05/11/2021 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Há ainda alguma confusão sobre fontes emitentes.
Se considerado o conceito correto de poço-à-roda, em que se avalia não só o que sai pelo escapamento (zero, no caso de veículo 100% elétrico), mas também a fonte de geração da energia primária, calcula-se em torno de 30% a responsabilidade do transporte terrestre por mudanças climáticas e aumento da temperatura média do planeta.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climáticas, entre 31 de outubro e 12 de novembro, em Glasgow (Escócia), objetiva combater ao máximo o aquecimento global, incluindo o metano que tem maior origem na pecuária.
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Os países querem estimular a eletrificação acelerada da frota de veículos leves como forma de restringir a dependência mundial de combustíveis fósseis. China, Rússia e Índia, porém, nem estão em Glasgow.
Fala-se em US$ 4 trilhões de investimentos em energia elétrica solar e eólica para substituir petróleo e gás, globalmente, mas falta saber de onde virá o dinheiro.
A Agência Internacional de Energia preconiza uma redução de 75% na demanda por petróleo até 2050, em referência a 2019.
Porém, outras fontes acreditam que se a demanda for a mesma ao final destes 31 anos já se teria um resultado a comemorar. O segundo cenário parece mais provável, pois países de média e baixa renda não dispõem de recursos a investir.
Para adoção em massa de carros elétricos é preciso superar o gargalo do número de pontos de recarga.
Além disso, estudo recente da consultoria Anderson Economic Group apontou custos, nos EUA, até 50% superiores para recarregar um elétrico em postos públicos em relação a um veículo com motor a combustão.
E ninguém arrisca estimar qual será o preço da eletricidade em 2050.
No Brasil, foi criado na semana passada o movimento Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono (MSBC), iniciativa da AEA, Anfavea, SAE, Sindipeças e Unica (associação da indústria de cana-de-açúcar).
O objetivo é ampliar os esforços do País para reduzir emissões de gás carbônico e apoiar a integração de três programas federais que têm, como objetivo central ou acessório, estimular a diminuição do consumo de combustíveis: Proconve, RenovaBio e Rota 2030.
O MSBC apoia o conceito de poço-à-roda para as iniciativas governamentais, adoção rápida de soluções de baixo carbono, colaboração brasileira com outros países que perseguem os mesmos objetivos e desenvolver um plano de implementação.
Ao lançar o movimento, houve o cuidado de não estabelecer uma rota tecnológica específica.
Mesmo porque no cenário mais provável para 2035, no estudo da consultoria BCG, 78% da frota circulante brasileira de automóveis e comerciais leves teria motores flex, 2% a gasolina e 2% a diesel.
O restante seria de híbridos leves, convencionais e recarregáveis (13%) e de elétricos a bateria (5%).
No entanto, sabe-se que carros híbridos flex mostram um caminho mais interessante, se abastecidos com etanol de segunda geração capaz de neutralizar 100% de emissões de gás carbônico, do poço-à-roda. Está aí uma boa rota.
A Volkswagen, por exemplo, acaba de anunciar parceria com Shell e Raízen. Pode ser o impulso para o novo etanol. A fabricante está desenvolvendo híbridos flex no Brasil. Não se limitará, portanto, a apenas importar modelos elétricos como os ID.3 e ID.4.
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