10/02/2026 - / Fonte: iCarros
O acordo UE-Mercosul, assinado após mais de duas décadas de negociações, finalmente começou a gerar impactos concretos no setor automotivo brasileiro em 2025.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, reconheceu que o texto traz oportunidades reais, especialmente para exportações de componentes como motores e transmissões, mas também alertou para os desafios de competitividade que a indústria nacional terá que superar nos próximos anos.
Enquanto alguns setores celebram a abertura ao mercado europeu, o automotivo enfrenta um cenário de incertezas que exige adaptação rápida.
O que prevê o acordo UE-Mercosul e quando ele entra em vigor?
O acordo UE-Mercosul entre União Europeia e Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) elimina tarifas de importação em mais de 90% dos bens industriais, com transição gradual que pode durar até 15 anos. Para o setor automotivo, isso significa redução progressiva de impostos para carros, peças e componentes europeus, começando com cotas iniciais e chegando ao zeramento em etapas.
Do lado europeu, o Mercosul ganha acesso preferencial para produtos agrícolas e também para autopeças de maior valor agregado. A entrada em vigor depende de ratificação pelos parlamentos nacionais e pela UE, mas partes do acordo Mercosul UE já começam a valer de forma provisória a partir de 2026. A expectativa é que o acordo completo esteja plenamente operacional entre 2027 e 2030, dependendo da velocidade de aprovação em cada país.
Oportunidades para exportação de componentes brasileiros
Igor Calvet destacou que o acordo UE-Mercosul pode abrir portas importantes na Europa para exportações de motores e sistemas de transmissão produzidos no Brasil. Montadoras como Volkswagen, Stellantis e General Motors já têm fábricas locais com capacidade para esses itens, e a redução de tarifas na UE pode aumentar o volume exportado significativamente.
Além disso, a entrada de autopeças europeias mais avançadas deve elevar o nível tecnológico dos veículos fabricados no Mercosul. Isso inclui sistemas eletrônicos, componentes de segurança e tecnologias de eficiência energética que hoje dependem de importação cara. O setor de autopeças, que emprega centenas de milhares de pessoas, pode ganhar escala ao se integrar melhor às cadeias globais da UE.
Desafios de competitividade para a indústria brasileira
Apesar das oportunidades, Calvet foi direto ao afirmar que “não há clareza ainda de todos os impactos que podem acontecer no Brasil”. A abertura gradual a produtos europeus pode intensificar a concorrência interna, especialmente em segmentos onde a indústria local tem custo mais alto ou menor escala.
Carros importados da UE devem chegar com preços mais competitivos em médio prazo, pressionando as montadoras que produzem no Brasil. Isso pode exigir investimentos pesados em automação, redução de custos e qualificação profissional para manter as fábricas viáveis. O presidente da Anfavea reforçou que o setor tem “pressa” para se adaptar, mas também “desafios de competitividade nos próximos anos”.
A transição não será imediata: cotas iniciais e prazos longos dão tempo para ajustes, mas o risco de perda de mercado interno preocupa fornecedores e sindicatos.
Posicionamento das montadoras e o papel do governo
As montadoras instaladas no Brasil têm opiniões mistas. Algumas, como Volkswagen e Stellantis, já exportam componentes e veem o acordo Mercosul UE como chance de ampliar mercados. Outras, mais focadas no mercado interno, temem maior pressão de importados.
O governo brasileiro, ao assinar o acordo, enfatiza benefícios para o agronegócio e bens de capital, mas reconhece que o setor automotivo precisará de políticas industriais robustas para não perder competitividade.
A Anfavea defende incentivos à inovação, redução de carga tributária sobre insumos e programas de qualificação. A entidade também cobra clareza nas cotas de importação e nos prazos de transição para que as fábricas possam se preparar sem perdas abruptas.
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