ONU relança desafio mundial de segurança no trânsito

Segunda Década de Ações para Segurança de Trânsito já começou

23/02/2021 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

O balanço da primeira Década de Ações para Segurança de Trânsito (2011 a 2020), proposta pelas Nações Unidas (ONU) a todos os países membros, ainda não pôde ser feito em nível mundial. Afinal, passaram-se apenas dois meses e as estatísticas demoram mesmo até a consolidação.

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No entanto, a ONU ainda em 2020 renovou a iniciativa ao lançar a segunda década com a mesma meta da primeira: redução de 50% de mortes e feridos graves entre 2021 e 2030.

No caso do Brasil existem duas leituras possíveis. Em 2011 o País registrou perto de 45.000 mortos, segundo estatísticas do DataSUS.

Em 2019, em torno de 30.000 (número preliminar), sem considerar ainda o ano atípico de 2020, quando cidades e estradas ficaram quase desertas por meses em razão da pandemia do covid-19. Em 2011 se projetou que, se nada fosse feito, o Brasil chegaria a 60.000 vidas perdidas. Sob esse critério, cumpriu-se a meta da ONU.

Em outra perspectiva, no entanto, não se alcançou o preconizado. O percentual de redução seria por volta de quase 35% (15.000 mortes a menos do que em 2011).

Por esse ângulo o Brasil ficou “devendo” 15 pontos percentuais até 2019. E se, em 2020, a menor circulação de veículos e pessoas tiver o esperado impacto nas estatísticas, quem sabe o País até superaria a meta da ONU (pelo discutível critério otimista) ou nossa “dívida” ficaria mais perto dos 10%.

De qualquer modo há de se reconhecer um esforço do Denatran e outras entidades ligadas ao trânsito em melhorar a segurança viária em ruas e estradas nos últimos 10 anos.

Segundo J. Pedro Correa, consultor em programas de segurança no trânsito, “a década é uma decisão da ONU, que delega à Organização Mundial da Saúde (OMS) a sua coordenação mundo afora. Cabe aos governos aderirem e apoiarem o movimento por meio de decisões para baixar o índice de sinistralidade.

Tanto a ONU quanto a OMS não dispõem de representação no Brasil para incentivar uma grande ação nacional. Bancos multilaterais e organizações voluntárias internacionais ligadas ao processo fazem sua parte, incentivando programas locais e, eventualmente, financiando atividades regionais.”

Sua preocupação se concentra no momento em que a pandemia começar a ser contida. Até agora, ele não detectou nenhuma ação anunciada, mas o País deve se preparar para desenhar uma estratégia com intuito de atingir a meta preconizada pela ONU.

Para isso, estatísticas são fundamentais. Sua sugestão é criar um espaço no portal do Ministério da Saúde para informar o mais rápido possível sinistros de trânsito pelo DataSUS.  Assim todos os interessados teriam acesso aos dados sem complicações técnicas.

“Administradores municipais poderiam estabelecer suas metas e acompanhá-las. Isso permitiria ao mesmo tempo monitorar o trabalho paulatino de cada estado da Federação e, por fim, do próprio país. Se queremos chegar ao fim da década com bons números, será indispensável acompanhar ano a ano qual o desempenho nacional”, defende Correa.

Por ser a principal entidade do Sistema Nacional de Trânsito, o Denatran deve liderar o processo. O consultor sugere que o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) assuma esta função.

“Bem conhecido em razão de inúmeras ações em todo o país, notadamente pelo Maio Amarelo, o ONSV tem condições de catalisar estas ações, dar a devida divulgação e ser o farol que vai iluminar o caminho dos que querem fazer sua parte.”

Semana passada, o observatório divulgou o tema da campanha Maio Amarelo 2021. Respeito e responsabilidade: pratique no trânsito.

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