Vale trocar um Jeep Renegade Flex ou um Diesel?

Por R$ 30 mil a mais, Renegade diesel entrega o suficiente em benefícios para justificar o investimento?

30/04/2020 - João Brigato / Fotos: João Brigato / Fonte: iCarros

Desde 2015 quando foi lançado no Brasil, o Jeep Renegade é o único SUV compacto diesel disponível em nosso mercado. É dessa época também que as reclamações com o motor 1.8 E.Torq flex começaram: apesar de subdimensionado para o SUV compacto e gastão, sempre foi o mais vendido por custar menos.

Por isso foi convocada a versão Longitude Diesel do Renegade de R$ 134.990, a mais barata com motor diesel, para entender se os R$ 30 mil que a Jeep cobra apenas pelo motor diesel e pela tração 4x4 fazem dele um melhor negócio que o Renegade Longitude Flex.

Experiência

Em uma compra existem fatores racionais e irracionais capazes de determinar se uma pessoa vai ou não comprar determinado carro. No caso do Renegade Diesel a experiência sensorial da versão diesel é evidentemente mais interessante que o flex. O 2.0 MultiJet II quatro cilindros turbo de 170 cv e 35,7 kgfm de torque transforma ele em um tratorzinho.

O barulho característico do diesel é evidentemente ouvido, assim como são sentidas as vibrações no volante e nos pedais. O motor gosta tanto de vibrar como um diesel raiz, que é possível ver o capô se mexendo quando o Renegade está parado no sinal. Como a proposta é de um SUV com visual parrudo e off-road, esse fato combina ao invés de incomodar.

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Com bastante força em baixa rotação, o Renegade embala relativamente rápido, tanto na cidade quanto na estrada, e mostra o fôlego que tanto falta ao seu irmão flex. Pena que a transmissão automática de nove marchas tenha reações tão lentar e insista em dar trancos constantes nas trocas das primeiras marchas – especialmente quando o óleo da transmissão está frio.

Curioso notar no funcionamento da transmissão que o Renegade sempre larga em segunda marcha, fazendo com que sua primeira seja usada como reduzida. Outro ponto é que a nona marcha entra apenas acima de 100 km/h, garantindo consumo baixo (em nossos testes ele bateu excelentes 16 km/l na estrada).  

Exemplo

Cerca de 3 cm mais alto que o Renegade Flex, o Jeep Diesel tem suspensão elevada para encarar o off-road com mais facilidade. Isso fez com que a carroceira inclinasse um pouco mais nas curvas, além de chacoalhar com mais frequência em buracos e relevos do asfalto.

Ainda assim, o Renegade continua como exemplo a ser seguido quando falamos de suspensão, já que ele se mantém firme e controlado em curvas de alta velocidade ao mesmo tempo em que encara buraqueira e superfícies difíceis sem reclamar ou fazer barulho.

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A direção excessivamente leve nas manobras ajuda na convivência urbana com o Renegade. Ela ganha mais peso conforme velocidades mais altas são atingidas, porém ainda carece de feedback da estrada, sendo neutra e anestesiada demais.

Vale destacar que a versão diesel é a única da gama do Renegade a contar com tração 4x4. Junto ao Renault Duster e ao Ford EcoSport Storm, formam o único trio de SUVs compactos com tração nas quatro rodas à venda no Brasil, porém cada um com sua especificidade. O Renegade é o único diesel, o Duster o único manual flex e o Eco o único automático flex.

Emocional ou racional

O visual do Renegade merece um capítulo à parte. Diferentemente de outros SUVs com pegada mais urbana que da a eles uma aparência de hatch bombado, o Renegade assume de vez a postura de utilitário esportivo. Sua carroceria quadrada e com poucos vincos é inspirada no Wrangler e transmite robustez.

A dianteira com faróis full-LED e grade dividida em sete aberturas ajuda a dar um olhar afável ao pequeno Jeep. Já na traseira a novidade da linha 2020 fica por conta das lanternas de LED com desenho em X, inspirado nos galões de gasolina que o Wrangler militar levava na guerra.

Onde tem e onde falta

Por R$ 134.990, o Jeep Renegade Longitude Diesel se encaixa em um patamar de mercado em que a exigência é maior. Não atoa ele tem acabamento caprichado, com boa parte do painel totalmente emborrachada, além de couro de qualidade nos bancos. As portas mereciam plásticos duros de melhor qualidade, mas é algo passável.

O que carece ao Renegade é espaço interno. O banco traseiro é acanhado e não muito grande, dificultando a convivência de passageiros mais altos e volumosos atrás. Ao menos quem senta à frente tem boa sensação de espaço, bancos confortáveis e posição de dirigir alta que combina com a pegada trilheira do Renegade.

O porta-malas também não é dos maiores, sendo capaz de carregar 320 litros graças às mudanças no estepe. Agora o piso do porta-malas é móvel e pode criar duas áreas separadas de carga, aumentando a praticidade. Rivais diretos tem mais espaço no porta-malas e na segunda fileira de bancos.

Os custos

A lista de equipamentos da versão Longitude é boa para a categoria, contemplando itens como uma ótima central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, ar-condicionado digital de duas zonas, retrovisores elétricos, volante com ajuste de altura e profundidade, dois airbags, faróis full-LED com excelente iluminação a noite, lanternas traseiras de LED e sensor de ré.

Nessa faixa de preço, porém, fazem faltam alguns itens como chave presencial, sensor de estacionamento dianteiro, retrovisor com rebatimento elétrico, mais airbags, faróis com acendimento automático e limpadores automáticos – equipamentos restritos apenas ao Renegade Trailhawk de R$ 145.990 ou ao Limited Flex de R$ 109.990.

Outra questão de custo envolvendo o Renegade vai além dos R$ 30 mil gastos a mais pelo SUV. As cinco primeiras revisões geram custo de R$ 6.989 ao dono do Renegade Diesel, enquanto os que andam de Renegade Flex pagarão R$ 4.299.

A diferença está na quilometragem das revisões, já que ambos os modelos tem paradas obrigatórias a cada ano. O Flex tem de voltar à concessionária a cada 12 mil quilômetros, enquanto o diesel só precisa parar antes de um ano caso atinja 20 mil quilômetros rodados. Para quem pega muita estrada, o diesel se mostra bastante vantajoso.

Conclusão

Pagar R$ 30 mil a mais pelo Jeep Renegade Diesel, quando comparado ao modelo flex, não traz benefícios em equipamentos. A mecânica aprimorada com motor mais econômico, potente e torcudo, além da versatilidade da tração 4x4 combinam mais com a aura do Jeep Renegade. Custa mais caro na hora de comprar e fazer as revisões, mas quanto mais quilômetros você rodar com ele, mais será vantajoso na hora da conta e também no prazer ao dirigir.

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