Honda Civic Sport manual: os 2% mais divertidos | Avaliação

Uma verdadeira pièce de résistance: o Honda Civic Sport combina diversão ao volante à cada vez mais raro câmbio manual

27/03/2019 - João Brigato / Fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

O brasileiro não é mais o mesmo. Em um país que sempre foi regido por gostos europeus, desaprendemos a apreciar um carro com câmbio manual. Para tanto, em 2018, os automáticos por pouco não venderam mais que os modelos com três pedais. A balança pesa ainda mais para o lado dos automáticos conforme a categoria (e o preço) sobe.

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Os sedãs médios são melhor exemplo disso. Chevrolet Cruze nunca teve câmbio manual nessa segunda geração. Toyota Corolla abandonou o pedal da embreagem há um certo tempo. Até mesmo o Citroën C4 Lounge, que teve uma interessantíssima versão THP manual, durou pouco. Mas, o verdadeiro resistente dessa ordem automática é o Honda Civic.

Por isso, testamos o Civic em sua versão de entrada Sport equipada com transmissão manual para entender: ainda existe espaço para um sedã médio com câmbio manual no Brasil?

Questão de números

Quantos Civic Sport você viu circulando nas ruas ano passado? Segundo a fabricante japonesa, dos 25.942 sedãs emplacados em 2018, apenas 2.853 eram Sport. Desses, 518 saíram das concessionárias com câmbio manual, mesmo sendo a versão mais barata do Civic. Os números são cruéis: apenas 2% dos compradores optaram pelo Sport manual. Tão raro, que dos três Civic Sport estacionados no prédio da redação do iCarros, somente esse era manual.

Assim como o HR-V perdeu a opção de câmbio manual quando foi reestilizado, as chances de o Civic passar pelo mesmo processo são grandes. No entanto, como o sedã médio tem pegada mais esportiva, ainda pode haver esperança. Uma delas se chama Civic Si, mas ele é cupê, importado e substancialmente mais caro que os R$ 91.400 cobrados pelo Sport manual.

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Mercadologicamente, o Civic Sport não faz sentido. Vende pouco, faz parte de um nicho de mercado encolhido e cada vez mais abandonado. Além disso, demanda produção de um componente, a transmissão manual, somente para a versão menos vendida. Mas isso não impede ele de ser muito divertido. Talvez, até mesmo, o Civic nacional mais gostoso de dirigir.

Questão de diversão

Se um carro não é só um meio de transporte para você, mas sim algo que proporciona diversão e prazer, o Civic Sport começa a fazer todo sentido. As demais versões do sedã vêm equipadas com transmissão CVT, mesmo a turbinada Touring. Isso faz com que algumas doses da diversão sejam diluídas nas relações de marcha infinitas dessa transmissão.

No Sport manual, não. Esse é o Civic para quem coloca o prazer ao dirigir como prioridade. A transmissão é curta e tem engates precisos. A manopla pequena fica facilmente à mão por conta do console central alto e forrado de tecido. Como os Honda manual são raridade, pense que a pegada é bem parecida com os Volkswagen de três pedais.

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A embreagem tem curso relativamente longo, mas peso correto para uma tocada mais esportiva. Direta, a direção poderia ser um pouco mais pesada em altas velocidades, enquanto na cidade a leveza para manobras é justa. Já a suspensão, é sensivelmente firme sem comprometer o conforto. Bem acertada, ela faz com que o Civic seja um verdadeiro engolidor de curvas. Os pneus calçados em rodas 17 polegadas também contribuem para isso.

Equipado com motor 2.0 quatro cilindros aspirado de 155 cv e 19,5 kgfm de torque, o Civic anda bem. Ele arranca com vontade, mas o motor só acorda de fato depois dos 4 mil giros. É nesse momento em que o torque máximo chega (4.800 rpm) que o Civic Sport embala com mais vivacidade.

Não vai ser um carro que vai grudar seu corpo no banco como os rivais turbinados, mas é força mais que suficiente para não fazer feio. Por falar em banco, vale um destaque: os assentos do Civic são confortáveis e permitem que o motorista se sente em posição baixa, com pernas esticadas e volante perto do corpo. O Sport se justifica além do câmbio manual.

Questão de custo

Por se tratar da versão de entrada do Civic, o Sport abre mão de alguns luxos. São os sacrifícios para ficar abaixo dos R$ 100 mil. O acabamento interno é exemplar, com superfícies emborrachadas em diversos espaços e também plásticos de qualidade. No entanto, ele comete alguns pecados.

O volante tem couro áspero e de qualidade questionável, assim como os plásticos que o revestem, que aparentam fragilidade. Não há também saídas de ar para o banco traseiro. Outra economia está nos encostos de cabeça da segunda fileira, que são costurados e imóveis como a Chevrolet fazia no Celta.

De série, ele traz ar-condicionado digital de apenas uma zona, vidros elétricos de um toque em todas as portas, retrovisores elétricos sem rebatimento, direção elétrica com ajuste de altura e profundidade, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay e freio de estacionamento elétrico. Fica faltando ainda sensor de ré, presente em carros mais baratos, já que a câmera de ré não tem boa qualidade.

O painel de instrumentos é mais simples que nos outros Civic, mas entrega leitura fácil e estilo vistoso. Seu computador de bordo é o mesmo do HR-V, que carece de recursos e uso mais fácil, já que é operado por uma vareta no painel. A central multimídia, outro item do HR-V, tem tela com pouca definição e produz alguns irritantes barulhos quando uma tecla é pressionada. Ao menos tem Android Auto e Apple CarPlay que sanam alguns problemas.

Vale destacar seu espaço interno. Apesar do visual cupê, que deixa o Civic mais esportivo, ele tem a cabine com generosa área. O porta-malas de 525 litros é maior que muitos concorrentes, mesmo com o porta-malas curto. Já para os passageiros traseiros, o Civic traz boa área para as cabeças e espaço para as pernas.

Conclusão

Feito para os que colocam o prazer ao volante como máxima, o Honda Civic Sport é um raro espécime no mercado brasileiro. Vende pouco e por isso é raro nas ruas, mas isso não apaga seu brilho. Se tirado o importado Civic Si do páreo, o Sport manual é o Civic mais divertido atualmente à venda no Brasil.

O Honda Civic Sport vem com justo pacote de equipamentos pelo que custa, apesar de algumas simplicidades e itens que podem fazer falta. Se você não pode passar de R$ 100 mil com um Civic, fique com a transmissão manual. Além de jogar a diversão lá para cima, economiza R$ 7.500, que é o que a Honda cobra pelo câmbio CVT.

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