19/12/2022 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Acidente recente e muito sério envolvendo um Tesla Model Y na China equipado com o sistema de direção autônoma parcial (no caso, nível 2,5 pois obriga a tocar no volante em intervalos regulares) voltou a lançar dúvidas sobre o desenvolvimento célere ou apressado dessa tecnologia.
Um motorista identificado como Zhan, de 55 anos, estacionava o carro quando este acelerou e não parou mais até bater depois de 2,6 km. No acidente morreram duas pessoas. Segundo o site Autoevolution, a Tesla alegou que o condutor não pisou no pedal de freio, mas as câmeras de rua mostram algumas vezes as luzes de freio acesas. Isso seria suficiente para desativar o modo automático de aceleração, porém nada disso ocorreu.
Em outro episódio, desta vez na Europa, o site relatou que o Instituto Forense Holandês “descriptografou o sistema de armazenamento de dados da Tesla e descobriu que a empresa só compartilha o que considera conveniente”. Uma acusação grave.
A consultoria McKinsey informou ao jornal inglês Financial Times que a indústria automobilística já investiu mais de U$ 100 bilhões (R$ 500 bilhões) em tecnologias de direção autônoma desde 2010.
E nem todos alcançaram sucesso. Volkswagen e Ford abandonaram a colaboração pois a start-up Argo.AI deixou de entregar os avanços prometidos e a marca americana amargou um prejuízo líquido de US$ 827 milhões (R$ 4 bilhões) no terceiro trimestre de 2022. Já a VW perdeu um pouco mais, embora continua a investir por meio de sua subsidiária de aplicativos Cariad. Uber também vendeu sua subsidiária para a Aurora pois conseguiu pouco progresso, além de um atropelamento fatal à noite de uma mulher no Arizona.
Por outro lado, a Mobileye, da fabricante de chips Intel, vai indo bem. Waymo, do Google e Cruise, da GM já oferecem serviços de robotáxis sem motoristas em San Francisco. A Waymo, além de Phoenix, avançará para Los Angeles, cidade bem maior.
Concordo com a revista inglesa Autocar ao afirmar que a condução autônoma é o alvo errado na atualidade com tantos investimentos necessários e prioritários no setor de transporte como eletrificação, baterias, sustentabilidade, modos alternativos e integrados de deslocamentos urbanos e rodoviários.
Entretanto ainda considero bem interessante o nível 3 chamado de autonomia condicional. As decisões de direção, frenagem e aceleração podem ser tomadas com a ajuda da inteligência artificial, mas o motorista deve supervisionar essas operações mantendo atenção ao tráfego em volta. Honda fez uma série de 100 unidades do Legend e as colocou à venda no Japão, mas demanda foi baixa.
No nível 4 de autonomia avançada é possível o carro tomar todas as decisões sem necessidade de nenhuma ação ou intervenção por parte do motorista. Mercedes-Benz, Bosch e o aeroporto de Stuttgart, Alemanha iniciaram há poucos dias o serviço de valet totalmente automatizado sem um humano na direção, em velocidade muito baixa, numa ala específica do estacionamento público.
Volante, pedais e alavancas são dispensados no nível 5 considerado de autonomia total independentemente de condições climáticas e de visibilidade.
Hoje os níveis 4 e 5 ainda estão em testes e apenas alguns dos problemas superados. Porém sua massificação ainda se considera cara demais para uso individual. É justificável em serviços específicos como deslocamentos urbanos por meio de táxis. Também podem ser usados em rodovias em trechos e infraestrutura específicos.
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