Quem não se lembra dos esportivos nacionais da década de 1990, como o Volkwagen Gol GTI, Chevrolet Kadett GSi e Ford Escort XR3? Eles eram o sonho de consumo dos jovens da época, mas foram saindo de linha pouco a pouco para dar lugar aos falsos aventureiros. No ano passado, porém, um autêntico puro-sangue nacional voltou a fazer os amantes da velocidade salivar: o Honda Civic Si.
Em uma rápida olhada, apenas a cor vermelho-sangue faz pensar que se trata de um carro rápido. As rodas de 17 polegadas, o aerofólio traseiro e os adesivos laterais são meros detalhes. Na frente, a grade é pintada na cor do carro, ao invés do cromado das versões LXS e EXS. A mesma peça ostenta um logotipo ‘Si’. A inscrição se repete na tampa traseira, no painel e nos assentos.
Dose dupla de esportividade no interior. A iluminação é vermelha, em vez do tradicional azul do Civic ‘civil’. As pedaleiras são de alumínio e o acelerador sai do chão. Os bancos possuem revestimento de veludo preto com costuras vermelhas e são verdadeiras poltronas esportivas para não deixar o corpo do motorista escorregar nas curvas. A linha vermelha se repete no volante revestido de couro, assim como na alavanca do câmbio com detalhes em alumínio. A direção também conta com os comandos do piloto automático e do som. O CD-Player tem capacidade para seis discos e MP3.
Mecânica, claro, é o grande atrativo do Si
Não é só de visual, pórém, que vive um esportivo. O carro tem de ter desempenho. O Civic Si é o típico caso de lobo em pele de cordeiro. Do Civic ele só traz mesmo a carroceria e o painel, já que debaixo da carcaça mora um carro de corrida. O ronco do motor de 2 litros de 16 válvulas movido a gasolina já anima em marcha lenta. A potência máxima de 192 cv só aparece aos 7.800 rpm e é em altas rotações que ele gosta de trabalhar.
Trocando as marchas antes dos 2.500 rpm, o veículo se comporta como um sedã comum, mas aos 3.000 rpm, atinge seu primeiro pico de torque (ver a curva na galeria de fotos). O carro dispara e o grave uivo do propulsor invade a cabine. O segundo pico vem com o torque máximo de 19,2 kgfm a 6.100 rpm. É próximo das 8.000 rotações por minuto que uma luz pisca ao lado do velocímetro mandando trocar de marcha.
Os engates são bem precisos. Só a terceira marcha, a mais longa, é que pena um pouco para entrar. Com ela, os 100 km/h já ficaram para trás. Se houver espaço para engatar a sexta, é possível que o carro possa passar dos 200 km/h. Uma pena que a Honda não divulgue os dados de desempenho e consumo. Faz falta um computador de bordo para ter pelo menos uma idéia do apetite.
Nas curvas, a segurança é garantida pelo diferencial com deslizamento limitado, que corrige a rota caso o carro saia de frente ou de traseira – a tração é dianteira. A suspensão dura, baixa e independente nas quatro rodas já mantém o carro na linha e somente forçando é que se sente o equipamento agindo. O Civic Si também conta com os sistemas de controle da estabilidade e de direção eletricamente assistida, tornando-a mais leve em baixas velocidades e precisa em altas. O controle de estabilidade pode ser desligado em um botão ao lado esquerdo do volante. Sem ele, um triângulo amarelo acende no painel para alertar o motorista.
A segurança também está presente nos freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem, mas em contrapartida, há apenas dois airbags. As bolsas laterais e de cortina deviam estar presentes. A frenagem é tranqüila e segura o carro rapidamente, mesmo em altas velocidades, como em um bom carro de corrida.
Uso diário não é recomendado
Se você tem os R$ 99.500 para comprar um Honda Civic Si, não espere usar o carro no dia a dia. Apesar de se comportar bem em rotações mais baixas, o esportivo gosta mesmo é de andar rápido. O motor parece incomodado com congestionamentos e não mostra fôlego em saídas de semáforo.
O intuito do modelo não é servir à família, pois o Si sofre do mesmo problema encontrado nos Civic ‘civis’. O porta-malas tem 340 litros e é baixo demais, prejudicando bagagens mais altas. O espaço para os passageiros, pelo menos, é abundante para quem vai atrás e na frente.
Passar em ruas esburacadas é outro obstáculo. Os pneus 215/45 têm o perfil muito baixo e podem danificar as rodas rapidamente e, até mesmo, criar bolhas. Aliados à suspensão esportiva, fazem com que os passageiros sintam cada ondulação do asfalto. Para o uso diário, é preciso ter um segundo carro e deixar o Si para as aceleradas do fim de semana.
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