Fernando Calmon | Carros compartilhados sofrem reveses

Apesar de ser uma boa ideia, o compartilhamento de veículos em grandes centros urbanos tem problemas a resolver

01/10/2019 - Fernando Calmon / Foto: divulgação / Fonte: iCarros

A ideia é boa e pode ajudar as cidades a melhorar o trânsito e diminuir a poluição, além de prover alternativas de mobilidade. Compartilhamento de bicicletas e agora de patinetes elétricas vão atraindo também novos usuários, sendo que no segundo caso tem obrigado as prefeituras a regulamentar o seu uso e até obrigar a utilização de equipamentos de segurança como capacetes.

Entretanto, montar uma frota de automóveis elétricos ou a combustão que possam ser alugados por curtos períodos, utilizando estações fixas para retirada e devolução, ainda está algo distante de um negócio rentável ou, pelo menos, equilibrado financeiramente em médio e longo prazo.

Apesar disso, há uma experiência bem interessante em Fortaleza. Acaba de completar três anos a iniciativa conhecida como Veículos Alternativos para Mobilidade (VAMO) na capital do Ceará, coordenado pela prefeitura. Uma frota de 20 carros compactos chineses elétricos opera por meio de 12 estações fixas. Os preços começam em R$ 15 por 30 minutos e decrescem à medida que o tempo de locação aumenta.

Para diminuir os custos, estações e carros carregam propaganda de uma empresa que ajuda a sustentar o VAMO. Embora sem confirmação oficial, os modelos Zhidou e BYD serão substituídos pelo francês Renault Zoe. De início serão 10 unidades e, posteriormente, o restante.

É difícil saber se a operação nordestina já alcançou o equilíbrio financeiro ou mesmo alguma rentabilidade. No entanto, há vários relatos de iniciativas desse tipo cujos resultados deixaram a desejar no exterior. O mais conhecido é o Autolib, em Paris. Chegou a ter 150.000 assinantes, porém a empresa quebrou. Entre as razões estão a deterioração dos carros e a logística muito cara de distribuição dos veículos por haver poucas estações. O serviço começou em 2011 e será assumido até o fim do ano pela Renault, também com o Zoe.

Outros reveses têm acontecido nos EUA. Em Seattle, onde várias empresas de mobilidade urbana costumam testar ideias, duas marcas conhecidas não se deram bem. Este ano a ReachNow, da BMW, desistiu do negócio e a Lime, conhecida por seu pioneiro serviço de bicicletas compartilhadas, vai retirar de circulação, no final do ano, a frota de subcompactos Fiat 500.

Especialistas têm apontado fraquezas do negócio: grande necessidade de capital, organização da frota, custos altos de seguro e manutenção, forte tendência ao uso descuidado dos carros, furtos, utilização para praticar delitos ou facilitar a fuga de criminosos, além de queixas sobre falta de locais onde estacionar. Apesar de tudo, o serviço da Daimler (Mercedes-Benz) Car2go continua disponível, embora a empresa já tenha desistido das operações em outras cinco cidades, inclusive Chicago, após investir US$ 1,1 bilhão no país. Programas semelhantes da Ford e da General Motors foram cancelados ou congelados nos EUA.

Em todo caso ficou uma certeza: a propriedade do carro tem muitos adeptos por lá e estes continuarão a contratar financiamento ou leasing da forma tradicional. O compartilhamento em larga escala depende de conscientização dos participantes e ninguém quer ser surpreendido por problemas decorrentes de uso abusivo ou descuidado de um ou mais usuários anteriores do mesmo veículo.
 

O texto é de responsablidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião do iCarros

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