12/09/2022 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Gordon Murray é sul-africano (conterrâneo de Elon Musk, o homem mais rico do mundo, dono da Tesla, da Space X e outras empresas de alta tecnologia) e um dos engenheiros mais brilhantes da história da Fórmula 1. Nelson Piquet foi campeão mundial em 1981 e 1983 com os Brabham BT 49 e BT 51 projetados por Murray. Antes criou o BT 46B que tinha uma ventoinha na traseira, mas o carro foi abandonado depois de apenas uma corrida por razões políticas da categoria.
Outro brasileiro, Ayrton Senna, conquistou o título de F-1 em 1988 ao volante do McLaren MP4/4, monoposto projetado por Steve Nichols que teve suporte de Murray. Senna e o piloto francês Alain Prost venceram 15 das 16 provas naquele ano com a McLaren. Entre 1991 e 2004, o sul-africano trabalhou na McLaren Cars, onde projetou o superautomóvel de rua McLaren F1.
Essa bagagem técnica levou-o a fundar a Gordon Murray Automotive (GMA) e a Gordon Murray Technology (GMT). Projetou três supercarros de rua entre os mais respeitados do mundo: T.33, T.50 e T.50S. Toda a produção está vendida antecipadamente. Também com cidadania britânica, ele ganhou em 2018 o título de Comandante da Ordem do Império Britânico.
Agora aos 76 anos e um currículo voltado aos modelos de alto desempenho com motores a combustão, voltou a surpreender ao anunciar o desenvolvimento de dois produtos elétricos, ambos SUVs. Um especialista em carros baixos e esguios deu uma guinada para atender a um mercado em expansão na preferência dos consumidores na Europa e em outros países, a exemplo do Brasil.
A divisão GMT negociou a produção do primeiro SUV elétrico com um grande fabricante de veículos mantido em sigilo. O primeiro produto terá dimensões compactas e um peso em ordem de marcha surpreendentemente baixo na faixa de apenas 1.100 a 1.200 kg. Para se ter ideia o Renault Zoe elétrico de dimensões similares pesa de 300 a 400 kg a mais. Portanto, o modelo inglês terá melhor desempenho e alcance significante maior. A previsão é o protótipo ficar pronto em 2024.
O segundo modelo, ainda sem data prevista, será de responsabilidade da GMT. Já se sabe: este SUV terá dimensões maiores para acomodar confortavelmente quatro pessoas e bom volume para bagagem, conforme renderização da revista Autocar.
Os projetos de Murray centram-se em diminuição de peso. Ele criou de forma pioneira um processo de produção e montagem batizado de iStream (Fluxo Inteligente, em tradução livre). O princípio básico: diminuir o máximo possível a utilização de aço estampado nos carros visando cortar custos e permitir flexibilidade na produção. Isso, claro, sem prejudicar a rigidez do monobloco e a capacidade de absorver impactos em acidentes. A pegada ecológica é 40% menor.
Conseguir avançar na tecnologia de elétricos obriga a desenvolver um sistema de resfriamento das baterias que trabalham com temperaturas extremas. Foi criada uma nova técnica imersiva de fluido refrigerante para aumentar a densidade de energia, que faz parte da estrutura do carro e sem prejudicar o acesso à manutenção ou substituição de células.
Engana-se, porém, quem pensa que o engenheiro se tornou célebre apenas em busca da velocidade e desempenho nos autódromos. A Wikipedia aponta a visão dele à frente do seu tempo. Em 2007 ele revelou o protótipo de um city car menor do que o minúsculo Smart Fortwo. Dois anos depois, anunciou a parceria com a empresa de tecnologia inglesa Zytek Automotive para desenvolver a versão elétrica do seu microcarro urbano.
Porém, como não existia qualquer infraestrutura de recarregamento de bateria, além do seu peso elevado, baixo alcance e preço nas alturas, o projeto não vingou.
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