Avenger: o Dodge, não Vingador, que fracassou na bilheteria

Dodge Avenger nasceu como cupê, quase se tornou um SUV e teve seu ultimato como um sedã

26/04/2019 - João Brigato / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros

Antes que pense, aqui não há spoiler do filme Vingadores: Ultimato, mas sim a história de um carro da Dodge com o mesmo nome. Lançado em 1994 como um cupê, o Dodge Avenger quase se transformou em um SUV no meio do caminho, antes de passar por uma última temporada como sedã. Diferentemente do filme, ele não foi um sucesso de bilheteria.

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Cupê meio Mitsubishi

Nos anos 1990, Chrysler e Mitsubishi eram parcerias no desenvolvimento de modelos. Diversas plataformas, tecnologias e até modelos inteiros eram compartilhados por elas. Justamente o Avenger era um exemplo disso. Ele foi lançado em 1994 como modelo 1995 e trazia a mesma plataforma de tração dianteira dos Mitsubishi Eclipse e Galant.

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Com o Avenger, a Dodge criava um substituto para o envelhecido Daytona e começava a tomar o lugar do Stealth, que nada mais era que um Mitsubishi 3000GT/GTO rebatizado. O novo cupê tinha 4,83 m de comprimento, 1,75 m de largura e 1,34 m de altura. Maior que um Toyota Corolla, ele chega próximo ao porte de carros como Ford Fusion, mesmo tendo apenas duas portas.

Ele foi oferecido com motores 2.0 quatro cilindros aspirado de 150 cv e 18,3 kgfm de torque, que foi usado pelo PT Cruiser e pelo Mitsubishi Eclipse no Brasil. Havia também o V6 2.5 com 163 cv e 22,5 kgfm de torque. As transmissões eram manual de cinco marchas ou automática de quatro.

Em estilo o Avenger seguia o típico design Dodge e Chrysler dos anos 1990. Dianteira avançada, carroceria arredondada e linhas discretas. A dianteira era marcada pela grade frontal posicionada na parte inferior do para-choque como no Viper. As luzes de seta ficavam no para-choque. Já a traseira contava com enormes lanternas conectadas.

Quase SUV

Em 2000, o Avenger cupê já não estava mais no mercado norte-americano. O nome foi resgatado somente em 2003 durante o Salão de Detroit. Agora em forma de SUV, o Avenger antecipava o design que viria a ser aplicado no Caliber, o substituto do Neon. Apesar da idade, ele trazia linhas que seriam usadas mais de 10 anos depois nos SUVs cupê.

A carroceria era volumosa e quadrada, com para-lamas bem marcados e cortes secos em todos os vincos.  Com ressaltos na parte superior, o teto tinha queda típica de cupê, com vidro bastante inclinado e tampa do porta-malas criando um terceiro volume discreto.

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Ele vinha equipado com motor e câmbio do Dodge Intrepid: um 3.5 V6 de 260 cv e 36,6 kgfm, além de transmissão automática de apenas quatro marchas. Em medidas, ele era mais 8 cm curto que o Avenger cupê (4,75 m), 8 cm mais largo (1,83 m) e 27 cm mais alto (1,61 m).

Ultimato como sedã

O renascimento do Avenger aconteceu em 2007 quando a Dodge voltou a usar o nome em seu modelo de entrada. Posicionado como rival de Ford Fusion, Honda Accord e Toyota Camry, o novo Dodge Avenger continuava a usar plataforma Mitsubishi, dessa vez a mesma que da vida ao Lancer, Outlander, além da primeira geração do Jeep Compass e Dodge Journey.

Seu estilo era nitidamente inspirado no Charger, quase como uma miniatura dele. A dianteira é marcada pelos faróis e grade frontal formando um conjunto único. Com ombro marcado por um grande vinco, a lateral era seu ponto mais conectado ao irmão maior. Havia também para-lamas ressaltados como era moda na época. Na traseira, desenho limpo e lanternas grandes.

Em 2011, após a criação do grupo FCA, o Avenger ganhou novos para-choques, grade dianteira reformulada, lanternas traseiras com elementos 3D e uma reforma grande no interior. O modelo sempre foi criticado pelo acabamento ruim lotado de plásticos baratos. Na mudança, ele ganhou materiais de mais qualidade, incluindo plásticos emborrachados.

As medidas, no entanto, não eram tão diferentes assim da primeira geração. São 4,84 m de comprimento, 1,82 m de largura e 1,49 m de altura. Os motores podiam ser 2.0 quatro cilindros gasolina ou diesel, 2.4 quatro cilindros a gasolina, V6 2.7 e 3.5 de origem Mitsubishi ou, em seus últimos anos, o Pentastar V6 3.6.

Entre as opções de transmissão, ele trazia manual de cinco marchas, automático de quatro ou seis marchas, além de um dupla embreagem de seis marchas. Cada opções dependia do ano e do motor associado.

Ao todo em sua vida como sedã, o Avenger vendeu 543.385 unidades entre 2007 e 2014. Seu melhor ano foi em 2012, logo após as mudanças visuais onde conseguiu vender 96.890 unidades. Ele não conseguiu superar seu antecessor Stratus em vendas. Inclusive seu primeiro ano de vendas foi mais fraco que o último do Stratus.

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