22/01/2024 - Henrique Koifman / Fonte: iCarros
Num segmento em que não faltam opções dos mais variados portes, preços e estilos, o Chevrolet Equinox se destaca. Não por seu volume de vendas, bem menor que o de concorrentes produzidos aqui no Brasil, mas por seu estilo e comportamento. Passei duas semanas com sua versão RS e falo sobre a experiência neste post.
Das duas versões do Equinox atualmente disponíveis no Brasil, a RS é a mais barata (sai por pouco menos de R$ 219 mil). Pode parecer estranho a opção esportiva ser a mais acessível, mas vale lembrar que assim como em outros Chevrolet com a sigla RS – como Montana, Onix e o finado Cruze Sport6 – essa esportividade é 100% estética.
E, como nos outros, na Equinox essa característica está presente na pintura em preto das rodas e da grade dianteira, que tem uma trama própria. E, por dentro, na ótima forração em couro com costuras vermelhas dos bancos e painéis. Além, claro, da logo RS estampada na carroceria e, também aqui e ali no interior.
O resultado disso tem um quê de minimalismo descolado e – ao menos para o meu gosto – é bem interessante, passando até uma impressão de que são detalhes que custam mais caro do que realmente custam. Especialmente quando contrastam com o branco do resto da pintura, caso do exemplar que você vê nas fotos.
Lançada em 2017, a atual (e terceira) geração do Chevrolet Equinox ganhou uma plástica rejuvenescedora na dianteira em 2022, justamente quando surgiu essa versão RS, com pitadas inspiradas no esportivo Camaro e também aplicadas em outros modelos da marca.
O test-drive do Chevrolet Equinox RS começou na cidade
Comecei a nossa avaliação com o Equinox RS em rotina urbana. Foram uns cinco dias de trajetos curtos, de até 10 km, geralmente nas médias de velocidade baixas do trânsito. Nesse cenário, o porte do carro – são 4,65 m de comprimento e 1,84 de largura – não atrapalhou em nada.
Com uma ótima posição de dirigir – o banco do motorista apoia bem, tem regulagens elétricas e o volante se ajusta em altura e em profundidade, com um curso considerável –, o carro é também generoso com seus passageiros. Inclusive no banco de trás, onde há espaço farto para três adultos.
Ali, como o assoalho praticamente plano, as pernas se acomodam fácil e sem apertos. E há saída de ar-condicionado e possibilidade de variar minimamente a inclinação do encosto. Somando isso ao rodar macio e, quase sempre, silencioso, esse Equinox é provavelmente dos mais confortáveis nesse aspecto.
A fase urbana de meu teste incluiu, também, uma ida ao supermercado para compras volumosas, que couberam bem no porta-malas de 468 litros. Uma pequena parte dessa litragem fica sob uma tampa no assoalho, acima de onde está guardado o estepe, e funciona bem para levar itens mais frágeis, como garrafas – desde que bem escoradas, claro.
Em litros, esse porta-malas, como o da maioria dos SUVs, perde para muitos sedãs compactos – como o parente Chevrolet Onix Plus, com seus 500 litros de capacidade. A vantagem dos utilitários é a maior facilidade de acesso às bagagens e, claro, o mundão que se abre ali quando os bancos traseiros são rebatidos – 930 litros neste Equinox.
Durante o para e anda do trânsito, o bom torque de até 27,8 kgfm em baixas rotações do motor 1.5 de quatro cilindros e 172 cv turbinado proporciona força suficiente para romper a inércia sem a necessidade de grandes bravatas. E, se não é dos mais ágeis, o tranquilo câmbio automático de 6 marchas não chega a atrapalhar.
Nas partidas curtas – após a luz verde do semáforo, por exemplo, mesmo quando pisa com mais vontade no acelerador, a gente percebe que toda a configuração do conjunto foi mesmo feita pensando mais no conforto que na performance.
Vamos pegar a estrada com o Chevrolet Equinox RS
Em compensação, embora seja bem macia, a suspensão do Equinox compensa bem sua altura e transferência de peso, permitindo que rode com suavidade, mas sem grandes inclinações ou oscilações – algo que eu viria a perceber ainda melhor alguns dias depois, subindo uma serra de traçado antigo.
Para esse resultado, contribuem dois detalhes que também realçam a “opção pelo asfalto” que a Chevrolet fez no ajuste geral (ou setup, como dizem os pilotos de competição) nesse RS. Ele calça pneus de perfil mais para baixo que para alto (235/50R 19) e, também, se mantém a apenas 17,5 cm de distância do chão (portanto, cuidado com os quebra-molas mais altos).
Além da segurança que esse comportamento representa, passageiros que costumam enjoar em estradas sinuosas – caso da minha companheira desta e de décadas de outras viagens – sofrem bem menos que em carros muito duros, ou que se inclinam de forma mais acentuada.
No carro, estávamos apenas em dois, mas com uma boa quantidade de bagagens. Capaz de manter velocidades em torno de 100, 110 km/h com o motor girando baixo, esse SUV conta com um sistema de “grade ativa do radiador”, que modifica sua abertura, de acordo com a temperatura.
