Mercedes-Benz: a história da estrela de três pontas

Por mais de 100 anos é símbolo explícito da marca alemã de prestígio

03/07/2021 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

O Museu Mercedes-Benz em Stuttgart, cidade-sede da empresa, foi inaugurado em 19 de maio de 2006, tendo recebido mais de 10 milhões de visitantes da Alemanha e do exterior. A exposição inclui 160 veículos e um total de 1.500 peças que contam a história da marca, de sua associada Benz e também da Maybach adquirida pelo grupo em 1960.

Como parte da comemoração dos 15 anos do museu, a fabricante vem publicando uma série artigos curiosos envolvendo seus modelos, acessórios e equipamentos.

Um deles o emblema do radiador que, embora conhecido por esse nome, perdeu a função ao longo do tempo, transformando-se em ornamento ou escultura para identificação de marcas automobilísticas.

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Historicamente os primeiros automóveis nem precisavam deste emblema. Naquela época, não existiam os sistemas de arrefecimento com circuito fechado de água. Só foram introduzidos à medida que a potência dos motores aumentava na transição do século 19 para o século 20.

Um protagonista deste desenvolvimento foi o Mercedes 35 hp, em 1901, um dos primeiros carros a ostentar um radiador de água do tipo colmeia. Este representava a “cara” da marca e, a partir de 1909, integrou a estrela de três pontas da fabricante, inicialmente aplicada em relevo.

Símbolo poderoso

Foram os filhos de um dos pioneiros dos automóveis, Gottlieb Daimler, falecido em 1900, que tiveram a ideia da estrela envolvida por um círculo. O emblema com seus três raios simbolizava a visão do fundador, que imaginou os seus motores usados ​​em veículos terrestres, navios e aviões.

Em 24 de junho de 1909, a Daimler-Motoren-Gesellschaft (DMG) solicitou uma patente do desenho, concedida em 9 de fevereiro de 1911.

Posicionamento perfeito

Um pedido de registro daquele símbolo foi apresentado em 5 de novembro de 1921 e homologado como marca em 2 de agosto de 1923. Ao mesmo tempo, decorou a tampa de rosca do radiador, já transformada em pedestal.

Dessa forma, a mascote combinou estética com finalidade prática e estava disponível até com termômetro de água integrado. A Benz & Cie. ainda não usava uma mascote, mas continuou a aplicar emblemas e letras na borda superior daquela peça.

Prestígio

Muitas fabricantes de automóveis usaram a mascote na forma protuberante ou mesmo pontiaguda. Quando Maybach lançou seus carros premium na década de 1920, a empresa escolheu o duplo-M, de “Maybach-Motorenbau”, sua marca registrada. Foi usado também como emblema.

Criatividade

Na década de 1920, o radiador ainda não estava escondido sob o capô e acessórios pois, para eles, tornara-se obra de arte. Figuras de faunos vesgos, mulheres nuas e animais de prata assumiram essa posição.

Uma dessas mascotes está no Museu: uma senhora em postura fluida e perfeitamente equilibrada segurando um objeto redondo. Pode ser uma maçã ou uma bola – difícil de dizer exatamente. As figuras mais incomuns foram projetadas nesta década pelo artista francês René Jules Lalique e feitas de vidro.

Escolha pessoal

Em casos raros, os clientes trocaram a estrela por seus próprios emblemas. O Mercedes-Benz 770 “Grand Mercedes” Cabriolet F (W 07), construído em 1932 para o exilado Kaiser Wilhelm II, exibia o brasão de armas Hohenzollern na grade. Este carro em particular pode ser visto no Museu, na Galeria de Celebridades.

Mudar de lugar

Carrocerias aerodinamicamente aprimoradas tornaram-se cada vez mais populares após a Segunda Guerra Mundial.

A frente dos carros foi reprojetada e o radiador colocado sob o capô. A grade permaneceu na frente para permitir a entrada de ar de resfriamento e ainda exibia a estrela. Na década de 1990, o símbolo mudou para uma posição um pouco para trás no capô.

Liberdade de movimento

À essa altura, o emblema já havia se integrado à filosofia tradicional de segurança da marca. Era montado em uma junta universal dobrável para proteção de pedestres, desde o início dos anos 1950. Tornou-se item de colecionador muito procurado e frequentemente furtado. Isso o tornou a peça sobressalente solicitada com mais frequência.

Alternativa

O gosto dos clientes mudou ao longo dos anos. Na série 204 do Classe C, a marca ofereceu pela primeira vez a escolha de duas frentes: uma grande estrela central na grade ou a clássica de menor diâmetro sobre o capô. Em um aspecto, porém, não mudou. Continuou sendo uma das marcas registradas mais conhecidas do mundo.

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