu, saíram do País e o custo de manutenção e o de importação das peças dos carros asiáticos ficaram muito caros. Além disso, a concorrência ficou mais acirrada e a produção nacional também expandiu. O resultado foi uma desvalorização considerável destes modelos importados e a dificuldade na revenda.
Algumas marcas ainda amenizaram a situação e concentraram as suas operações no Brasil para outras empresas como a própria Asia Motors que passou para as mão da Kia Motors. Alguns proprietários, porém, tiveram de improvisar para manter os seus carros rodando, como foi o caso do Daewoo Espero, que compartilha peças com o Chevrolet Vectra de primeira geração.
Hoje em dia, o mercado brasileiro está mais maduro. Marcas européias já produzem seus modelos por aqui e, com o dólar cotado abaixo dos R$ 2, as marcas orientais voltam a operar no Brasil, com destaque para as sul-coreanas. “Agora, essas marcas investem em nichos de mercado para se estabelecer. O Kia Picanto, por exemplo, é um carro urbano de apelo jovem; o Suzuki Grand Vitara vai competir no mercado dos utilitários esportivos compactos, enquanto a Effa ULC tem tudo para ficar com o mercado de vans compactas deixado pelo Towner”, explica Rozen.
Apesar do franco crescimento e da atual situação mais estável do mercado nacional, Rozen recomenda cautela e uma análise minuciosa antes da aquisição de um modelo importado; é sempre bom checar a rede, manutenção e revenda. Em casos específicos, eles realmente são uma boa escolha. O Kia Picanto, por exemplo, é o único carro com motor 1.0 vendido no País que dispõe de câmbio automático como opcional e a linha da Effa ULC tem preços convidativos (a picape custa a partir de R$ 19.980).
O analista lembra ainda que, ao adquirir esse tipo de veículo, há um risco a ser assumido. “A montadora pode sair novamente do mercado, o modelo pode vir a ser difícil de revender, assim como os carros orientais de meados de 20 anos atrás”, explica. O Daihatsu Cuore e o Kia Picanto, assim como a Asia Towner e a Effa ULC, guardam muitas semelhanças entre si; o Hyundai Azera, por sua vez, remete ao Sonata. Se estes modelos compartilharão o mesmo destino de ser um ‘mico’ de mercado, porém, só o tempo poderá dizer.
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