02/10/2023 - Texto e fotos de Henrique Koifman / Fonte: iCarros
Quem tem mais de 30 anos provavelmente ainda se lembra das antigas versões esportivas do VW Gol, geralmente bem caprichadas em termos de acessórios e acabamentos e com um desempenho acima das demais. Pois é, foi naqueles carros que o Polo GTS 2023 desta avaliação me fez pensar.
Uma associação para lá de óbvia, claro, pois se o Polo é o atual substituto do Gol na linha Volkswagen, o GTS faz exatamente o mesmo papel que os antigos GT, GTS e GTI representavam para o best-seller da marca no Brasil: o de ser o mais desejado “da galera”.
Sim, porque custando cerca de R$ 150 mil, essa versão esportiva (como aquelas) dificilmente será uma das mais vendidas, mas pode cumprir uma missão importante para a marca: atrair mais compradores para as versões mais em conta, por um daqueles fenômenos consagrados que combinam marketing com psicologia.
O visual do Polo GTS
Começando por fora, a primeira coisa que me chamou a atenção quando fui buscar o carro na concessionária foram suas rodas. Com desenho interessante, aro de 18 polegadas e pneus de perfil baixo, elas dão uma proporção bacana e tiram um pouco o desenho do Polo de sua seriedade germânica.
Isso porque, não fossem elas e o Vermelho Sunset da pintura, acho que esse Polo nem se destacaria no trânsito. Ele tem algumas partes em preto, detalhes aqui e ali, mas nada que o diferencie tão radicalmente assim de seus irmãos. Bom, isso de dia, pois à noite…
Além dos ótimos faróis em full-LED, o Polo GTS tem na dianteira um friso iluminado, cortando sua grade de lado a lado, parecido com o que a VW colocou no SUV médio Taos. Falando assim pode parecer um efeito exagerado, mas, na prática, fica bem interessante e, afinal, destaca o modelo.
Entrando no carro, encontramos os esperados detalhes em vermelho que se convencionou usar em todas as versões esportivas ou “esportivadas” dos carros de hoje. Eles estão presentes nos arremates e contornos dos bancos, em frisos no painel, volante e portas, no revestimento da alavanca de câmbio. E há uma soleira personalizada na moldura das portas dianteiras.
Visualmente, os bancos, com seus ressaltos nas laterais e construção em só uma peça e logo GTS, passam uma impressão de esportividade. Mas são um pouco estreitos demais e, mais tarde, depois de guiar o carro por algumas centenas de quilômetros, eu sentiria falta de mais apoio lombar e mesmo lateral. Deu saudade dos famosos Recaro que equipavam os “Gts” do velho Gol.
No mais, essa versão traz o que há de melhor na sua irmã 1.0 mais equipada, a Highline – como partida por botão e chave remota, painel de instrumentos digital configurável (fácil de usar e com boa visualização) com desenho que se integra ao restante do painel frontal e à multimídia e volante multifuncional igualmente bom de usar.
Novamente, tudo tem mais um estilo limpo e focado na usabilidade (o que é ótimo) que em extravagâncias que remetam a carros de corrida. E, novamente também, por dentro, as diferenças entre essa versão e as outras não são lá tão, digamos, expressivas.
Nos painéis internos das portas, por exemplo, o que dá o tom é o bom e velho plástico rígido e, em relação ao basicão Polo Track, a principal (e talvez única) diferença está em um pequeno pedaço – justamente o que tem contato com os braços dos ocupantes – forrado em discretíssimo tecido sintético.
Conforto e espaço do VW Polo GTS
O espaço interno – e isso vale para toda a linha do Polo – é compatível com seu segmento. Cheguei a viajar com quatro pessoas a bordo, incluindo boa quantidade de bagagens, sem maiores apertos. E, com uma saída de ar-condicionado para o banco de trás e bom isolamento acústico, ouvi até elogios.
Em termos de conforto, aliás, para uma versão esportiva, esse GTS é até bem macio, somando-se aí o trabalho da suspensão com o enchimento dos bancos. Mesmo com as tais rodas grandes e pneus de lateral estreita, salvo buracos e calombos maiores, as imperfeições do caminho passam sem incomodar.
As portas, tanto dianteiras quanto traseiras, têm ângulos de abertura suficientes para que entre e saia do carro sem maiores contorcionismos. Mas, para abrir a tampa do porta-malas, por fora do carro, você precisa usar o botão na chave remota, pois não há acionamento na própria porta do bagageiro.