Segundo a Chevrolet, isso reduz o arrasto aerodinâmico, contribuindo, também, para diminuir o consumo e o ruído interno. Sinceramente, ao menos em relação ao ruído, não percebi diferenças, até porque, de um modo geral, esse Equinox é extremamente silencioso.
O ruído do motor só se tornou mais audível nos momentos em que, para ganhar velocidade mais rapidamente em retomadas e ultrapassagens – ou trechos da serra que percorremos – pisei mais fundo no acelerador.
Assim mesmo, a depender da “vontade” do câmbio, esses rompantes serão sempre breves, com as marchas sendo trocadas para cima logo que viável. Para manter o giro mais alto – e, assim, o carro com uma postura um pouco mais agressiva –, só usando a teclinha para trocas manuais, junto da alavanca de mudanças.
E aqui entra a minha já repetitiva crítica à Chevrolet por não incluir borboletas para troca manual de marchas no volante de seus carros. Algo que outras montadoras fazem até com modelos bem mais baratos e que, além do simples prazer de dirigir, é bastante útil – por exemplo, para manter o carro engrenado em marchas mais reduzidas durante a descida de uma serra, usando o freio motor.
No Equinox RS – assim como em quase todos os seus irmãos de marca –, para fazer isso, é necessário colocar o câmbio na posição “L” e, com a ponta dos dedos, acionar o diminuto botão localizado em um ponto não muito ergonômico da alavanca. A gente se acostuma, mas podia ser bem melhor.
Isso até contrasta com o restante do carro, que oferece excelente ergonomia, com comandos e sempre bem localizados e visíveis. Embora o painel da Equinox não seja totalmente digital – apenas a tela central do computador de bordo é – sua leitura é fácil e as informações, bem completas.
A central multimídia tem tela de 8 polegadas – um pouco menor que suas concorrentes – e traz o sistema My Link da Chevrolet, bem fácil de usar e conectar. E conta com GPS nativo, com a “governanta virtual” OnStar e um sistema de wi-fi residente que aceita até sete usuários conectados.
A qualidade do som a bordo é boa e, com o ar-condicionado dando conta direitinho desses dias em que as mudanças climáticas têm provado não serem ficção, a viagem seguiu tranquila. Contribuiu também para isso o bom pacote de segurança embarcada.
Há, além dos obrigatórios controles de tração e de estabilidade, ajuste para a distância mínima em relação ao carro da frente. Quando atingida, há avisos sonoros e visuais e, em casos extremos, frenagem autônoma. Algo que funciona bem com o piloto automático – já que não há controle adaptativo de distância, o ACC.
Nesse sentido, falta também um assistente de manutenção de faixa, recurso presente em boa parte dos SUVs de sua faixa de preço e que contribui bastante para a segurança.
Mas a bordo está também o sempre útil aviso de ponto cego e um sistema de detecção e de leitura das placas das rodovias, que avisa sobre a presença de pedestres à frente e, também, alerta sobre os limites de velocidade estabelecidos.
Chegando às conclusões sobre Chevrolet Equinox RS
Entre os SUVs médios disponíveis em nosso mercado, o Chevrolet Equinox é o que tem mais “jeitão de americano”, no bom sentido. Ele é extremamente confortável e espaçoso – talvez o melhor para passageiros em sua categoria –, oferece um desempenho bem satisfatório e é bom de guiar.
Não é exatamente um carro econômico, mas também não é dos mais beberrões – minha média geral, nos cerca de 500 km que rodeis com ele, entre ruas e estradas, ficou em 10 km/litro. Segundo o INMETRO, faz 11,5 km/l na estrada e 9,3 km/l na cidade, sempre com gasolina.
A despeito de seu tempo de mercado, tem linhas bem interessantes e, especialmente nesta versão RS, consegue combinar arrojo com um estilo, digamos, cool, chique, mas sem papagaiadas em excesso.
Em comparação com seu irmão mais caro e cromado, o Premier, porém, as diferenças vão bem além do simples traje esporte: o outro oferece boa tração integral e um teto solar panorâmico digno de elogios, também, além de alguns outros acessórios e recursos. Mas o RS custa uns R$ 27 mil a menos.
Já em relação a rivais, como VW Taos, Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, a comparação é um pouco mais complexa e envolve diferentes versões – que, vale dizer, podem ser mais baratas e, às vezes, um pouco mais equipadas que ele, mas de um modo geral, perdem em espaço e conforto.
Vale informar também que, nos EUA, uma nova geração do carro deve chegar às lojas no próximo ano – e não é improvável que também seja trazida para cá, incluindo uma versão totalmente elétrica do SUV.
Levando tudo isso em conta, diria que o Chevrolet Equinox RS é uma opção bem específica em seu segmento, ocupando uma espécie de “nicho dentro de outro nicho”. Um modelo com uma série de argumentos racionais para a compra, mas que é mais capaz de conquistar por um motivo mais subjetivo: sua personalidade.
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