27/07/2021 - Henrique Koifman /RF1 / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
A Harley-Davidson é uma das mais tradicionais – se não “a” mais tradicional – marca de motocicletas do mundo. Tanto pela antiguidade – nasceu no começo do século XX – quanto pela imagem construída junto com a da própria cultura norte-americana.
Esse tipo de introdução, um tanto previsível, era comum em cada lançamento da Harley, até um certo tempo atrás. As matérias começavam com um “Mantendo a sua tradição…” e descreviam um novo empacotamento para aquele “mais do mesmo”.
Mas hoje, a coisa é bem diferente. Lançamentos da Harley trazem realmente novos – e inéditos – produtos, ainda que recheados de referências às tais tradições e história. Motos que têm berço, mas podem ser até inovadoras.
Não que a nova Sporsters S, o mais novo lançamento da marca, seja assim tão revolucionária – a despeito do nome dado ao motor que a equipa, o recentemente apresentado V2 Revolution Max V-twin, que tem 1.250 cc (com 60º de inclinação entre os dois cilindros), e é o mesmo do também recente modelo Pan America.
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Se a tal da “revolução” em relação aos motores anteriores da marca tivesse um grito de guerra, ele provavelmente seria “mais torque, mais potência”, ou algo assim. E, para isso, algumas das tradições foram postas de lado, como a refrigeração a ar, trocada pela a água.
Neste caso específico, além do ganho em eficiência proporcionado pelo refrigerante líquido, a mudança visa também poder enquadrar seus novos modelos nas normas de emissões europeias mais recentes, claro.
Nesse sentido, todo o pacote de gerenciamento eletrônico, além de mais pimenta na performance, também deixa o ar que ficar para trás mais limpo.
E é justamente o propulsor, que gera fortudos 122 cv de potência e 12,9 kgfm de torque, já em baixas rotações, o coração que dá alma ao novo modelo.
Com ele, e pesando somente 227 quilos – graças ao uso intensivo de materiais mais leves e ao bloco de propulsão ser integrado à estrutura –, a moto promete uma tocada que impressione e estimule seus condutores, trazendo o nome Sportster para uma nova era.
É o que promete Jochen Zeitz, Presidente e CEO da Harley-Davidson, “a Sportster S define um novo padrão de performance para a linha Sportster. É uma moto totalmente nova, de uma geração definida pela potência, performance, tecnologia e estilo”, diz ele, revelando que o lançamento faz parte da estratégia para aumentar a atratividade e impulsionar a marca.
Integração e musculatura
Vista de lado, a Sportster S passa a impressão de ser poderosa. O motor é emoldurado e fica destacado como “foco” pelo tanque de combustível (que comporta 11,7 litros) pela traseira. A grande roda dianteira lembra a de modelos clássicos em estilo bobber.
Já na parte de trás, o escapamento alto e o assento fino fazem menção à Harley XR750 flat tracker. Garfos “parrudos” e pneus de perfil largo deixam claro que se trata de uma moto esportiva de alta performance.
O motor tem um acabamento fosco castanho, batizado pelos designers de Chocolate Satin, enquanto as tampas do motor são forjadas em magnésio ultraleve. Na soma geral, o visual é de uma daquelas motos construídas à mão para um salão ou exposição de modelos customizados.
Tecnologia em alta
No pacote tecnológico, a Sportster S traz uma central de gerenciamento que incluir três modos de condução pré-programados e selecionáveis: Sport, Road e Rain.
De acordo com a seleção, o comportamento do conjunto, especialmente das acelerações e tração, é alterado. Além disso, a opção Custom permite o “pre-set” de parâmetros de acordo com as necessidades e preferências de cada piloto.
Outro destaque é um conjunto de recursos chamado Cornering Rider Safety Enhancements, que intervém em situações inesperadas ou quando o caminho é ruim, atuando no controle da tração (em acelerações e desacelerações) e dos freios, sejam em retas ou curvas.
No painel, todos os instrumentos e informações são projetados em uma tela TFT de 4 polegadas e que inclui conectividade por bluetooth, seja com o smartfone ou com o headset do capacete do piloto. Um aplicativo da própria Harley oferece serviços de navegação e música.
A iluminação da moto é full-LED e, na dianteira, o farol batizado de Daymaker Signature ilumina de forma homogênea, eliminando possíveis sombras e distorções. Esse farol tem forma oval, acrescentando personalidade à Sportster S.
Estrutura aliviada
Como tem sido padrão nas motos de alta performance, o bloco do motor faz o papel de quadro, servindo também como base estrutural. Desse modo, além da redução de peso, ganha-se em rigidez e, em consequência, em qualidade da pilotagem.
As suspensões dianteira e traseira são ajustáveis, sendo que a de trás pode ser regulada por meio de um botão na lateral da moto. Já as rodas têm cinco raios e são em alumínio fundido, vestidas com pneus Dunlop Series GT503 nas medidas 80/70-R16 na traseira e 160/70-R17 na frente.
Na frente o disco de freio tem 320 mm e uma pinça de quatro pistões Brembo, enquanto atrás o disco de 260 mm é parado por uma pinça Brembo de dois pistões apenas. O assento da moto fica a 75,2 cm de altura do solo, tornando a moto “viável” mesmo para pilotos mais baixos.
Nos EUA, a moto estará disponível a partir de setembro com três opções de cores: Vivid Black; Stone Washed White Pearl; Midnight Crimson. O preço começa em US$ 14.999 (também conhecidos como quase quinze mil dólares), equivalentes a cerca de R$ 78 mil ao câmbio de 23/7 (e sem os impostos daqui).
Embora não haja previsão de data, é provável que a nova Sportster S chegue ao Brasil até o começo de 2022.
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