Teste Gol Turbo 1.0 16V

Gol 1.0 Turbo 16V

Versão atômica do gol faz de zero a cem em menos de dez segundos e vai a 195 de final, mas sem jamais perder a ternura de andar fácil no transito. Duas personalidades que se completam com perfeição.

18/12/2001 - Redação / Fonte: iCarros

 
 
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Existe um detalhe meio perverso em um motor de tão pequena cilindrada e tanta potencia, como é o caso dos 112 cv do Gol Turbo. Sim, pois ele surpreende o tempo todo com sua aspiração forçada, e um Mil não tem direito de ser tão forte.

Um turbo funciona por injetar mais ar, ou seja, oxigênio, na combustão. Para isso o turbo usa a energia que seria desperdiçada no escapamento. É só por a mão no tubo de escapamento com o motor funcionando, mesmo em marcha lenta, para sentir que ali há uma energia contida na coluna de gases. Logo é fácil entender que essa energia pode impulsionar uma turbina, que é uma espécie de ventilador, para prover mais ar à injeção e produzir maior potencia.

Os 112 cavalos surgem também em forma progressiva por contar o motor EA111 com um sistema de comando variável, que adianta o tempo das válvulas para favorecer comportamento em baixas rotações, onde se passa a maior parte da vida real. Assim o motorzinho tem uma disposição invejável para acelerar em qualquer situação de transito normal, quase parecendo um dois litros, e ao mesmo tempo tem um torque intenso, já que o turbo acelera e fornece impulso em rotações mais baixas que aquelas onde um dois litros é forte. Ou seja, este é um motor que pensa que é um dois litros, mas que às vezes se comporta como um mil, principalmente quando o consumo for importante. Cabe aqui uma ressalva quanto à manutenção deste motor tão potente: como em qualquer máquina esforçada aos limites máximos de sua resistência, é preciso ter certos cuidados com sua sobrevivência, como deixa-lo esquentar parado, não importando o que a fabrica diz, bem como trocar freqüentemente o lubrificante e usar o melhor óleo possível, de preferência sintético. É preciso lembrar a potencia alta derivada de uma cilindrada reduzida.
Os resultados são impressionantes: zero a cem por hora em 9,5 segundos, 195 de final e retomadas inacreditáveis. Reacelerar de velocidades baixas é um prazer, desde que haja um pouco de rotação, acima de 1.500 rpm. É nessa velocidade que o turbo “acorda” e tudo acontece. Abaixo disso é meio fraco, como seria de esperar, mas nada que prejudique a imagem do carro, mesmo porque é preciso ter em mente que ele é um 1.000 cc que ruge. Mas para rugir tem que girar um pouquinho.

No mais o Turbo tem um acabamento bastante bom sem ser extraordinário, pois há que lembrar a condição de carro, que tem um custo limitado por ser um popular, afinal de contas. O conforto é razoável, o espaço é igual aos outros Gol e tudo está de acordo com a proposta do carro.

O comportamento dinâmico está em alta, com a suspensão mais bem regulada e os pneus Pirelli P 6000 bem aplicados. O Turbo é estável e bom de curvas, embora pudesse ser um pouquinho mais firme de amortecedores, mas o compromisso de maciez e estabilidade está muito próximo do perfeito, bem como a alavanca de cambio. Ela melhorou muito em relação aos Gol recentes e tem firmeza e precisão admiráveis, embora não seja uma alavanca de cambio dos Gol dos anos 80, que eram perfeitas.
Em suma, se não fosse o preço um pouco salgado este carro seria perfeito, mesmo com as leves reações de torque no volante nos momentos de aceleração total. Mas afinal de contas para que um carro turbinado que não faz nenhuma malcriação?

Ficha Técnica
Potência: 112cv
Torque: 15,8kgm
Aceleração 0-100km/h: 9,6s
Velocidade Máxima: 192km/h
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