Jaguar F-Type 2.0: ameaça para Camaro e Mustang | Avaliação

Não se engane por fato de ser somente um 2.0, o F-Type entrega muita diversão e luxo ao volante

07/03/2019 - João Brigato / Fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

Somente no mundo dos esportivos um Ford, um Chevrolet e um Jaguar custam quase a mesma coisa. Mustang GT (R$ 315.900) Camaro SS (R$ 328.990) e F-Type P300 (R$ 353.250) estão na mesma faixa de preço, categorias parecidas e querem o mesmo tipo de consumidor, aquele que desejam diversão ao volante, luxo e chamar a atenção em cada esquina que passa.

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Beleza se põe à mesa em uma bandeja de prata

O Jaguar F-Type usa uma receita diferente dos outros dois modelos citados. Ele é um cupê ao melhor estilo europeu: elegante, com tração traseira, espaço somente para duas pessoas, capô de proporções quilométricas e para-lamas traseiros tão volumosos que é possível vê-los sem o menor esforço pelo retrovisor. E ele é muito bonito. Talvez um dos carros mais belos à venda hoje no Brasil.

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As linhas da carroceria são limpas e discretas, marcando os sensuais volumes dos para-lamas. Os faróis afilados totalmente constituídos por LEDs trazem um lado moderno para o F-Type, enquanto a traseira com vidro arredondado e lanternas espichadas trazem inspiração no clássico E-Type, considerado uma referência máxima em design até hoje. No caso do F-Type, beleza se põe à mesa sim. E em uma bandeira de prata polida à mão.

Alguns detalhes de design valem a pena citar, como as maçanetas aerodinâmicas que se camuflam nas portas quando trancadas, assim como os detalhes em preto na carroceria, cortesia do pacote Black que já vem no F-Type brasileiro. Ainda vale um ponto para as rodas de liga leve de 20 polegadas com sessões de fibra de carbono complementando a pintura grafite e dando destaque às pinças vermelhas do freio.

Ronquinho de esportivo ele tem

Mustang e Camaro são mais brutais e espalhafatosos com seus motores V8, enquanto o F-Type de entrada usa um motor 2.0 quatro cilindros turbo de 300 cv e 40,7 kgfm de torque. É menos que os muscle-cars americanos, mas é exponencialmente mais que outros carros com configuração parecida. São 150 cv por litro dentro desse motor: suficiente para chegar aos 100 km/h em 5,7 segundos e colar seu corpo nos bancos.

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Mas o ronco tem também sua magia. A Jaguar conseguiu extrair o máximo possível da sonoridade de um quatro cilindros. O barulho é encorpado e grosso, indicando sua alma verdadeiramente esportiva. Não é um som de arrepiar os cabelos como os V8 da própria Jaguar, ou a límpida sonoridade do V6 da marca, mas é o suficiente para fazer com que as crianças acenem e sorriam ao passar em frente a uma escola acelerando com o escape esportivo acionado.

Elegantemente europeu, o F-Type se comporta como um lorde inglês na estrada. Firme, comportado, na mão. Só que como o humor britânico, ele sabe ser ácido quando colocado ao limite. A traseira dança para os lados somente quando ele chega ao seu ápice, e ainda de maneira totalmente controlada e divertida. É exatamente nessa hora que ele brilha mais que os muscle-cars. O Jaguar dá prazer ao dirigir sem passar a sensação de descontrole ou medo, afinal isso seria uma afronta à majestade.

Mas cuidado com os buracos e ruas tipicamente brasileiras constituídas por crateras, buracos e adjacências. O F-Type tem suspensão dura que incorpora a sua coluna como um auxílio na absorção de impacto. Não é tão duro quanto o Camaro, sendo possível conviver na cidade no dia-a-dia, mas não é tão macia quanto outros Jaguar. Outro ponto é a dianteira bicuda e baixa que vai raspar em garagens e algumas lombadas. Aqui não é uma questão de se vai raspar, mas sim quando. Sacrifícios de ter um esportivo bom de curva.

Palácio de Buckingham

Camaro e Mustang são carros com acabamento de qualidade, mas comparado ao F-Type, o Jaguar parece o Palácio de Buckingham, enquanto os muscle-cars americanos estão mais para o Palácio da Alvorada. A cabine é recheada de couro para tudo quanto é canto, e de qualidade invejável. Na unidade avaliada, o contraste entre o revestimento preto e caramelo deixou o F-Type ainda mais elegante.

Onde não há couro, ficam materiais macios e suaves ao toque. Os poucos plásticos na cabine são de qualidade e se camuflam em meio a materiais nobres. De fato, são R$ 354 mil de carro. Todos os comandos têm acesso fácil e a posição para dirigir é facilmente encontrável, especialmente por conta do volante e bancos com regulagem elétrica. Vale um adendo para os assentos esportivos que aparentam ter a mesma dureza da suspensão, mas são surpreendentemente confortáveis e tem ótimo apoio.

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Sendo um carro originário de 2013 e reestilizado em 2017, o F-Type entrega em alguns pontos sua idade. O painel de instrumentos não é digital e tem apenas uma pequena tela colorida configurável ao centro. Tem fácil leitura e grafismos bonitos, mas contrasta com modelos totalmente digitais. Já a central multimídia tem uma bela tela de alta definição, mas é confusa de usar, não tem Android Auto e nem Apple CarPlay. O GPS requer um bom estudo para ser operado e, muitas vezes, é mais fácil usar o celular mesmo.

Ao menos a lista de itens de série é bem generosa, com ar-condicionado digital de duas zonas com uma curiosa saída retrátil, faróis full-LED, assistente de manutenção em faixa, controle de largada, seletor de modo de condução, teto de vidro, câmera de ré, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, controle de tração e estabilidade, bancos com regulagem elétrica, entre outros. Ficou devendo piloto automático adaptativo, mas para um carro que tem o prazer ao dirigir como foco, pode até ser levemente perdoada a falha.

Conclusão

Belíssimo por dentro e por fora, com um ronco delicioso para as limitações de um motor quatro cilindros, com bom comportamento nas curvas e o luxo que se espera de um Jaguar, o F-Type P300 entrega o primeiro passo na escalada do esportivo britânico. É mais refinado que os brutais muscle-cars americanos, mas é menos potente e certamente perderia em uma arrancada. Contudo, o fator diversão ao volante e a inegável beleza, fazem do F-Type um esportivo para ver, ouvir e dirigir.

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