11/12/2014 - Anamaria Rinaldi / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros
A JAC lançou hoje (11) o J2 equipado com motorização flex, que já pode ser encontrado nas lojas da marca no Pais pelo valor sugerido de R$ 35.990 - embora ele esteja anunciado no site da empresa por R$ 34.990. Além de passar a ser bicombustível, o compacto sofreu apenas pequenas mudanças. Ele agora traz para-choque traseiro redesenhado e iluminação do painel branca no lugar da azul do modelo anterior.
Falando da principal alteração, o motor, ele segue equipado com propulsor 1.4 16V, que rende 113 cv com etanol e 110 cv com gasolina frente aos 108 cv do antecessor movido somente pelo combustível fóssil. Já o torque não mudou: ele mantém os 14,1 kgfm com gasolina a 4.500 rpm, entregando 14,4 kgfm com etanol. E ele possui tecnologia que dispensa o tanque auxiliar de partida a frio.
Ao volante, é difícil perceber os 5 cv a mais, mas isso não faz falta. Pequeno e leve, o carro é um verdadeiro foguetinho, oferecendo respostas rápidas em arrancadas e retomadas. Segundo a marca chinesa, ele acelera de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos e atinge a velocidade máxima de 187 km/h. Ou seja, o J2 segue muito prazeroso de guiar. O câmbio manual de cinco marchas também não sofreu mudanças. Com curso curto, ele ajuda a dar agilidade à condução.
Para favorecer a estabilidade em curvas, o J2 possui suspensão mais firme, mas não chega a incomodar em pisos irregulares. A direção elétrica, porém, é um pouco leve demais. Aliás, vale destacar o volante desproporcional ao porte do carro. Ele é grande e tem o aro fino, o que não oferece boa empunhadura (posição para segurar o volante).
Altos e baixos dentro da cabine
Por dentro, tudo igual. O acabamento pode não ser um exemplo, mas é honesto e a nova iluminação melhorou bastante a leitura do quadro de instrumentos. Se você já conhece o J2, alguns probleminhas foram mantidos: não há porta-luvas com tampa, só um grande porta-objetos no local, o cinto de segurança não possui ajuste de altura e a maçaneta interna para abrir as portas parece frágil.
O modelo mede 3,53 m de comprimento, 1,64 m de largura e 1,47 m de altura. Com tamanho reduzido, é de se esperar que o espaço para quem vai atrás seja apertado, mas nada que incomode graças ao entre-eixos de 2,39 m. E o peso? 915 kg. É pouco mais que o Fiat Uno de entrada duas portas, que pesa 909 kg, mas traz bem menos equipamentos de fábrica.
Por falar nos equipamentos, o J2 vem com ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico (também nos vidros traseiros), desembaçador traseiro, faróis de neblina, alarme, sensor de estacionamento traseiro, volante com regulagem de altura e sistema de som com entrada USB.
Novidades a caminho
O J2 flex foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, junto com os SUVs T6 e T5. O primeiro chega ao mercado brasileiro em janeiro de 2015 com motor 2.0 16V flex que rende 160 cv e 20,6 kgfm de torque com etanol, por R$ 69.990. O câmbio será manual de cinco marchas. Entre julho e agosto, será a vez de iniciar as vendas do T6 com propulsor 2.0 turbo, que não teve a faixa de preços divulgada. Essa configuração ganhará a nova transmissão CVT que simula cinco marchas.
A outra novidade, o T5, um SUV menor do que o T6, deve chegar às lojas entre agosto e setembro. Ele será equipado com o mesmo motor do J3 S: 1.5 16V flex de 127 cv com etanol e 125 cv com gasolina. Ele terá opções de câmbio manual de cinco velocidades ou automático do tipo CVT (continuamente variável) simulando cinco marchas. O T5 virá para brigar com as versões mais caras do Ford EcoSport, devendo custar entre R$ 70 mil e R$ 75 mil.
O iCarros também teve a oportunidade de avaliar o JAC T5, que ainda está em fase de adaptação para o mercado brasileiro. A suspensão, mole demais, e as relações de marchas do CVT serão alteradas no modelo a ser vendido aqui. Infelizmente, por isso, é difícil imaginar como será o produto final que teremos nas nossas ruas.
O que foi possível observar é que o nível de acabamento interno deve seguir o mesmo padrão dos demais carros da marca chinesa: simples, limpo e com plásticos rígidos. Isso pode ser um problema na faixa de preços em que ele irá competir. Além disso, a direção também se mostrou leve demais e o câmbio manual tem curso muito longo, com engates imprecisos. Para piorar, as engrenagens fazem barulho a cada troca de marcha. O isolamento acústico também não se mostrou muito adequado no modelo de teste avaliado.
Quanto ao motor 1.5, ele pareceu fraco para o porte do carro, com respostas lentas em arrancadas. Uma vez embalado, porém, seu desempenho melhora bastante, quando o motor trabalha cheio em giros maiores.
Segundo as previsões iniciais, o T6 deve ser o primeiro carro da JAC a receber o câmbio CVT, seguido pelo T5. "O terceiro modelo a trazer essa transmissão será um carro nacional", disse Sérgio Habib, presidente da JAC Motors Brasil. A fábrica da JAC em Camaçari (BA) irá produzir três carros: um hatch, um sedã e um SUV, sendo que o primeiro a sair das linhas de montagem deve ser lançado em meados de 2016.
O hatch e o sedã devem aposentar o J3 e o J3 Turin, possivelmente o J2 também devido à sua faixa de preço. Mas a marca não descarta a possibilidade de manter o J2 como um carro de nicho, com um volume de vendas menor. Já o SUV nacional será posicionado abaixo do T5. "Vamos nos especializar em SUVs e 'people movers' [vans e minivans]", completou o empresário.
Elétrico veio só a passeio
O iCarros avaliou ainda o JAC IEV, uma versão 100% elétrica do sedã J3 Turin que também foi exposta no estande da marca no Salão do Automóvel. Segundo a fabricante, ele possui autonomia de até 170 km e alcança a velocidade máxima de 100 km/h. A recarga completa da bateria leva 12 horas em uma tomada residencial e 6 horas através do modo rápido, que faz uso de um poste portátil. Seu motor elétrico rende 42 kW, o equivalente a 56 cv. Ao volante, ele se mostrou bastante ágil, com respostas rápidas. O interior é mais "clean", com poucos adereços, o que é um ponto positivo. Mas não se empolgue, o JAC IEV não será vendido por aqui.
Vai vender? - Até novembro deste ano, o J2 vendeu 2.319 unidades. A expectativa da marca com a chegada do modelo flex é seguir esse ritmo, com 2.500 carros por ano. Não é uma meta ambiciosa e tem tudo para ser atingida. O compacto oferece ótimo desempenho, com um preço justo pelos equipamentos que traz de série. Se você não precisa de muito espaço e não é muito fãs dos 1.0, o J2 é uma boa opção.
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