27/08/2019 - Fernando Calmon / Foto Divulgação / Fonte: iCarros
No Nível 3 ele não precisará intervir, mas terá que estar pronto a fazê-lo em algumas condições, a velocidade será limitada e a pista deverá ter separação física do tráfego em sentido contrário. No Nível 4 a condução é totalmente autônoma e o motorista pode até ficar de costas para volante e pedais, mas o preço, altíssimo. No Nível 5, todos os comandos serão eliminados e nem há previsão de um prazo para alcançá-lo, pois envolve custos estratosféricos.
Entretanto, persistem incertezas de que mesmo a tecnologia de Nível 4, já em testes em cidades dos EUA, esteja tão próxima da realidade. A maior promessa é a diminuição de acidentes. Em entrevista exclusiva, o engenheiro mecânico e eletrônico Hebert Azevedo Sá, atualmente aluno de doutorado em Robótica, na Universidade de Michigan, ponderou:
“Pessoalmente, não acredito que chegaremos ao patamar de ’zerar’ as ocorrências de trânsito. Por melhor que sejam as tecnologias nos veículos, estes deverão ser suscetíveis a falhas. Há alguns meses, o professor Ed Olson disse que uma meta interessante é igualar o nível de segurança entre um veículo autônomo e um carro dirigido por um motorista de nível médio. Ainda demoraria de 15 a 20 anos.
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“Além da segurança física, outros aspectos apresentam apelo: conveniência e produtividade; melhora da trafegabilidade; extinção da habilitação para os motoristas; menor consumo de combustível e redução de emissões; flexibilidade de uso por idosos ou de pessoas com alguma deficiência física. Pontos preocupantes são segurança da informação e privacidade.
“Porém, inteligência artificial e percepção robótica estão se desenvolvendo com enorme rapidez. Técnicas de sensoriamento e processamento avançado identificarão objetos, pessoas e até mesmo conceitos abstratos. Estudos já tentam prever a intenção de um pedestre que se aproxima de uma faixa: processando os padrões de movimento do corpo, pode-se antecipar se ele se prepara para atravessar a rua, esperar na calçada, virar a esquina, etc...
“Com o alto nível de investimentos atual, acho que em alguns anos os desafios técnicos serão superados. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer até a comercialização se tornar economicamente viável.”
Azevedo Sá também chama atenção sobre responsabilidade legal no caso de um acidente envolvendo um veículo autônomo. A culpa será do proprietário do carro, dos engenheiros que projetaram ou do fabricante que o produziu?
O advogado do Escritório Souto Correa, no Rio Grande do Sul, Henry Lummertz, acredita que esta tecnologia traz uma série de questões a solucionar pela doutrina e jurisprudência. Exigirão desenvolvimento de novo instrumental jurídico.
“Teoria do risco criado é aplicada desde já. Sempre alguém será responsabilizado, pois uma máquina nunca terá ‘culpa’. A inteligência artificial, reconhecida pela sigla IA, não escapa desse enquadramento legal. O próprio Código de Trânsito Brasileiro precisará ser modificado e até as seguradoras deverão rever seus processos de precificação dos riscos. Sem contar os próprios fabricantes de veículos e seus fornecedores”, afirma Lummertz.
Por fim, também vale mais uma dúvida levantada por Larry Vellequette, colaborador da publicação americana Automotive News:
“O que eu sei é que muitas pessoas ainda gostam da emoção visceral de dirigir. Senão, como explicar a lógica por trás de praticamente todo carro de alto desempenho que continua a ser vendido hoje?”
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