Honda Accord: muito além do que só um Civicão | Avaliação

Sedã grande mostra o que a Honda sabe fazer de melhor, indo um degrau acima de Civic e HR-V

13/08/2019 - João Brigato / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros

Na mente do brasileiro ao falar Honda provavelmente o primeiro carro que virá à mente será Civic ou HR-V. Alguns dirão Fit e City, enquanto um grupo menor se lembrará de WR-V e CR-V. Só que além dessa turma existe o Accord. Super popular nos EUA, por aqui ele fica um tanto quanto esquecido no canto da concessionária – isso quando ele tem lugar lá.

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Isso faz o Accord um carro ruim? Muito pelo contrário. Ele é como aquele restaurante chique que fica escondido em um bairro alternativo da cidade: poucos ouviram falar porque tem pouca propaganda, mas quem o conhece sempre recomenda pelos ótimos pratos, apesar do preço bem parecido com os restaurantes da moda com Mercedes e BMW estacionados na porta.

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O Honda Accord é pouco lembrado porque por R$ 204.900 a maioria das pessoas vai preferir comprar um BMW Série 3 ou um Mercedes-Benz Classe C por puro status. Ao abrir mão da grife alemã, você leva um sedã maior, mais confortável e com mais tecnologia. De brinde vai ter que explicar para todo mundo que te parar na rua que não, esse não é o novo Civic, como eu fiz muitas vezes durante a semana que passei com o Accord Touring. 

Civicão

Essa cara de Civic tamanho G se da por conta do visual semelhante entre os irmãos. Ambos têm friso cromado conectado a faróis afilados, vidro traseiro bastante inclinado que termina em uma tampa do porta-malas curta e lanternas estilo bumerangue. Só que o Accord vai um passo além na personalidade e na garbosidade. 

A grade frontal do Accord se estende por todo para-choque, por mais que a carroceria preta tente disfarçar. Por aqui, os faróis são full-LED de série, tal qual o Civic Touring, mas tem desenho mais elegante no irmão maior. A carroceria espichada com seus 4,88 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,46 de altura deixam claro que o Accord é uma barca.

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O Accord adota friso cromado que nasce nas portas e se prolonga até a traseira. As lanternas invadem mais a tampa do porta-malas e têm prolongamento na parte inferior. Para a versão Touring, única importada para o Brasil, o Accord ainda traz aerofólio discretíssimo e saídas duplas de escape instaladas em molduras falsas.

Luxo nipônico

É na cabine que o Accord começa a mostrar maior esmero que Civic, HR-V e companhia. Há superfície emborrachada em vários cantos, visual sóbrio e elegante, além de materiais bem cuidados. Por conta do seu foco no mercado americano, onde não pode custar muito caro, plásticos duros marcam presença em alguns pontos do painel. A porta traseira é um deles - mesmo truque que a Volkswagen usa no Golf. 

Há uma elegante faixa de madeira acompanhada de aço escovado complementando o painel. Para se diferenciar da geração anterior com suas desnecessárias telas duplas da central multimídia, o novo Accord ganhou uma tela grande para a central. Ela é claramente muito superior à usada no HR-V, ao mesmo tempo que é mais veloz e nítida que a do Civic.

Vale um elogio à Honda por manter o painel simples e de fácil uso, com comandos físicos para o ar-condicionado digital de duas zonas. Há até ventilação para a retaguarda que repousa sobre os macios e elegantes bancos de couro com ajuste elétrico. O painel de instrumentos é parcialmente digital, contando apenas com a parte esquerda customizável – parece a solução do Nissan Kicks, mas mais refinada.

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Outro ponto que a Honda mandou bem foi no layout dos botões do câmbio. Diferentemente de outras montadoras que usam um layout confuso ou se parecem com máquinas de lavar, a Honda adotou botões com tamanhos e modos de atuação diferentes. A ré é engatada com movimento de puxar, enquanto os outros são de apertar. Da para usar sem olhar, como em uma alavanca tradicional.

É preciso também falar do espaço interno do Accord porque ele é simplesmente gigantesco. Passageiros altos em todos os bancos conseguem se acomodar com plenitude de espaço. Da até para cruzar as pernas no banco traseiro. O teto com estilo cupê compromete a área para a cabeça dos que se sentam atrás. Também gigantesco, o porta-malas leva 574 litros de bagagem.

O melhor da Honda

Apostando em uma fórmula diferente de seus irmãos, o Honda Accord abre mão da transmissão CVT em favor de um novo câmbio automático de dez marchas. E ainda bem que ele fez isso. A transmissão é absolutamente suave e rápida. Faz as trocas de marcha cedo em favor do consumo mais baixo, mas sem ser letárgica e irritante como o CVT da Honda.

O motor 2.0 quatro cilindros turbo de 256 cv e 37,7 kgfm de torque sobra em força para o Accord. Na estrada, ele trabalha com serenidade impressionante ao manter o giro abaixo de 1.500 rpm em décima marca a 100 km/h. Mas basta cutucar o acelerador para ele retomar – isso se estiver em Sport ou normal, pois no Eco ele segura a marcha até dizer chega.

Com essa combinação, o Accord se torna um carro econômico mesmo para seus padrões de luxo e medidas. Registramos facilmente números por volta de 12 km/l na estrada mesmo a 120 km/h. Aliás, é fácil perder a noção da velocidade com ele, tudo por culpa do silencio interno e da facilidade com que o ponteiro sobe. O Accord confesa que gosta de velocidade e estradas planas. 

A suspensão e direção são durinhas, como forma de evidenciar um comportamento mais esportivo ao Accord, seguindo o Civic. No entanto, ele é muito confortável e pouco oscila em relevos, curvas e imperfeições. Pode parecer contraditório, mas o Accord consegue juntar conforto para estradas e apetite para as curvas como poucos sedãs.

Vale um adendo sobre tecnologia: o Accord é equipado com piloto automático adaptativo com sistema de manutenção em faixa. Só que o sistema é impreciso, fazendo com que o irmão do Civic fique quicando de um canto a outro da faixa ao invés de se manter no meio dela. As frenagens também são mais bruscas do que o necessário.

Conclusão

O Accord Touring é um ilustre desconhecido para muitos, um Honda caro para outros e uma alternativa pouco cogitada para Série 3 e Classe C (até para Ford Fusion). No entanto, ele mostra o que a marca japonesa melhor sabe fazer, entregando bom conjunto de itens de série, dirigibilidade quase irrepreensível para sua proposta e categoria, se não fosse pelo piloto automático adaptativo falho.

Com visual chamativo e elegante, que faz pescoços virarem na rua mesmo nessa discreta cor preta, ele não deve aos Mercedes e BMW equivalentes nessa área. O luxo não é o mesmo, mas isso é recompensado por um espaço interno latifundiário. É por isso que vale à pena dar uma chance para o Honda Accord, um sedã japonês com alma americana.

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