Carro elétrico: alcance rebaixado em 30% no Brasil

09/02/2023 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

Da mesma forma que as referências de consumo em motores a combustão suscitavam dúvidas, agora chegou a vez dos modelos elétricos neste caso específico de alcance. É preciso explicar primeiro que o PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular) é obrigatório, executado pelo Inmetro a partir de 2018, seguindo as diretrizes do regime Rota 2030 do rebatizado Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A bem da verdade, os critérios oficiais de consumo energético (mJ/km) e volumétrico (km/l) são hoje plenamente alcançáveis na maioria das situações de uso em cidade e estrada. O motorista pode confiar no valor declarado que, por óbvio, sempre vai depender das condições de tráfego e do modo de dirigir o veículo. Em certas circunstâncias há inclusive relatos de valores de consumo melhores do que os informados oficialmente.

No caso de modelos elétricos o alcance em quilômetros para ciclos urbano e rodoviário tornou-se a grandeza mais utilizada – e declarada – pela facilidade de ser percebida.

Contudo, não é tão fácil estabelecer uma referência real, pois depende de temperatura ambiente (inverno e verão), uso do ar-condicionado, regeneração energética em freadas ou desacelerações graduais e até o ímpeto natural do motorista de sentir o torque instantâneo a seu dispor.

Assim, a partir deste 1º de janeiro o Inmetro passou de forma acertada a aplicar um fator de correção de 30%, diminuindo nesta proporção o alcance obtido em laboratório pelos diferentes métodos aceitos internacionalmente: WLTP (europeu) e EPA (americano). Também existe a antiquada norma europeia NEDC declarada por algumas marcas chinesas e sem nenhum valor prático por estar fora da realidade.

O site brasileiro useeletrico.com foi o primeiro a apontar os novos valores. No caso do automóvel elétrico mais vendido do País em 2022, o Volvo XC40 Recharge Single Motor o alcance “caiu de 420 km (no WLTP) para somente 231 km no PBEV, uma diferença de impressionantes 45%”. Mas, ressalta o site, o Nissan Leaf teve redução de 29%, de 272 km para 192 km, pela norma EPA mais severa que a WLTP.

Alcance de carros elétricos depende de outros fatores. Até, por exemplo, se limpadores do para-brisa e faróis são usados por períodos prolongados. Velocidade constante em estradas pode causar surpresas pois a regeneração em freadas é mais rara. Como regra geral um elétrico vai melhor em uso urbano e o motor a combustão, em velocidade constante nas estradas.

No início deste ano a Tesla foi multada na Coreia do Sul em US$ 2,2 milhões (R$ 11 milhões) por propaganda enganosa e um dos motivos por ignorar informações sobre alcance em temperaturas abaixo de zero °C.

Estas discrepâncias vêm sendo apontadas igualmente por um site internacional: evdatabase.org. Lá divulgam estimativa de alcance real de todos os modelos elétricos à venda no mundo. Deixam claro o critério: inverno rigoroso e verão moderado, velocidade constante em estrada de 110 km/h e condições meteorológicas.

Mesmo assim classificam verão moderado com temperatura de 23 °C e ar-condicionado desligado. Desconsideram o calor que obriga o uso do condicionador de ar, como aqui e em muitos outros países. Na maioria dos modelos a diferença entre pior e melhor situação chega perto de 100%.

 

Acompanhe as novidades do mundo automotivo pelo iCarros no:

Facebook (facebook.com/iCarros)
Instagram (instagram.com/icarros_oficial)
YouTube (youtube.com/icarros)

 

  • Compartilhe esta matéria:
 

Faça seu comentário

  • Seguro Auto

    Veja o resultado na hora e compare os preços e benefícios sem sair de casa.

    cotar seguro
Ícone de Atenção
Para proteger e melhorar a sua experiência no site, nós utilizamos cookies e dados pessoais de acordo com nossos Termos de Uso e Política de Privacidade. Ao navegar pela nossa plataforma, você declara estar ciente dessas condições.