VW T-Cross manual: esticaram o up! TSI | Avaliação

Pertencente a um grupo de risco de extinção, versão mais barata do SUV de entrada da marca traz diversos atributos

22/08/2019 - Texto e fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

O Volkswagen T-Cross nasceu para atender o concorrido segmento dos SUVs compactos, fatia do mercado que aprecia um visual robusto, posição elevada de dirigir e a praticidade de um câmbio automático. Curiosamente, acabo tendo em mãos a chave da versão de entrada 200 TSI do modelo, que custa R$ 84.990. Logo a versão que “peca” por ter o câmbio manual de seis velocidades. Eu explico as aspas já já.

O que ele tem de série?

Apesar de ser uma configuração de entrada, o T-Cross 200 TSI ainda é um carro de R$ 85 mil e, ainda bem, sua lista de equipamentos de série reflete isso. Entre os que mais valem destacar estão direção com assistência elétrica, ar-condicionado, acionamento elétrico de vidros, travas e portas, luz diurna de LED, rodas de liga-leve de 16 polegadas, rádio com conectividade via Bluetooth e USB, quatro alto-falantes, suporte de celular com USB de carregamento, banco do motorista com regulagem de altura e volante com regulagem de altura e profundidade.

Entre os itens de segurança, o T-Cross já sai de fábrica com seis airbags (frontais, laterais e de cortina), bloqueio eletrônico de diferencial, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis e sensor de estacionamento traseiro.

O único opcional para o T-Cross de entrada é o Kit Interactive I (R$ 1.720). Ele acrescenta dois alto-falantes na dianteira (para um total de seis, quatro na frente e dois atrás), central multimídia com tela sensível ao toque de 6,5”, espelhamento de smartphones via Android Auto ou Apple Car Play, câmera de ré e sensor de estacionamento dianteiro. O carro das fotos foi avaliado com o pacote de opcionais acima.

E a mecânica?

Reparem que o uso da palavra “mecânica” não foi por acaso. Nesta configuração o VW T-Cross tem uma transmissão mecânica de seis velocidades. Em qualquer outra configuração do SUV aparece um câmbio automático de seis marchas.

Junto à caixa está o motor 1.0 TSI turbo flex de três cilindros. O propulsor já é quase um “AP” da atual geração dos modelos VW, porque vai em tudo. Desde o pequeno up! Até as versões mais caras de Polo e Virtus, passando pelo T-Cross.

Apesar de que no hatch compacto a potência é um pouco menor, no SUV os valores são os mesmos encontrados em Polo e Virtus, com 128 cv de potência e 20,4 kgfm de torque com etanol. Com gasolina são 116 cv, mas o torque se mantém.

A suspensão do T-Cross usa sistema independente com conjuntos McPherson nas rodas dianteiras e são dotadas de barra estabilizadora. Na traseira aparece um tradicional eixo de torção com molas helicoidais e barra estabilizadora. O T-Cross tem freios a disco nas quatro rodas.

Medidas, consumo e desempenho

Nas medidas, o T-Cross tem 4,19 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,57 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. O porta-malas é capaz de acomodar entre 373 e 420 litros, variando o ângulo do encosto dos bancos traseiros. O peso declarado na versão manual é de 1.250 kg.

A Volkswagen declara dados de desempenho apenas quando o SUV está abastecido com etanol. Nesse caso, a aceleração até 100 km/h partindo da imobilidade é feita em 10,2 segundos, com velocidade máxima de 193 km/h. A marca não divulgou dados oficiais de consumo para a versão com câmbio manual do T-Cross, mas durante os testes, abastecido com gasolina e usando o carro apenas em trânsito urbano, o computador de bordo apontou 11,5 km/l.

Um up! grande

O VW up! Pode não ter sido o estouro de vendas que a marca esperava no Brasil, mas conquistou a sua legião de fãs, principalmente nas versões com o motor TSI turbo. Busque “respeite a tampa preta” no Google para ver do que eu estou falando. Só que, por mais que o hatch tenha seus bons atributos, para o uso familiar é um tanto limitado. Principalmente em termos de porta-malas e espaço no banco traseiro.

E é aí que o T-Cross manual tem seu espaço para brilhar. Contrariando a lógica, mesmo sem um dos itens mais procurados da atualidade (o câmbio automático), pode ter um espaço cativo nos corações dessa turma.

