VW Polo GTS: dá para sentir saudades do Golf? | Impressões

Versão GTS do Polo veste traje esportivo, recheia lista de equipamentos e ganha motor 1.4 que era do Golf

24/01/2020 - João Brigato / Fotos: João Brigato / Fonte: iCarros

Em um mundo onde os SUVs são dominantes, hatches médios tiveram um triste fim. VW Golf só não foi aposentado por completo por conta da versão GTE limitada a 99 unidades, enquanto o Chevrolet Cruze vende cada vez menos. Ford Focus e Peugeot 308? Morreram no ano passado e não têm chances de voltar.

Para os que não querem se comprometer com o estilo de vida dos SUVs ou não precisam da suntuosidade dos sedãs, é preciso agora descer de categoria onde estão os crescidos hatches compactos como o Polo. Apesar de entregarem níveis de equipamentos cada vez mais altos, ainda faltava a esses modelos a mesma pegada esportiva dos médios.

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Para suprir a falta que faz o Golf nas versões 1.0 TSI e 1.4 TSI, já que o Golf GTE segura as pontas de quem era amante do GTI, a Volkswagen começa a produzir no Brasil o novo Polo GTS. E ele não vem sozinho, já que o Virtus terá sua versão GTS em fevereiro para disputar a atenção de quem queria um Jetta GLI mas não tem tanta bala na agulha.

Por R$ 99.470 ele é o hatch compacto mais caro produzido no Brasil, só não é o mais caro desse porte pois o Mini Cooper importado passa facilmente desse valor. Com sistema de som opcional Beats e pintura metálica sobe a conta para R$ 103.440. Espere por valores mais altos no Virtus. 

De pista ou de rua?

Apesar da diferença de preço de mais de R$ 30 mil entre o Volkswagen Polo GTS e o Renault Sandero RS, uma comparação rápida entre eles é inevitável. O conceito de ambos é completamente diferente: o Polo é turbo, automático e usável no dia-a-dia. Já o Sandero é manual, aspirado e focado na performance em pista.

Herdado do Golf e do T-Cross Highline, o motor 1.4 TSI rende no Polo GTS os mesmos 150 cv e 25,5 kgfm de torque que rendia no Golf e também empurra Jetta e Tiguan. Com carroceria mais leve e diminuta, o Polo consegue assumir tempero mais esportivo. A transmissão automática de seis marchas também é a mesma dessa turma.

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Na prática, o slogan “pode chamar de mini-Golf” do lançamento do Polo nunca se aplicou de maneira tão mais justa quanto no GTS. Ele de fato transmite a sensação de ser um Golf em miniatura - e isso está longe de ser algo ruim, visto que o hatch médio sempre foi muito bom de dirigir.

O Polo GTS é comportado em avenidas esburacadas, mesmo em lugares castigados. A suspensão é mais firme que a dos Polo TSI regulares, mas não daquele tipo que o fará procurar um ortopedista depois de uma volta no quarteirão pois sua coluna foi destruída por completo ao passar por uma tartaruga. 

As curvas parecem o habitat natural do Polo GTS graças ao conjunto formado pela barra estabilizadora dianteira com maior rigidez torcional, eixo traseiro reforçado, molas com carga maior e pneus Pirelli P7 205/50 R17. Não é um engolidor de tangentes como seus irmãos Jetta GLI e Golf GTI, mas é o suficiente para deixar muito hatch médio para trás.

O motor 1.4 TSI entrega a já conhecia boa performance aliada à economia de combustível. Segundo a Volkswagen, o Polo GTS faz 11 km/l e 13,7 km/l com gasolina na cidade e na estrada, respectivamente. Com etanol nas mesmas condições as médias são 7,5 km/l e 9,6 km/l.

Ele não sofreu calibração específica para a versão GTS, entregando bastante força em baixas rotações, enquanto acima dos 5 mil giros mostra faltar um fôlego menor para continuar a embalar com a mesma vontade. O motor enche rápido e faz o Polo cantar pneu com facilidade até em segunda marcha.

Já a transmissão adotou uma calibragem mais conservadora mesmo no modo Sport. Basta aliviar um pouco a pressão do pedal do acelerador após uma pisada mais forte para ele trocar de marcha e baixar a rotação. As trocas são suaves em todas as situações e feitas de modo ágil, a exceção fica para o delay no acionamento das borboletas atrás do volante.

Mas basta colocar o Polo GTS em modo Eco para que ele se comporte como um hatch normal. O acelerador fica menos arisco, as marchas são trocadas o mais cedo possível e o barulho interno diminui.

A VW equipou o modelo com alguns truques para amplificar o som do motor, mas em modo Sport soa falso e chega a incomodar. Há também de ressaltar a falta de um ronco mais esportivo no Polo GTS, mantendo uma sonoridade bastante semelhante à do T-Cross Highline. 

Valorização dos detalhes

Para deixar o Polo GTS mais esportivo e dar diferenciais especiais em relação às versões regulares, ele ganhou friso vermelho na grade frontal e nos faróis, que adotaram uma bela iluminação full-LED. As lanternas traseiras também são de LED - itens até então vistos apenas nos Polo europeus.

Junto a eles estão os novos para-choques com visual mais esportivo apesar de manterem o desenho básico do Polo, tanto que as luzes de neblina e LED diurno são as mesmas do restante da família. Há ainda saias laterais, aerofólio traseiro, saída dupla de escape e as já mencionadas rodas de 17 polegadas com acabamento diamantado. 

Por dentro o acabamento cinza escuro metálico dá à cabine um pouco mais de sofisticação. Ainda mantém os plásticos duros? Sim, mas são bem encaixados e têm qualidade. Há ainda detalhes em vermelho na manopla de câmbio, costuras do volante, aro das saídas de ar-condicionado e também no layout da central multimídia e painel de instrumentos.

Os bancos merecem uma atenção à parte. São inteiriços como no irmão up!, porém com abas laterais bastante pronunciadas, misturam couro com tecido de maneira bastante elegante e esportiva. A espuma é confortável para aguentar boas horas atrás do volante ao mesmo tempo que é firme para manter o corpo colado em curvas fortes. 

Conclusão

Honrar o legado da sigla GTS construída por Passat e Gol é uma tarefa difícil para o Polo, especialmente quando Golf GTI e Jetta GLI colocam a expectativa sobre um esportivo da Volkswagen lá em cima.

É fato que o Polo GTS ficou bem caro, mas ele entrega aquela pegada e sofisticação dinâmica que os hatches médios e seus antecessores GTS entregavam.

Apesar disso, ele faz sentido no mercado brasileiro, visto que é um carro com espaço interno interessante, bom porta-malas, lista de equipamentos bastante generosa e é usável no dia-a-dia mesmo sendo um Polo mais esportivo.

A Volkswagen sabe que o Polo GTS não vai vender muito além de 300 unidades por mês - número bastante real, diga-se de passagem. Atributos para ser um carro de imagem e cumprir o papel que o Golf exercia por aqui, o Polo GTS tem. Basta vencer o choque inicial de ter um hatch compacto passando de R$ 100 mil.   

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