Do lixo também se faz carro

Garrafa PET, vidro e alumínio se transformam para virar peças de carro

24/05/2012 - Anelisa Lopes / Fotos: divulgação / Fonte: iCarros

Você sabia que a garrafa PET destinada ao lixo pode voltar para a garagem da sua casa? Fique tranquilo, pois, neste caso, o produto descartado poderá surgir na forma de um carpete ou de uma manta de isolamento acústico do seu carro. Apesar de a tendência mundial de reaproveitamento de materiais ou uso de matéria-prima de origem vegetal estar entre as pautas de sustentabilidade das montadoras atualmente, o processo não é novo.

Em 1941, Henry Ford apresentou o Soybean Car (foto), protótipo cuja carroceria era feita de composto de plástico com fibra de soja, sisal, cânhamo e palha de trigo. O carro era 450 quilos mais leve que o feito de aço estampado e dez vezes mais resistente. "Tenho conhecimento do uso de materiais sustentáveis ou reciclados há pelos menos cerca de 20 anos. Infelizmente, no entanto, ainda não é possível fazer um carro com material 100% reciclado, pois alguns componentes, como o pneu, não são reutilizáveis", explica Ricardo Muneratto, gerente de engenharia da Ford. De acordo com o executivo, todos os modelos fabricados pela Ford na América do Sul contam com uma média de cinco a oito quilos de garrafas pet recicladas, que são transformadas em carpetes, mantas para forração acústica, forro de teto ou caixas de roda.

Nos modelos da Fiat, um tipo de "desfiado de brim", resíduo resultante do processo da fabricação de roupa, é um dos elementos responsáveis por isolar a cabine do carro do barulho externo. Segundo José Guilherme da Silva, gerente de pesquisa e inovação em engenharia de materiais, 5% da espuma dos bancos de todos os veículos produzidos pela Fiat no Brasil utilizam um produto derivado do óleo de soja. "A utilização de matéria-prima renovável, como pó de madeira prensada, diminui a necessidade do uso de materiais de origem fóssil", complementa. Cerca de 11 toneladas de sucata e o ferro fundido, provenientes da fabricação de automóveis, são enviados para fornecedores de blocos de motor, que reciclam o aço e o refazem, devolvendo o material para a montadora.

A má notícia, entretanto, é que o material reciclado nem sempre é mais barato que o virgem. Vai depender da aplicação, como é o caso do alumínio, por exemplo. Além disso, não há nenhum tipo de incentivo ou isenção fiscal por parte do governo para as montadoras que fazem uso de material reciclável ou sustentável. "Sem contar que há pouco programas oficiais de reciclagem no País", declarou Muneratto.

Descarte do carro vira produtos novos

O processo contrário também faz parte da rotina de algumas montadoras. Volkswagen e Fiat, por exemplo, reusam material descartado para a fabricação de novos produtos. O projeto "Costurando o Futuro", da montadora alemã, reaproveita os uniformes usados dos cerca de 20 mil funcionários para a confecção de estojos, necessaires e mochilas. Em três anos, mais de 31 toneladas de tecido foram reaproveitados. Restos de cintos de segurança e de tecido do revestimento dos bancos também entram no processo.

A Ilha Ecológica da Fiat, criada em 1994 e instalada na fábrica de Betim (MG), é responsável por fazer a triagem de material descartado do processo de fabricação dos automóveis, como óleo, borra de tinta, isopor e papelão. Depois de separados, selecionados e enviados para a reciclagem, eles podem dar origem a corpo de caneta, salto de sapato feminino e capa de CD. De acordo com o fabricante, todo mês são processadas aproximadamente 14 mil toneladas. Tanto na Fiat como da Volkswagen, boa parte do trabalho de reaproveitamento é feito por cooperativas. No caso da Fiat, o site Cooperárvore até vende alguns dos produtos fabricados.

 

 

 

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