Mas vamos ao que realmente interessa no Polo GTS
Diferentemente do que costumam fazer outras marcas – que limitam as alterações de suas versões esportivas a ingredientes estéticos (e nada contra, desde que isso fique claro para o consumidor, inclusive no marketing) – A VW, como comentamos, costuma colocar um pouco de pimenta nos carros desse tipo que produz.
E, nesse Polo GTS, isso fica claro assim que você entra no carro, liga a ignição e acelera um pouco mais forte. É que sob o capô ele traz um motor 1.4 turbo flex, que gera até 150 cv de potência e um pouquinho mais de 25 kgfm de torque. E são esses números aí que garantem uma boa dose de diversão para quem gosta de dirigir.
Vá lá que, a despeito de ser bem escalonado e até razoavelmente ágil, o câmbio automático de seis marchas que se encarrega de levar a força até as rodas dianteiras não seja lá tão impetuoso, mesmo quando você aciona a tecla “S”, de sport, que muda a programação da coisa e mantém os giros mais altos.
Ainda assim, as acelerações são vigorosas o suficiente para empurrar as costas da gente contra os bancos. A direção tem assistência elétrica, mas é direta o suficiente para não atrapalhar e a estabilidade está à altura.
Tive a chance de subir – e descer – com esse Polo uma serrinha bem sinuosa e de pista estreita e asfalto quase sempre lisinho, e confesso que me diverti. Justo e bem controlável nas curvas e animado nas retomadas de velocidade, o Polo GTS parecia entender perfeitamente os meus desejos.
É claro que tudo isso com o devido juízo. Os freios são confiáveis e há discos nas quatro rodas. Se o ABS e os controles de tração e de estabilidade chegaram a trabalhar, fizeram isso de forma tão discreta que eu fiquei achando que manter o carro na pista foi mérito meu.
Anda bem, mas consome pouco
Além do trecho de serra, meu test-drive de pouco mais de 600 km totais com o Polo GTS incluíram trechos de boa rodovia plana e velocidades entre 80 e 110 km/h de máxima e mais ou menos um terço dessa quilometragem foi feita no trânsito urbano – sem preocupações em economizar combustível.
A média final de consumo, segundo o computador de bordo, ficou em 12,8 km/litro de gasolina, sendo que, num trecho de uns 100 km de estrada plana, cheguei a registrar uma parcial de 18 km/litro – e, na cidade, outra parcial de 10,5 km/litro. Nada mau.
E afinal, o VW Polo GTS vale a pena?
Por uma dessas coincidências, neste mesmo ano de 2023, tive a oportunidade de avaliar três diferentes versões do VW Polo, percorrendo diferentes partes da tabela, do Track, a opção de entrada, passando pelo Highline – um “intermediário superior” – e, agora, o topo de linha, GTS.
Fui do motor 1.0 aspirado de até 84 cv do Track (de R$ 86.390*), passando pelos até 116 cv do Highline (R$ 118 mil*) e chegando aos 150 cv desse GTS (R$ 150 mil) – além de experimentar todos os recursos nessas três versões.
Falo nisso porque, afinal de contas, esse GTS é antes de tudo um Polo, o mais caro deles, e que como comentei, nem se destaca tanto assim nas ruas em relação aos seus irmãos mais simples ou menos potentes.
Examinando mais de perto ainda, cá entre nós, ele nem é tão mais equipado assim que o mano Highline, a ponto de fazer que alguém pensando racionalmente se disponha a gastar mais de R$ 30 mil a mais para optar por ele, e não pelo 1.0 turbo. Só que…
Na prática, esse Polo GTS é, no momento, o único hatch esportivo compacto nacional disponível. Tentando me desmentir, você provavelmente vai se lembrar do (bom) Fiat Pulse Abarth, que tem um motorzão ainda mais potente (até 185 cv de potência) e que, não por acaso, custa exatamente o mesmo que ele.
São, no entanto, categorias diferentes. SUV é SUV, hatch compacto é hatch compacto – e isso implica uma sensação de dirigir que vai muito além da pancada nas costas quando se acelera. Todo comportamento e dinâmica do carro é diferente – com vantagens, a meu ver, para o que é mais baixo e colado ao chão.
Escrevo tudo isso para, afinal, opinar que sim, o VW Polo GTS vale a pena e que, hoje, também pela absoluta falta de outras opções para quem deseja um verdadeiro modelo esportivo, tem até um bom custo-benefício.
Especialmente se você levar em conta que, pisando de leve no acelerador, ele se comporta como um Polo normal – incluídas aí as boas qualidades de construção, economia e usabilidade desse modelo. E que, quando resolver pisar mais fundo, vai ser bem divertido.
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