Carros de cinema: Rolls Royce, o máximo do luxo e da heresia

Além do óbvio, representar luxo e poder sobre rodas, o automóvel provocou polêmicas por sua utilização nas telas

19/06/2022 - Redação / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

Desde que o primeiro Silver Ghost saiu da fábrica em Derby, Inglaterra, em 1906, o Rolls Royce é sinônimo de exclusividade, luxo e perfeição. Então não é de se estranhar que o carro preferido por reis e chefes de estado – a Presidência da República do Brasil tem um Silver Wraith desde 1953, e todos os chefes do executivo andaram nele em ocasiões especiais – seja presença constante no cinema. 

Pode-se estranhar, sim, a ousadia, quiçá blasfêmia, de diretores em destruir Rolls Royces em algumas produções, como o Phantom retalhado pelo Chicote Negro (Mickey Rourke) em Homem de Ferro 2 (2010), ou o Silver Spirit 1980 de Yuri Orlov (Nicolas Cage), que simplesmente explode em O Senhor da Armas (2005).

Sorte que, pelo menos no que podemos ver nas telas, tanto o super-herói Tony Stark (Robert Downey Jr.) quanto o traficante de armas tinham outros Rolls Royces na garagem. 

Outra curiosidade sobre os Rolls Royces do cinema, e que reflete como o conceito das cores muda através dos tempos, é que na primeira metade do século passado modelos ultraluxuosos fossem...amarelos. 

Existe até um provérbio ‘Se não fosse o mau gosto, o que seria do amarelo?’, mas aparentemente não se aplica ao Rolls Royce. No dia 31 de dezembro de 1964 foi lançado o filme O Rolls Royce Amarelo (The Yellow Rolls Royce), com três histórias da limosine nas mãos de três diferentes donos.

Só mesmo um Rolls Royce para ser protagonista num filme de elenco estelar, que conta com Alain Delon, Rex Harrison, Jeanne Moreau, Shirley MacLaine, George C. Scott, Ingrid Bergman e Omar Sharif. No caso, o modelo do filme é um Phantom II De Ville 1930. 

Jay Gatsby, também conhecido como O Grande Gatsby, foi interpretado no filme de 2013 por Leonardo Di Caprio, e antes disso, em 1974 por Robert Redford, para falar das produções mais famosas, já que foram meia dúzia. No livro escrito por F. Scott Fitzgerald em 1925, o personagem tem um Rolls Royce amarelo, de modelo não especificado. Seria o único carro possível ao novo riquíssimo Gatsby. 

Robert Redford dirigiu um Phamtom I 1928 (portanto fabricado depois da publicação do livro). Já Di Caprio – embora tenha sido divulgado no início das filmagens da versão de 2013 que havia sido construída uma réplica de Rolls Royce – aparece no filme a bordo de uma réplica de Duesenberg 1934: uma licença poética que para os amantes de carros é uma heresia e para a produção do filme apenas economia.   

Há ainda um Rolls Royce amarelo que não foi de filme, mas talvez seja mais famoso que os de cinema: o Phantom V 1965 de John Lennon. Quando foi entregue ao beatle, no seu ano de fabricação, ele era branco. Mas em 1967, tornou-se uma obra de arte psicodélica ambulante. As opiniões da época sobre o que Lennon fez com o carro mostram que a polarização não é um fenômeno recente.     

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