Mercedes cobra anuidade para dar potência extra a elétricos

Taxa extra libera recursos que fazem carros acelerarem de 0 a 100 km/h até 1 segundo mais rápido. O que você acha disso?

01/12/2022 - Henrique Koifman/ RF1 / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

A Mercedes-Benz divulgou que vai passar a oferecer uma dose extra de potência para seus modelos elétricos. Mas, em vez de fazer isso criando novas versões para os carros, vai vender essa vitamina de elétrons na forma de uma assinatura anual. Em miúdos: pagou, acelerou mais depressa.

Isso porque, na prática, esse ganho de potência está ligado à programação dos sistemas dos carros, mais ou menos como acontece com o mapeamento nos modelos a combustível que conhecemos – e que podem ser envenenados eletronicamente por preparadores especializados.

Ou seja, na verdade, o recurso pelo qual a Mercedes está cobrando já vem com o carro, de fábrica, quando é comprado na concessionária, só não está habilitado.

E, embora não tenhamos todos os detalhes, é perfeitamente possível que a alteração seja feita a distância, pela internet, pois os modelos são todos conectados. E isso significa que, quando alguém deixar de pagar pela dose suplementar de força, a montadora poderá, também, reverter a programação, retirando os cavalinhos extras.

A taxa para ter esse serviço será de 1,2 mil dólares anuais (cerca de R$ 6.300 ao câmbio de 29/11) e, segundo a Mercedes, o ganho de potência para os modelos EQ fica entre 20 e 24%, com aumento, também, no torque – e isso permite que os carros acelerem de 0 a 100 km/h em até 1 segundo a menos.

Segundo a montadora alemã, os ganhos de desempenho para os diferentes modelos elétricos são os seguintes:

Modelo                     Aumento de potência          Ganho de desempenho (0 a 100 km/h)

 

EQE 350 4Matic                    de 292 para 353 cv     de 6 para 5,1 segundos

 

EQE 350 SUV 4Matic           de 292 para 353 cv    de 6,2 para 5,2 segundos

 

EQS 450 4Matic                    de 360 para 448 cv     de 5,3 para 4,5 segundos

 

EQS SUV 450 4Matic           de 360 para 448 cv    de 5,8 para 4,9 segundos

Uma tendência no segmento

A ideia de cobrar para habilitar funcionalidades em produtos não é nova. No segmento automotivo, esse tipo de expediente comercial já é utilizado, por exemplo, pela Tesla, que cobra uma taxa extra para ativar o recurso de condução autônoma de seus modelos, o auto-pilot.

Nesse caso, porém, além de desbloquear o sistema, a Tesla também presta um serviço complexo, fornecendo e monitorando em tempo real os dados para navegação, sem os quais o carro não poderia “andar sozinho” por aí.

A BMW, por outro lado, passou a cobrar este ano uma taxa extra equivalente a cerca de R$ 95 mensais para que o aquecimento dos bancos de seus modelos funcione – um recurso muito usado no inverno europeu, por exemplo. A novidade não foi lá muito bem recebida e gerou polêmica.

Por enquanto, não sabemos como os donos de modelos elétricos da Mercedes-Benz estão reagindo à nova funcionalidade oferecida – e vendida – pela montadora.

Embora não vá deixar ninguém com frio no inverno, como a rival BMW, é possível que a cobrança extra por potência provoque alguma polêmica, especialmente por causa do alto valor que já é cobrado pelos modelos elétricos da Mercedes. A tendência, no entanto, é que esse tipo de relação comercial e de prestação de serviços se torne cada vez mais comum.

 

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