21/08/2022 - Alexandre Kacelnik/RF1 / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Impossível escrever a série Carros de Cinema sem falar do DeLorean, a máquina do tempo de De Volta para o Futuro. Estrelado por Michael J. Fox na pele de Marty McFly, o filme dirigido por Robert Zemeckis, e frequentador de várias listas de melhores ficções científicas de todos os tempos, tem no De Lorean uma presença quase tão marcante quanto a do cientista maluco Emmett Brown, vivido por Christopher Lloyd.
Mas se os dois atores têm em De Volta para o Futuro seu papel mais importante, embora não seja o único, o De Lorean foi protagonista apenas nas telonas.
Quando o filme estreou, em 1985, a DMC (DeLorean Motor Company) já havia falido, tendo produzido apenas cerca de 9000 unidades entre 1981 e 1982. Por outro lado, a história por trás do carro de portas asa-de-gaivota no melhor estilo Mercedes 300 SL daria um belo filme, um daqueles documentários que parecem ficção, e até deu, em 2019.
A começar por John DeLorean, filho de imigrantes do Leste Europeu que nasceu em Detroit em 1925 e sempre esteve envolvido com a indústria automobilística. Na GM, quando era engenheiro chefe da Pontiac, ficou famoso por comandar o projeto do icônico GTO, em 1964.
Quando criou sua DMC, em 1975, conseguiu levantar US$ 170 milhões de terceiros. Montou a fábrica perto de Belfast, na Irlanda do Norte, e reza a lenda que desde muito antes de a linha de produção começar a funcionar já havia filas quilométricas de candidatos a empregos.
DeLorean contou com nomes até mais mitológicos que ele na concepção do seu único modelo: Colin Chapman, o chefão da Lotus, que deu o primeiro título da F1 a Emerson Fittipaldi e ao Brasil em 1972, emprestou o chassi da Lotus Esprit.
O desenho foi do estúdio Italdesingn, de Giorgetto Giugiario, talvez o maior nome do design automotivo, responsável por projetos que foram dos primeiros Fiat Uno e Volkswagen Golf até uma dúzia de Ferraris, Lamborghinis, Maseratis e Alfas Romeo lendários.
Tinha tudo para dar certo, mas numa época que os carrões ainda sofriam sequelas da crise do petróleo de 1973, a decepção começou pelo motor.
O V6 2.9, que originalmente entregava 172 cavalos, pelas regras de emissões de poluentes dos EUA ganhou catalizadores que diminuíram a potência para 132 cavalos. Os testes das revistas especializadas taxaram o desempenho do DeLorean como ‘fraco para um esportivo’.
Com a empresa em sérias dificuldades, John DeLorean foi preso em outubro de 1982, acusado de traficar 100 quilos de cocaína para levantar dinheiro e salvar seu projeto de vida. No mesmo mês a DMC faliu. Quando o empresário foi definitivamente considerado inocente, em 1984, não havia mais chance de recuperação para a empresa e seu nome estava na lama.
Ainda em dezembro de 1982, Colin Chapman morreu de infarto fulminante, quando se especulava que ele seria preso por fraude fiscal na fabricação do Lotus Esprit, onde era parceiro de...John DeLorean. Também se especulou por muito tempo que Chapman simulou sua morte e fugiu para não ser preso.
Dá para imaginar o bem que De Volta para o Futuro, que foi a maior bilheteria de 1985 e se transformou em trilogia com De Volta para o Futuro 2 e 3, fez para DeLorean, homem e carro.
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