24/03/2022 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Karl Albert Abarth nasceu em 15 de novembro de 1908, em Viena, no então conhecido Império Austro-Húngaro. Com 11 anos de idade já mostrava interesse em velocidade.
Reza a lenda que colocou cintos de couro nas rodas de madeira de seu patinete para vencer os meninos mais velhos da vizinhança. Mudou-se para a Itália em 1934 e se naturalizou italiano com o nome de Carlo Alberto Abarth.
No mesmo ano, no comando de uma moto com sidecar, conseguiu ser mais rápido que o famoso trem Expresso do Oriente entre Viena e Ostende (Bélgica) numa distância de 1.370 km. Foi piloto de motocicleta, mas abandonou a carreira após um acidente grave.
Tornou-se um nome respeitado como empreendedor e construtor de automóveis de rua, de corrida e de quebra de recordes de velocidade. Foi diretor de competições da Cisitalia. Em 1949, criou juntamente com Armando Scagliarini, pai do piloto da Cisitalia, Guido Scagliarini, a Abarth & Co., em Bolonha. Dois anos após mudou a sede para Turim.
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Abarth & Co.
Desde o começo o emblema da Abarth foi um escorpião estilizado sobre um fundo em amarelo e vermelho. A explicação simples: signo astrológico do fundador.
A aproximação com a Fiat, também sediada em Turim, começou já em 1952. O Abarth 1500 Biposto tinha mecânica Fiat. Desde então construiu ou modificou mais de 40 modelos que não se limitaram a produtos Fiat. Entre as fabricantes e estilistas/encarroçadores para os quais a Abarth desenvolveu projetos, sempre focados em alto desempenho, estavam Alfa Romeo, Autobianchi, Bertone, Lancia, Pininfarina, Porsche, Simca e Zagato.
A atividade básica da empresa eram os famosos sistemas de escapamento, com acerto sonoro específico. Os modelos de competição que construiu, pacotes de desempenho para as marcas citadas e nem as séries limitadas davam retorno financeiro suficiente.
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Durante os primeiros 20 anos fabricou mais de 3,5 milhões de escapamentos, segundo Enciclopédia do Automóvel publicada no Brasil pela Quatro Rodas (original Quattroruote-Domus e De Agostini).
Venda da Abarth para a Fiat
Em 1971 Carlo Abarth vendeu a Abarth & Co. para o Grupo Fiat que a transformou em um departamento de competições. Dez anos depois a Abarth deixou de existir como empresa, mas o seu nome continuou associado a modelos de maior desempenho da própria Fiat e de suas subsidiárias Lancia e Autobianchi. Em 2007 a Abarth & Co. S.p.A renasceu como subsidiária integral do Grupo Fiat.
Atualmente a Abarth oferece dois produtos, ambos tendo como base o Fiat 500: o 595 e o 695 Esseesse, este como série especial de 1.390 unidades. Há também o 124 Rally (apenas para competições) que na realidade é um Mazda MX-5.
Carlo Abarth voltou para Viena, onde faleceu em 1979, pouco antes de completar 71 anos.
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Automobilismo trouxe Simca Abarth ao Brasil
Segundo o especialista Napoleão Ribeiro, três unidades do cupê Simca Abarth foram importadas em 1964 como carros de teste com apoio da filial brasileira. No mesmo ano também chegaram um Porsche Carrera 2, um Alfa Romeo Giulia TIS e um Fiat Abarth 850 TC.
Os Simca Abarth estrearam na prova 3 Horas de Velocidade, em Interlagos, em 30 de agosto de 1964. Conseguiram, facilmente, a primeira e segunda colocações (Jayme Silva e Ciro Cayres) pois seu desempenho era muito superior aos modelos existentes no automobilismo brasileiro da época.
O motor traseiro de 2 litros desenvolvia potência bem maior que os Willys Interlagos, Renault Alpine A110, Karmann-Ghia Porsche e GT Malzoni da época.
Não tiveram vida fácil porque corriam com a cobertura de liminares da Justiça, já que adversários questionavam a importação. Na realidade, estavam inconformados pois tinham pouca chance nas pistas.
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No total os Simca Abarth disputaram 12 provas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Vitória e venceram nove vezes. Em 1965 foram enviados de volta para a Europa.
De forma indireta a Abarth teve outra ligação com o Brasil. Quando o Fiat 147 foi lançado no Brasil, em 1976, utilizava um motor exclusivo para o País com 1.049 cm³ de cilindrada. Esse motor, conhecido como Fiasa, foi projetado pelo engenheiro Aurelio Lampredi, ex-Ferrari, que assumiu o comando da Abarth quando a Fiat comprou a empresa de seu fundador.
Entre 2002 e 2008 cerca de 4.000 unidades do Fiat Stilo Abarth (motor de cinco cilindros, 2,4 litros e 167 cv) foram produzidas no Brasil. Havia apenas um discreto adesivo na tampa traseira para identificá-lo, mas sem qualquer modificação mecânica ou estilística. De 2014 a 2015 veio do México o 500 Abarth, dessa vez sem o emblema Fiat.
A Fiat anunciou a volta da Abarth ao Brasil, agora como marca, com até três produtos. No último trimestre deste ano estreia o Pulse Abarth do qual só divulgou fotos.
O segundo modelo deverá ter como base o SUV cupê maior que o Pulse, esperado para este ano, mas a versão Abarth pode ficar para 2023. O terceiro modelo não foi definido. O Abarth 595 importado é uma possibilidade.
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