07/02/2020 - João Brigato / Fotos: João Brigato / Fonte: iCarros
Na culinária alemã não há nada mais típico que o schinitzel, prato composto por um empanado de carne de porco servido com batatas e geleia (geralmente de frutas vermelhas). É como o arroz com feijão dos brasileiros, um prato que todos sabem fazer, mas quando há um tempero diferente se torna algo verdadeiramente bom. Assim é o novo Audi Q3.
Último modelo da Audi a adotar plataforma modular, o Q3 é o carro mais vendido da marca no Brasil e em diversos países no mundo. Sendo um SUV compacto de luxo, ele não tem vida fácil, afinal Mercedes-Benz GLA, Volvo XC40, Lexus NX, BMW X1 e mais um monte de rivais que não são oferecidos no Brasil tentam roubar atenção.
Por ser a porta de entrada de uma marca de luxo como a Audi, o Q3 ainda tem de enfrentar versões sofisticadas de SUVs médios generalistas. Não é fácil se destacar nessa faixa que vai dos R$ 179.990 cobrados pela versão Prestige até os R$ 209.990 do Q3 Black testado pelo iCarros.
Personalidade
Para seduzir, o Audi Q3 2020 apostou na modernidade, tanto visual quanto de equipamentos. Se a antiga geração parecia um tanto quanto genérica e sem personalidade, o novo SUV parece mais robusto e refinado. Ficou mais longo, largo e um tiquinho mais baixo, ajudando a dar uma postura mais robusta e esportiva.
A carroceria é decorada por linhas fortes, em especial na lateral onde são formados ombros logo acima das caixas de roda. Em especial na versão Black que tem grade frontal preta, a dianteira do Q3 se destaca pelo olhar agressivo e com personalidade.
Já a traseira finalmente deixou de lado a lanterna montada totalmente na tampa traseira, a qual obrigava à criação de uma segunda lanterna no para-choque em forma de barra luminosa, item que pesava o conjunto. Apesar disso, o desenho geral da traseira parece prestar uma homenagem ao Q3 original, ainda que mais anguloso e atraente.
Grades por todos os lugares
Só que é no interior que o novo Audi Q3 se destaca. Antes a ergonomia não era das melhores, com comandos do ar-condicionado muito baixos e central multimídia retrátil um tanto quanto datada, além do visual geral parecer de um A1 com um pouco mais de altura ou com toques meio genéricos.
Não há uma única lembrança do que já foi a cabine do Q3. Ele agora transmite personalidade e alguns criativos toques de design. Um dos destaques é a belíssima maçaneta que se integra ao friso da porta, podendo ser aberta de duas maneiras diferentes. Outro ponto é a área em plástico preto brilhante delimitada por um friso cinza que imita a grade frontal.
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A central multimídia fica bem ao centro dessa moldura, trazendo conectividade com Android Auto e Apple CarPlay. Ela é rápida e fácil de usar, além de ter boa definição. Não tem a resposta tátil do irmão maior Q8, mas não é algo que atrapalhe ou tire o brilho do sistema.
Ficou faltando apenas GPS de série que seria integrado ao painel de instrumentos totalmente digital, algo que o Volkswagen Polo GTS, com o qual o Q3 divide o motor, já traz de série. Com isso, o painel, apesar de vistoso, não apresenta muitas funções além do básico. Ao menos tem dois modos diferentes para visualização dos instrumentos.
Amplitude
O acabamento é o que se espera de um Audi, com muitas superfícies revestidas de material macio, especialmente nas portas (dianteiras e traseiras) e parte superior do painel. Apesar disso, há mais plástico do que antes. Atrás do puxador das portas é plástico duro, assim como na região inferior das portas, revelando um acabamento no nível de um VW Golf.
Para ajudar na sensação de sofisticação, o Audi Q3 Black pode ser equipado com acabamento de Alcântara nas portas e painel nas cores laranja, marrom ou preto. Por R$ 4.000 parece um tanto quanto caro demais por um detalhe visual, especialmente pela presença de Alcântara nos bancos como item de série nessa variante.
Um dos pontos em que o Audi Q3 mais ganhou foi em espaço interno. A antiga geração era apertada para quem sentava atrás, algo que foi resolvido no novo SUV. Há espaço para as pernas e cabeça, mesmo em caso de passageiros com mais de 1,80 m de altura. O banco traseiro é deslizante, podendo ampliar o porta-malas de 530 litros para 675 litros.
Velho conhecido
Enquanto na Europa o Audi Q3 já é equipado com o novo motor 1.5 TFSI mais eficiente e moderno, o Brasil continua com o já conhecido 1.4 TFSI de 150 cv e 25,5 kgfm de torque. É o mesmo motor que está em diversos Audi como A3 e A3 Sedan e nos Volkswagen, como T-Cross, Polo GTS, Tiguan, Virtus GTS e Jetta.
A diferença é que agora o motor bebe apenas gasolina, algo que deve beneficiar o consumo do SUV (ainda não divulgado pela Audi). Ele é casado com a transmissão automatizada de dupla embreagem S-Tronic de seis marchas.
O conjunto é bem acertado e da conta do recado no Q3 sem faltar ou sobrar. A Audi decidiu adotar um acerto mais conservador no SUV compacto, fazendo com que a entrega de torque e potência fosse mais linear e confortável. Até mesmo a transmissão entrou nessa, tendo trocas mais lentas em rotações mais altas para preservar o conjunto e o conforto.
Apesar disso, o Audi Q3 está longe de ser um SUV devagar: ele atinge os 100 km/h em 9,3 segundos e só para de acelerar aos 207 km/h. As retomadas são rápidas e a transmissão reduz prontamente as marchas para fazer o motor encher e ganhar velocidade.
Apesar de ser um carro alto, o que (em tese) faz dos ventos laterais um problema, o Audi Q3 consegue lidar muito bem com velocidade alta, se mantendo estável sem solavancos ou oscilação acentuada da carroceria. Mesmo em curvas mais fortes o SUV se dá bem, mostrando um comportamento previsível com pouca tendência de sair de frente.
A suspensão é voltada para o conforto e mesmo com grandes rodas de liga-leve de 19 polegadas o Audi Q3 parece habituado a um off-road leve. O conjunto filtra bem as imperfeições do solo e faz com que viagens longas em terreno acidentado não sejam sacrifício para o menor SUV da Audi no Brasil.
Conclusão
Além de ter a missão de suceder o Audi mais vendido do Brasil nos últimos anos, a segunda geração do Q3 tem também de enfrentar rivais armados até os dentes com muita tecnologia e sofisticação. Era a atualização que faltava ao Audi para ganhar novamente destaque, justamente o tempero que faltava ao schnitzel da Audi. Para quem já era fã do Q3, o novo modelo é prato cheio.
Em suma, o Audi Q3 2020 é um SUV que atenderá aos anseios de quem quer um modelo aventureiro, pratico, refinado e tecnológico com personalidade (finalmente). A dica é apostar na versão intermediária Prestige Plus de R$ 189.990 que entrega a melhor relação custo-benefício da linha.
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