Explico: se os donos de up! apreciam o carro por seu desempenho surpreendente e qualidade construtiva, vão encontrar os mesmos atributos neste T-Cross de entrada. Uma vez que o hatch não tem câmbio automático nem como opcional (não estou considerando o automatizado I-Motion, presente apenas no up! sem turbo), creio que não vão sentir tanta falta do equipamento.

Então, se a família do “upzeiro” crescer, podem ficar tranquilos que o T-Cross manual vem ao resgate com os mesmos predicados e alguns dos defeitos do hatch. Defeitos, pois a cabine do T-Cross de entrada é de pouco esmero quando o assunto é a escolha de materiais mais requintados para a cabine.

A chaga acomete também Polo e Virtus, mas para o T-Cross o acabamento fica atrás da concorrência em termos de estilo e materiais, por mais que os arremates sejam perfeitos e sólidos, mas com a austeridade típica dos germânicos.

Guiando enfrentei o meu único problema real com o T-Cross. Não achei uma posição ideal para conduzir. Ou ficava alto para enxergar por cima do capô, ou mais baixo para que a perna operasse a embreagem com conforto. Os dois não dava e optei pela última, contando com o opcional sensor de estacionamento dianteiro. Na real, fiquei com a sensação de que o T-Cross não teve a ergonomia pensada nas pessoas que preferem passar as próprias marchas.

Tirando isso só alegria. A embreagem do T-Cross é leve, de fácil modulação, onde até mesmo alguém novo de carta conseguiria se acertar com o ponto de fricção e sair sem deixar o carro morrer. Os engates são curtos, leves e precisos. É um conjunto para realmente questionar se precisamos mesmo de câmbios automáticos em nossas vidas.

E não percebi no T-Cross as trepidações típicas do tricilíndrico turbo em baixas rotações. No último carro que andei que tinha 1.0 TSI com câmbio manual (finado Golf 1.0, que Deus o tenha), abaixo de 1.500 rpm o motor trepidava e hesitava. No T-Cross, apenas acelerações suaves. A curva de entrega de força é bem plana, apesar de que, com a pequena turbina, o fôlego vai acabar lá pelas 5.000 rpm. Aproveite o câmbio manual e adiante a troca de marcha.

Dirigindo na cidade, a austeridade teutônica do acabamento do T-Cross se mostra menos incômoda. Cheio de porta-trecos e garrafas, o SUV oferece bastante praticidade e uma boa dose de solidez passando na buraqueira.

Mas, como sabemos, os dias de VW com suspensão firme estão no passado, mesmo Polo e Virtus estão mais voltados ao conforto. Maio exemplo disso é o Jetta, que saiu de esportivo para um sedã tradicional.

No T-Cross, a mudança faz sentido. Ninguém compra um SUV pela pegada esportiva em curvas, mas sim pelo conforto de se atravessar essa grande pista de obstáculos chamada Brasil sem incômodos.

Mas não é que o T-Cross surpreende mais uma vez? Por ser um modelo de entrada com diferencial de bloqueio eletrônico e por, apesar de ser confortável e ter rolamento de carroceria nas mudanças de direção, ainda tem um diferencial de bloqueio eletrônico.

Isso não é um equipamento off-road instalado no T-Cross. Ele serve para ajudar o carro a contornar curvas e isso ele faz com maestria. Abusando do acelerador em estradas sinuosas, percebe-se a frente “puxando” o carro para dentro da curva sem fazer os pneus sofrerem, algo aferido pela ausência de assobios dos pneus em situações limítrofes.

A traseira do T-Cross, por sua vez, sente as imperfeições no meio da curva quando esta possui buracos e ondulações, situação em que o T-Cross joga um pouco a traseira para fora da curva. Mas tudo isso ocorre em uma fração de segundos e o carro não chega nem a sair do controle do motorista. Mais uma vez, me lembrou muito o comportamento do up!.

Em conclusão: o melhor carro para um público que virtualmente não existe

O Volkswagen T-Cross de entrada possui muitos predicados em performance, eficiência, itens de série e dirigibilidade, apesar do acabamento austero. Vai atender entusiastas que apreciam tais pontos positivos e não vão abrir mão de um bom câmbio manual para ter a praticidade e o maior espaço de um SUV. Uma pena que essa turma é pequena.

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