29/10/2019 - Fernando Calmon / Foto: divulgação / Fonte: iCarros
Das três versões a berlineta era a mais bonita. Teto bem baixo (1,13 m de altura) e desenho no estilo que consagraria o termo fastback (sem tradução direta para o português). O carro tinha dimensões reduzidas: 3,78 m de comprimento e 2,10 m de distância entre eixos (a mesma do primeiro Porsche, o 356; dizem que não por coincidência...).
Fabricaram-se apenas 822 unidades entre 1962 e 1966. A carroceria era de plástico reforçado com fibra de vidro e o carro pesava só 535 kg. O projeto original A108 da francesa Alpine, de Jean Rédélé, sempre recebeu apoio da Renault (fornecedora do conjunto motor-câmbio), na época sócia da Willys-Overland do Brasil.
As linhas do modelo original eram tão sedutoras que a Renault se inspirou na versão seguinte, A110, para revitalizar a marca Alpine, relançada no Salão de Genebra, em março de 2017. Mas também conquistou o brasileiro João Paulo Melo. Seu trabalho de conclusão acadêmica, junto com um colega do curso de Design Industrial da Faculdade de Belas Artes de São Paulo em 2006, foi o “Projeto Berlineta”. Ele já vislumbrava, até antes da marca francesa, o potencial de reviver as charmosas linhas originais.
Em 2016 Melo não havia se abatido com as dificuldades enfrentadas para desenvolver suas ideias. Tinha sido obrigado a adiá-las desde 2009 em razão da crise econômica internacional de 2008. Em 2017 viajou à Europa para propor uma parceria com a empresa de engenharia e design MICLA, atuante na Alemanha e Itália. Ele continua firme no propósito de oferecer ao mercado nacional e internacional um carro esporte de alto nível em desenho e desempenho. Projetado basicamente para competições em autódromos, consta oferecer também uma versão de rua. Este mercado é atraente no exterior.
A MICLA será responsável pelo chassi, suspensão e superfícies externas. Acumula mais de dez anos de experiência em trabalhos com grandes marcas europeias e montou um estúdio em São Paulo. Desenvolvido em software 3D de desenho e engenharia, o Projeto Berlineta utiliza componentes e tecnologia já aplicados em automóveis de série, inclusive motor e câmbio.
A releitura moderna do Willys Interlagos, primeiro carro esporte brasileiro, busca elementos que ajudam na aerodinâmica e no baixo centro de gravidade. O chassi é voltado inteiramente à esportividade, muito valorizada nos track days, competições em pista que atraem pilotos profissionais e entusiastas do esporte.
O capô dianteiro foi projetado para refrigeração otimizada de radiador e freios. Na parte traseira, as aberturas são divididas a fim de facilitar a manutenção parcial ou total do trem de força, além de grande área para saída de ar quente. O projeto de carroceria e chassis possibilita a montagem de diversos tipos e marcas de motor e câmbio em posição central-traseira. Peso estimado do conjunto: apenas 850 kg.
Em vez de ser uma fabricante completa, a proposta é utilizar fornecedores de chassi, carroceria, componentes terceirizados e produzir sob demanda. Melo estima, por meio de investimento de R$ 400 mil, construir um protótipo funcional e que represente 90% do carro final. Depois de pronto, o preço de venda estará em torno R$ 200 mil pelo kit básico com câmbio e motor turbo 2-litros (potência em torno de 300 cv).
Pormenores em www.berlineta.com.br e Instagram @projetoberlineta.
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