BMW 503 e 507: clássicos que marcaram época

Apresentados no Salão de Frankfurt, em 1955, modelos ajudaram a mudar a imagem da montadora alemã

28/08/2021 - Redação / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros

Em 1955, a Alemanha ainda estava em processo de recuperação, após a derrota do país na Segunda Guerra Mundial, e sua indústria automobilística focava no mercado externo, onde estava a grande maioria dos compradores para seus modelos mais caros. E, para conquistá-los, era preciso impressionar.

Daí que, enquanto em seu “quintal”, a marca bávara lançava sua versão da pequenina baratinha (com duplo sentido) BMW-Isetta (igual à “nossa” Romi-Isetta), no Salão Internacional do Automóvel de Frankfurt ela mostrava ao mundo que era capaz de produzir carros bem mais potentes, bonitos e sofisticados: os modelos 503 e 507. 

Criados pelo designer Albrecht Graf Goertz, ambos eram equipados com um parrudo (para a época) motor V8 de 3.200 cilindradas, que gerava 140cv (no 503) e 150cv (no 507) de potência. Força suficiente para levar os carros às velocidades máximas de 190 km/h e 220 km/h, respectivamente. 

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Parecidos em mecânica (herdados do modelo 502, o “Anjo Barroco”), os dois carros tinham estilos bem diferentes. Enquanto o 503 tinha as linhas mais clássicas do que, mais tarde se convencionaria chamar de Gran Turismo (GT), o 507 era um roadster instigante com um desenho que o colocaria para sempre na galeria dos carros mais bonitos de todos os tempos. 

Confortável, luxuoso e espaçoso, o 503 era oferecido em versões fechada (coupé) e conversível, esta com capota de lona com acionamento elétrico opcional. Para que sua distribuição de peso fosse mais equilibrada, a caixa de marchas do modelo ficava instalada um pouco mais atrás que o convencional, sob os bancos dianteiros.       

Bem mais simples em termos de recursos e acabamentos, o 507 tinha como alvos principais modelos como o Mercedes-Benz 300SL e mesmo roadsters ingleses Triumph e MG, que faziam bastante sucesso nos EUA.  

Mas, a despeito de ter sido escolhido pelo astro Elvis Presley para ocupar sua garagem, o BMW nunca atingiu vendas tão expressivas quanto os rivais. No total, até saírem de linha, no começo de 1960, foram produzidas apenas 251 unidades do 507 e 412 do 503 (273 cupês e 139 conversíveis), em contraste com os cerca de 5 mil que haviam sido estimados pela empresa. 

Ironicamente, foi justamente esse baixo desempenho comercial que tornou os modelos – especialmente o roadster – extremamente valorizados no mercado de clássicos de hoje, onde um bom exemplar do 507 chega a atingir 2,5 milhões de dólares em leilões. 

O designer 

O autor das linhas dos dois modelos, Albrecht Graf von Goertz, era um alemão filho de aristocratas, que deixara seu país em 1936, migrando para a Costa Oeste dos EUA. Lá trabalhou com o mestre francês Raymond Loewy, criador, entre inúmeras outras, das formas da garrafa da Coca-Cola. 

Até então pouco conhecido, Albrecht se viu alçado ao estrelato do design justamente pelos traços dos BMW 503 e 507. 

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