27/06/2022 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Apesar de o Parlamento Europeu ter aprovado, dia 8 último, um projeto de proibir a venda de motores a combustão a partir de 2035 nos países da União Europeia, há alguns obstáculos a superar.
Sem dúvida, o rumo está correto em direção aos carros elétricos, mas o ritmo de substituição ainda parece incerto. Acelerar a transição pode criar problemas e obstáculos como montar uma rede de recarga rápida e ultrarrápida o mais pulverizada possível, a dependência de metais para as baterias de íons de lítio e o preço das próprias baterias.
De acordo com a agência de notícias Reuters, o ministro das Finanças da Alemanha, Christian Lindner, afirmou durante uma conferência em 21 de junho “que continuaria a haver nichos para motores a combustão, a proibição estava errada e o governo discordaria desta legislação europeia”.
Alemanha é a maior economia da Europa e uma declaração deste peso possivelmente terá o poder de flexibilizar as metas. As decisões finais neste bloco econômico dependem de aprovação unânime dos 27 países membros.
Logo após a votação no Parlamento Europeu, a ACEA (sigla em francês para Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis) liberou um comunicado pouco amistoso em que a apoia a meta de redução de 50% das emissões de CO2 até 2030, mas não de 100% em 2035. Combustíveis sintéticos neutros em CO2 em motores a combustão estariam entre as alternativas.
“Nossa indústria está no meio de um grande impulso para veículos elétricos, com novos modelos chegando de forma constante. Mas, dada a volatilidade que enfrentamos globalmente, qualquer regulamentação de longo prazo que vá além desta década é prematura neste estágio inicial. É necessária uma revisão transparente no meio do caminho para definir as metas pós-2030.”
As posições da ACEA, sediada em Paris, seguem o pensamento da maioria dos 16 associados, incluindo produtores de caminhões e duas marcas não europeias (Toyota e Hyundai).
A Stellantis, porém, preferiu se desligar da ACEA no final deste ano e lançar logo no início de 2023 um fórum próprio anual que chamou Liberdade de Mobilidade. Trata-se de uma clara cisão (não apresentada como tal) do quarto maior produtor mundial de veículos.
Carlos Tavares, presidente da Stellantis, afirmou: “Neste fórum público vamos abordar as principais questões em torno da mobilidade descarbonizada e fornecer os próximos passos para tomarmos juntos.”
E como fica o Brasil neste debate? A VW, a própria Stellantis e a Toyota vislumbram para o País uma solução de descarbonização que inclui o etanol.
Em encontro com a indústria de autopeças, no último dia 20, o presidente da Toyota para América Latina, Masahiro Inoue, disse que “o etanol é um combustível renovável maravilhoso, e podemos mostrar ao mundo que a tecnologia de híbridos flex é uma opção para a descarbonização. Precisamos avançar para outros mercados da região e outros continentes, como demonstram os estudos que a Índia está realizando”.
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